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domingo, 31 de março de 2013

Religiões - Afro-brasileiras História


O universo das religiões afro-brasileiras é bastante complexo, visto que diferentes grupos étnicos deram origem a uma constelação de denominações religiosas. Nosso estudo concentra-se fundamentalmente em dois grandes grupos: a umbanda e o candomblé.
UMBANDA
Roger Bastide escreveu que a umbanda é a "nova religião dos brasileiros". Camargo disse que o crescimento da umbanda é comparável somente à vertiginosa expansão do pentecostalismo.
Para compreendermos de onde vem essa forma religiosa temos que entender sua origem no Brasil e o contexto no qual ela se desenvolve.
Origem africana?
Entre os negros que foram trazidos ao Brasil durante o período da escravidão, un grupo significativo provinha das culturas Bantos (área angolo-congolesa da Costa Ocidental e da Costa Oriental). Religiosamente, os Bantos conheciam o Ser-Supremo, denominado Zambi, mas suas práticas religiosas eram voltadas principalmente para o culto dos ancestrais, seres mortos que se comunicavam com os vivos através do processo da "possessão".
Os Bantos, cuja experiência religiosa era voltada para os antepassados, predominaram no sudeste brasileiro, nas áreas do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
A respeito do caráter negro da umbanda, a questão é bastante complexa. Mesmo admitindo uma herança africana de origem banto, pelo mesmo processo como essa religião foi se constituindo, evidencia-se que a "sociedade branca" foi se apossando desse movimento religioso.
Desde seu surgimento no Brasil, a umbanda passou por um processo acentuado de embranquecimento. Essa ideologia propõe o branco como ideal a ser alcançado e, conseqüentemente, cria mecanismos para a fusão e o desaparecimento das outras etnias.
Uma sessão de Umbanda com espadas militares invocando Ogum que se associa a São Jorge
É paradoxal, mas a umbanda nasce e se desenvolve neste clima que alimenta a negação do negro, mas aceitando, também, os pretos velhos como entidades benéficas que descem no terreiro.
É o reflexo de uma sociedade ambivalente e ambígua. Fala de democracia racial, mas o modelo é dos países brancos desenvolvidos; teoriza a harmonia das raças, quando, no entanto, as favelas estão cheias de negros.
Se, de um lado, exsiste um projeto de atenuar as diferenças, de outro, o que se oculta é uma grande desigualdade racial e estrutural.
Surgimento da umbanda
A questão do surgimento desse grupo religioso no Brasil é, ainda hoje, sujeita a controvérsia, mesmo entre os umbandistas.
Alguns insistem em afirmar a descendência dessa religião das formas africanas introduzidas no Brasil nos anos da escravidão.
A maioria dos estudiosos concorda em dizer que houve uma fusão entre a macumba e o espiritismo de Allan Kardec. Esse processo parece ter começado nos anos 1920 ou 1930. Um grupo da população branca e pobre que já tinha tido uma ligação com o espiritismo, cansado com o extremo intelectualismo desse último, procurou se aproximar da macumba e de suas formas vibrantes. Surgiu um conjunto religioso que se denominou "umbanda".
Segundo a antropóloga Diana Brown, outros elementos religiosos foram se incorporando à umbanda: a feitiçaria e as práticas mágicas que parecem ter atingido no Rio neste tempo um grau de extraordinário desenvolvimento; e o Catolicismo que foi se associando, a partir do período da escravidão, a algumas religiões africanas.
O primeiro centro religioso
Oferecer comida ao orixá tem por objetivo básico a troca de energia e o champagne substitui a tracional bebida dos orixás - a aluá
É do relato de Diana Brown que aprendemos como surgiu o primeiro centro de umbanda. Conforme conta, por volta de 1920, um jovem de nome Zélio Moraes ficou paralítico. Diante do fracasso do tratamento médico, seu pai, corretor de imóveis em Niterói e adepto do kardecismo, levou-o para uma consulta na Federação Espírita Brasileira, no Rio. Lá, a entidade espiritual de um padre jesuíta disse-lhes que ele devia fundar uma nova religião. Devia ser uma religião tipicamente brasileira dedicada à veneração de espíritos de caboclos, índios e pretos velhos. Esses mesmos espíritos tinham sido excluídos das sessões do espiritismo de Allan Kardec.
Logo depois, Zélio recebeu a visita do caboclo das Sete Encruzilhadas. Foi-lhe dito que fundasse uma nova religião chamada umbanda. Assim, começou o primeiro centro de umbanda: o Centro Espírita Nossa Senhora da Piedade. Em 1938, depois de anos de mudanças, o centro instalou-se num grande prédio do centro do Rio, onde continua até hoje.
A ilusão da democracia racial
O período aproximado do surgimento da umbanda (1920 ou 1930) é uma época em que no Brasil se inicia o processo de industrialização. Com a industrialização as grandes cidades do Sul do Brasil incham-se de novas forças de trabalho. A urbanização começa a se afirmar e a mover grandes passos.
É uma época, também, em que, politicamente, se percebe a necessidade de dar um rosto a tantos povos, através da unificação, de fato, de uma nação. Getúlio Vargas, então presidente, preocupa-se em criar um novo conceito, o de nacionalidade, algo que pudesse favorecer uma identidade aos "muitos" brasileiros.
Culturalmente, surge neste período a obra prima de Gilberto Freire: "Casa Grande e Senzala".
Existe neste escrito uma preocupação em unificar o diverso e estabalecer um suporte a uma nação que está se reconhecendo como tal. Miscigenação racial e democracia racial são termos apropriados para definir uma identidade de um povo variado e diversificado.
É nesse contexto que surge a umbanda com o projeto de integrar raças e etnias diferentes, criando a harmonia de uma nação. O pai de santo umbandista incorpora dentro de si, numa mesma pessoa, as três etnias e, num ritual religioso, faz desaparecer as diferenças, fundindo as três raças.
Essa questão que elimina as diversidades, a favor de um suposta unidade, de fato, consegue abolir as divergências e as contradições, mas se insere num processo mais sutil de integração. Quando se afirma que a umbanda é uma religião "integradora" do negro na sociedade moderna e lhe favorece uma identidade, significa dissolver a especificidade da cultura negra com o intuito de esconder a real situação do negro. Nega-se, portanto, o potencial desse povo a favor de uma democracia racial. A ideologia do branqueamento perpassa constantemente a realidade da religião umbandista.
O crescimento dos terreiros de umbanda
No Brasil como um todo , é quase impossível determinar o número dos adeptos e dos freqüentadores da umbanda. Antes de tudo, essa forma religiosa só entrou no recenseamento em 1965 e, depois, a maioria continua se declarando católica, mesmo que tenha uma freqüência regular da umbanda. Pesquisas mais detalhadas foram empreendidas na cidade de São Paulo pelos pesquisadores Concone e Negrão do Centro de Estudos da Religião (CER). Pesquisando em 1982 os Cartórios de Registros de Títulos e Documentos, os dois especialistas encontraram que, em São Paulo, havia 16.600 lugares em que se praticavam as religiões mediúnicas. As casas de culto eram assim distribuídas: 12.960 terreiros de umbanda, 2.467 centros espíritas e 1.173 tendas de candomblé.
Numa comparação mais detalhada de dados, percebe-se o acentuado crescimento da umbanda. Na década de 30, encontravam-se registrados 27 terreiros; na década de 40, mais 48 terreiros; nos anos 50, mais 1025; na década de 60, 2.836 novas casas de culto foram registradas. No ano de 1982, o total dos terreiros somava o número significativo de 12.960 unidades. Se admitirmos que nem todos os lugares de culto se encontram registrados, chega-se à conclusão de que os índices seriam ainda maiores.
Dar um rosto
O primeiro dos anseios da população que a umbanda quer satisfazer é dar um rosto a indivíduos que se desintegraram no processo migratório. Desenraizados de seu mundo e sem nenhuma referência a valores familiares compartilhados pelos vizinhos, esses indivíduos vivem no vazio e sem identidade. O outro mundo e a cidade grande reduziram-nos a números e a conglomerados. O terreiro apresenta-se, muitas vezes, como o lugar de encontro. Logo de início, aparece a figura da mãe de santo, acolhedora e familiar. Os adeptos chamam-se de irmãos entre si. A visão do mundo adapta-se melhor a um ambiente urbanizado. Também as ligações primárias são reconstruídas, isto é, as ligações com os membros da família e dos vizinhos são recuperadas.
Aliviando tensões
O aspecto terapêutico também desempenha um papel notável. Diante de um sistema de saúde falho e precário; diante de uma acentuação de doenças psicossomáticas (isto é, de doenças do corpo ligadas a problemas psicológicos) que nascem das migrações violentas; e diante de uma instabilidade social e econômica sempre mais difícil de se lidar, a umbanda apresenta-se como aliviadora de tensões.
A inserção da umbanda em seu contexto cultural e social permite-nos identificar as falhas de uma sociedade excludente e, também, a exacerbação de necessidades que geram ainda mais a desconfiança e a insegurança.
O jeitinho e a malandragem
Um antropólogo de origem inglesa, radicado no Brasil, chamou a atenção para um aspecto que a primeira vista maravilhou a muitos. Peter Fry sustentava que a umbanda é preferida pelas pessoas que, diariamente, estão acostumadas a manipular através do jeitinho e da malandragem. A manipulação das entidades para obter favores insere-se num fundo de uma vida recheada de jeitinhos e favores.
Neste sentido a umbanda parece espelhar uma particular maneira de ser do capitalismo brasileiro e o reforça. Mostra que o sucesso na vida pode ser obtido não necessariamente através de canais oficiais de trabalho e estudo, mas também pela manipulação de relacionamentos pessoais, pedidos de favor e troca de benefícios.
A umbanda como religião
Os estudiosos costumam dividir as religiões em duas grandes categorias: as que ficam restritas a um grupo étnico (povo, raça, etc.) e as que vão além de um só grupo.
Sem dúvida, a umbanda pertence à segunda categoria. Desde seu aparecimento no Brasil, ela se apresentou como uma religião presente em diferentes raças e classes sociais. Diferentes revistas e jornais apresentam a umbanda como um movimento que cruza fronteiras e cujo culto já chega à Argentina, ao Uruguay, aos Estados Unidos e até à Itália.
Para entender melhor essa forma religiosa, podemos analisar cinco dimensões que, sempre segundo os estudiosos da história das religiões, caracterizam uma religião presente em diferentes camadas sociais.
As dimensões são as seguintes:
  1. o grupo de fiéis;
  2. a cosmovisão ou a ideologia;
  3. a experiência religiosa;
  4. a ética ou o conjunto de princípios de comportamento;
  5. o ritual.
1. O grupo dos fiéis
Quando uma pessoa procura a umbanda, é recebida por um grupo com o qual é fácil relacionar-se. Trata-se, em geral, de um grupo relativamente pequeno e, logo de início, se estabelece uma intensa ligação afetiva. A figura da mãe ou do pai de santo é extremamente acolhedora, transmitindo muita segurança. A pessoa sente-se em casa.
O pequeno grupo ajuda a reconstruir os laços que foram quebrados de diferentes maneiras, muitas vezes por causa de uma migração forçada, vencendo assim o anonimato e a massificação que constituem uma grande ameaça para qualquer um. Nasce, portanto, uma nova e gratificante experiência de relações entre pessoas: todos se entendem logo.
Isso não quer dizer que tudo seja paz no mundo da umbanda. Há "guerra de santos e de orixás" e há também muitas tensões no relacionamento. O processo pelo qual surge um novo terreiro é, muitas vezes, causado por dissenções internas, por rivalidades e desentendimentos. Também é verdade que o pai ou a mãe de santo nem sempre conseguem controlar as ansiedades.
Vale para a umbanda o que Rudolph Otto diz de todo poder sagrado: ele exerce uma grande fascinação e ao mesmo tempo atemoriza.
2. A cosmovisão ou a ideologia
Cosmovisão é uma palavra que se refere à maneira como alguém vê o mundo. Inclui também as respostas que são dadas aos grandes porquês da vida humana.
Cada grupo religioso tem sua cosmovisão. Também a umbanda oferece respostas plausíveis, concretas, imediatas e eficazes.
Eis um caso concreto que ajuda a entender o que queremos dizer. Dona Joana, afetada por uma doença nervosa, depois de ter procurado inutilmente médicos e psicólogos, é convidada a visitar un terreiro. Seu problema de loucura é logo detectado: trata-se de sete encostos que atrapalham sua vida.
O que foi que aconteceu e que deve ser atentamente analisado? Foi dada uma explicação concreta. Estabeleceu-se uma ordem no caos da cabeça da mulher. Dona Joana entendeu a explicação porque foi explicada com elementos que fazem parte do dia-a-dia da gente humilde.
A sintonia com a maneira de pensar e de falar dos fiéis e a rapidez com que é feito o diagnóstico tornam a visão do mundo extremamente eficaz. Essa rapidez de interpretação traz alívio, esclarece o problema e pode ser um começo de cura.
Religiosidade popular
O mundo da umbanda é povoado de espíritos e entidades espirituais que regulam a vida quotidiana e permitem que o fiel se relacione facilmente com o universo das realidades sagradas.
Essa maneira de ver o mundo não é prerrogativa do universo umbandista, mas é facilmente encontrada em toda forma de religiosidade popular. A religiosidade dos católicos de origem rural tem seu mundo povoado de almas e santos que interferem constantemente na vida diária.
Historicamente, houve uma associação entre entidades espirituais da umbanda e os santos católicos de devoção, como visualiza muito bem o quadro da construção simbólica da umbanda num texto de Gabriel Chester (Cfr. p. 9)
A umbanda, portanto, mergulha no tipo de crença religiosa que revela a interferência do espiritual sobre o cotidiano: é o mundo espiritual que regula e harmoniza as coisas.
3. A experiência religiosa
O que marca em profundidade o participante da umbanda é a experiência religiosa. Essa experiência de contato com a divindade acontece em dois momentos: o primeiro momento é o inicial, quando o adepto tem a impressão de estar sendo chamado por um determinado espírito; o segundo, durante o momento ritual, quando a entidade continua tomando conta da pessoa.
No começo
Cada pai de santo ou filho de santo conta que, no começo de sua iniciação, houve uma experiência muito intensa de contato com a divindade, quase sempre motivada por um sofrimento muito intenso e sem uma explicação plausível.
Esse sofrimento inicial é interpretado como condicionado ou produzido por forças de outra ordem que a sociedade circunstante, muitas vezes, não compreende e estigmatiza como manifestação da loucura.
A pessoa atingida por essa experiência procura resistir e não quer se entregar a esta possível explicação. Tal resistência e sua persistência, porém, indicam a inelutabilidade do caminho a ser seguido.
No fim, a aceitação acarreta uma atitude de alívio e comporta uma missão no seio da comunidade. Um pai de santo conta: "Não vou me importar com aquilo que as pessoas pensem ou digam. O suficiente é que eu saiba o que eu estou fazendo. Porque eu não quero nada para prejudicar ninguém. Se for para ajudar a aliviar a dor dos meus semelhantes, eu aceito de bom gosto. Eu aceito também para aliviar a minha dor."
No ritual
Há momentos em que a experiência mística é vivenciada em toda a sua intensidade e que acontece durante o momento ritual da descida das entidades. Usualmente, esse momento é chamado de "transe". A entidade espiritual toma conta do sujeito, o qual lhe empresta sua própria pessoa. Há um contato direto com as divindades. O êxtase, a descida dos espíritos e a possessão recompõem a unidade com o sagrado, aliviam o fiel crente e permite que a cura se realize e que a situação problemática seja sanada.
4. A ética
Toda religião tem conseqüências éticas ou morais. A ética é um código de valores diretamente ligada à visão de mundo. A umbanda sustenta-se num universo povoado por espíritos e entidades que regulam o ritmo da vida cotidiana. A relação que se estabelece entre pessoas e deuses orienta, também, o comportamento dos seres humanos entre si.
Visão do mundo e relações humanas
Se, de um lado, as entidades espirituais ajudam a estabelecer uma ordem no caos da vida diária, há seres, porém, que podem atrapalhar. É exigido, neste caso, um ritual para apaziguar e tornar benévolos esses seres. As entidades negativas não podem ser expulsas de uma só vez; nem isso seria possível. A umbanda precisa exorcizar o mal para que, uma vez domesticado, possa concorrer para o bem.
Há, portanto, um aliciamento dos exus (entidades ambíguas), para que possam ajudar a sessão ritual e a vida do adepto. O equilíbrio acontece, antes, numa composição de forças aparentemente contrastantes.
O mesmo princípio traduz-se, também, na vida cotidiana e no relacionamento entre as pessoas. O que se apresenta marginal e desviante na nossa sociedade não é excluído e eliminado, mas aliciado e assumido dentro da umbanda. As prostitutas, os homossexuais, os bandidos têm um lugar aceito dentro desta forma religiosa.
A caridade
O elemento que permite uma rearticulação de forças antagônicas é a caridade. É ela que possibilita uma harmonia entre opostos. É um elo imprescindível de equilíbrio e inclusão. Daí a ênfase dada na umbanda à caridade.
A mesma doença, em todos suas manifestações, é sempre uma alteração de um equilíbrio entre dois pólos: o positivo e o negativo. É, como tal, a pontualização de um conflito em que há brigas de entidades. Fazer obrigações, fazer o bem a quem precisa, ajuda a controlar o estado de ansiedade, proporciona um alívio e pode permitir a cura.
5. O ritual umbandista
Toda religião tem um ritual simples ou complexo. A umbanda é um movimento religioso centrado quase que exclusivamente no ritual.
O grupo religioso encontra-se e reúne-se para celebrar os momentos da vida. O primeiro contacto que um novo adepto tem com o grupo é sempre durante a sessão ritual.
A mesma cosmovisão é apreendida durante o rito. É alí que se vê, se experimenta e se assume uma particular maneira de ver a realidade. Esse saber é fruto não tanto de explicações teóricas e de doutrinas, mas de uma aprendizagem por contaminação.
Também a experiência mística é vivida em toda sua intensidade durante o momento ritual. As entidades espirituais descem nas pessoas que fazem parte do grupo religioso e que estão participando do ritual.
Por último, também, a prática da caridade, como momento ético privilegiado, dá-se principalmente durante o momento ritual. É ali que os espíritos descem para trabalhar e cumprir sua missão. Praticam a caridade na terra, mitigando os sofrimentos dos consulentes e aliviando os problemas das pessoas. Os pretos velhos e os caboclos sugerem que a dor não pode ser entendida como algo de negativo, mas como purificação, aceitação e catarse.
OS VÁRIOS MOMENTOS DO RITUAL UMBANDISTA
Cantos introdutórios: várias músicas são cantadas e prepara-se o ambiente da sessão.
Defumações: são incensados os médiuns individualmente e o povo como um todo.
Chegada do pai de santo que dá início à sessão.
O pai de santo entra em transe e incorpora as entidades espirituais.
Os médiuns e os filhos de santo entram em transe. Começa o aconselhamento e a cura.
Antes de terminar a sessão, há compromissos com os orixás. A sessão termina com saudações.
Candomblé
A África está na origem da religião dos orixás
A cosmovisão africana influencia os símbolos do candomblé, mas também o processo da escravidão e o transplante violento da religião nagô no Brasil estão refletidos na composição do candomblé.
O axé
A visão do mundo africana, centrada no eixo religioso da vida, faz com que todos os elementos, animados e inanimados, sejam imbuídos de uma força vital que promove a ação e é fonte de poder e eficácia. Essa força, chamada axé na língua nagô ou ioruba, permite acontecer o devir. É uma força inerente às realidades e torna possível o processo vital.
Juana Elbein dos Santos, uma grande estudiosa do candomblé, diz que o axé reside no sangue dos seres vivos e nas substâncias essenciais de cada ser, simples ou complexo, que compõe o mundo.
Os ritos de passagem, os ritos de casamentos, os ritos de nascimento e de iniciação transmitem o axé, sendo que esta força entra em contato com a pessoa e com os objetos sagrados.
No mundo africano, tudo é cheio de vida e está vivo. É uma vida, às vezes, ameaçada por forças que atemorizam, mas é também um mundo de espíritos que protegem e acompanham as pessoas. São raios e trovões ameaçadores, mas também chuva e rios que permitem a colheita e a comida. O grande mistério da vida é celebrado nos rituais do nascimento e do casamento.

Início de uma sessão do candomblé, saudando a pedra sagrada
O Deus supremo e os orixás
O Deus supremo e uma infinidade de seres intermediários garantem a unidade e o dinamismo da vida africana. Olorum, o Deus supremo, pode entrar em contacto com os humanos através dos orixás ou divindades intermediárias. Estes últimos são forças, axé, energia vital provinda de antepassados excepcionais. Incorporando-se em pessoas, recebem devoção e respeito, mas também fornecem proteção e força.
A pessoa humana e a comunidade
O africano é um "ser com" e "vive com". Fora da comunidade, sente-se isolado, ameaçado, desamparado e perdido. Tem sempre uma necessidade de manter ligações com membros de sua família, clã e o grupo social menor. No interior do clã, que é uma unidade de vida, vivos e defuntos convivem numa simbiose coletiva. Também os defuntos continuam como parte integrante da vida, estabelecendo uma solidariedade de destino com os vivos sobre esta terra.
A pessoa africana encontra sua força vital, seu sentido, seu potencial de ser enquanto se encontra unido a outros, visíveis e invisíveis. Fora da comunidade é só confusão e morte.
Os ideais de vida
Os princípios éticos dos africanos estão enraizados em conceitos chaves como vida, solidariedade clânica, força e harmonia.
A vida é um bem que deve ser preservado e defendido, procurado e intensificado. Comunicar a vida é a expressão ética fundamental. A mulher-mãe é valorizada e a sexualidade protegida porque se inscrevem no imperativo de transmitir vida. A morte, mesmo que recuperada num nível superior, representa uma diminuição de vida e, como tal, traz sofrimento e carência de energia vital.
A solidariedade clânica representa o princípio de identificação e de existência. Fora do clã continua subsistindo a ausência de leis normativas e a confusão. Há perda de referência e desintegração do indivíduo. É como se um ramo fosse cortado da árvore que o alimenta: seca e torna-se ineficaz.
A força, também física, é procurada como valor indispensável. Maior força indica maior possibilidade de sobreviver em contextos muitas vezes difíceis, como a floresta e a ameaça dos animais ferozes.
Também a harmonia é um bem a ser preservado. O equilíbrio clânico e o uso harmônico da força fazem do africano um ser potencialmente capaz de se tornar um ancestral e, como tal, respeitado e símbolo de uma existência realizada.
O transplante violento dos africanos para o Brasil
O candomblé é sim revelador de matrizes culturais africanas, mas também guarda no seu íntimo o trauma do transplante violento do escravo africano e de suas religiões para o Brasil.
A escravatura dos negros representa a chave de interpretação da sobrevivência e da proliferação das religiões africanas no Brasil. Fala-se de 3,6 milhões de negros trazidos, à força, como escravos para o Brasil.
Eles provinham de diferentes países africanos e de diferentes tradições religiosas. Nos portos da África, os negros eram reunidos na espera da chegada de um navio negreiro. Amontoados como animais, eram selecionados e misturados.
Chegando ao Brasil, os negros eram vendidos nos mercados de escravos e, depois, levados a diferentes locais de trabalho. As crueldades e a decomposição da humanidade eram associadas a fim de controlá-los como exclusiva força de trabalho.
Mesmo que em adversas situações, esmagadas pelo ingente peso da escravidão e não obstante a imposição formal do catolicismo, as referências às memórias passadas eram o único vínculo com uma humanidade que ainda subsistia. Sobretudo as tradições religiosas negras mantiveram-se às escondidas por 400 anos e, em muitos casos, reconstruídas dentro de novos contextos e circunstâncias. Controladas pelo catolicismo dominante e misturadas com o catolicismo popular de matriz lusitana, as peças mantiveram-se mimetizadas e resistentes.
Os terreiros foram os espaços vitais para recriar os espaços simbólicos e a manutenção da vida tradicional. Na Nigéria e em Daomé, os orixás eram cultuados em cidades ou num país inteiro; no Brasil, o espaço de recriação cultual concentrou-se nas unidades dos terreiros. Nesses espaços sagrados foi simbolicamente concentrada a totalidade do mundo africano. E foi assim que, por muito tempo, as religiões africanas adaptaram-se, recriaram-se e sobreviveram no contexto brasileiro.
1.º O grupo religioso do candomblé
Foi especialmente nos terreiros que se mantiveram vivos os sistemas culturais herdados.
Terreiros
Os terreiros são comunidades de vida em que a cosmovisão africana mantém-se presente e viva, em que a reconstrução familiar-clânica continua subsistindo e em que a vida comunitária revela os traços culturais dos africanos.
Todos os membros encontram-se unidos na mesma fé, protegidos pelos orixás, submissos a uma autoridade religiosa e espiritual e em que uma solidariedade econômica-religiosa fundamenta a co-responsabilidade do trabalho.
A autoridade espiritual e moral está concentrada nas mãos dos "pais" ou "mães de santo", chamados também de "babalorixás"ou "ialorixás". O nome "mãe" e "pai" significa que os adeptos aceitam uma segunda educação pelas mãos de pessoas significativas em suas vidas.
Cabe aos chefes do terreiro presidir as cerimônias religiosas, receber os convidados, raspar a cabeça dos iniciados, supervisionar os ritos e apontar os novos iniciados.
A estrutura do candomblé inclui duas categorias de pessoas: os iniciados propriamente ditos e os titulares, de pessoas executivas e honoríficas. Os primeiros percorrem todo o processo formal de iniciação, do aspirante ao superior religioso do terreiro. O segundo grupo é representado pelos "ogãs", pessoas que exercem um cargo executivo e honorífico no candomblé e que contribuem para solucionar problemas jurídicos, formam um corpo seleto de prestígio.
Os terreiros contemplam uma certa autonomia, mesmo que haja um relacionamento entre eles. A autonomia é fonte de prestígio e, muitas vezes, também de conflitos e tensões entre os babalorixás. Sendo uma realidade relativamente autônoma, a interdição do incesto regula as relações entre os membros; visto que todos participam do mesmo axé, a interdição sexual entre os membros da mesma família é constitutiva e normativa.
2.º A cosmovisão do candomblé
O mundo dos orixás representa uma vasta cosmologia, em que personagens históricas e mitos querem contar a estrutura imaginária da religião nagô. Damos sucintamente uma descrição, lembrando que é ao redor desses intermediários que se joga toda a estrutura ritual dessa religião.
Algumas observações são importantes na compreensão da cosmovisão iorubá. Antes de tudo, vários autores assinalam a coincidência extraordinária entre os caracteres típicos dos orixás e a personalidade dos adeptos. O orixá fogoso ou calmo está associado ao tipo humano com comportamento fogoso ou calmo e assim por diante.
Muitos orixás estão associados, também, a santos católicos. A realidade dessa combinação vem dos tempos da escravidão, quando a religião oficial católica impôs um verniz formal religioso sobre as religiões africanas. Externamente, os negros praticavam o catolicismo, mas, internamente, reviviam os mitos africanos.
O PANTEÃO IORUBÁ
Os Orixás
Olodumaré: é o deus supremo e distante, quase inacessível. Nenhum culto lhe é prestado. Ele se serve dos orixás para se comunicar.
Oxalá: também denominado com o nome de Obatalá, ocupa um lugar de primeiro plano. Foi o primeiro a ser criado por Olodumaré. Modelou os seres humanos, mas entrou em conflito com Ododua sobre a questão do controle das cidades. É sincretizado com o Senhor do Bomfim.
Ododua: representa mais um personagem histórico. É o fundador da cidade de Ifé e pai de muitos reis de diversas nações iorubás.
Xangô: foi rei de Oió. É o deus do trovão e da justiça. Usa roupa branca e vermelha e coroa na cabeça. É sincretizado com são Jerônimo, santo Antônio, são João e são Pedro.
Ogum: é o deus do ferro, da guerra e da tecnologia. Usa roupas de cor azul-escura, verde, amarela e vermelha. Na Bahia é sincretizado com santo Antônio de Pádua, o martelo dos hereges. No Rio de Janeiro, é associado a são Jorge.
Ossain: é a divindade das plantas medicinais e litúrgicas. É o detentor do axé. Veste-se de branco e verde-claro. É sincretizado com santo Onofre. Dizem ter uma perna só, podendo se manifestar no mato como o saci-pererê.
Orunmilá: é o companheiro de Ossain no ofício da adivinhação.
Obaluaê: também conhecido como Omolu e Zapanã, significa o "dono da terra. "É o deus da varíola, da peste e das doenças da pele. Suas cores são vermelho, amarelo e preto. Veste um capuz e cobertas de palha-da-costa enfeitadas com búzios. É sincretizado com são Lázaro, são Roque e são Sebastião.
Iemanjá: seu nome significa "mãe cujos filhos são peixes." É a deusa dos mares e das águas. Veste branco e azul. Seu dia é o sábado e é sincretizada com muitas das qualidades de Nossa Senhora.
Iansã: é a divindade dos ventos e das tempestades. De temperamento impetuoso. Sua roupa é de cor marrom-escura e vermelha. É sincretizada com santa Bárbara.
Oxum: é a rainha de todos os rios e exerce o poder sobre a água doce. Veste-se de azul-claro e verde-claro. É sincretizada com N.Sra. das Candeias e N. Sra. dos Prazeres.
Obá: sua dança é guerreira. Veste-se de branco e vermelho. É sincretizada com santa Joana D'Arc, santa Catarina e santa Marta.
Nanã Buruku: é uma divindade muito antiga. Veste-se de branco e azul. É sincretizada com Sant'Ana, sendo protetora das pessoas idosas e respeitáveis.
Exu: é um orixá de múltiplos e contraditórios aspectos. É um orixá mensageiro. Nada se faz sem ele. É desprovido de qualquer senso de moralidade. Tem também um lado bom e, se tratado bem, é serviçal e prestativo. As cores são o preto e o vermelho. É associado aos demônios. Todas as cerimônias começam com uma louvação prévia a Exu.
Oxossi: é um deus caçador. É o protetor dos caçadores, das matas e das florestas. Suas cores são verde e vermelho. É louvado às quintas-feiras e é sincretizado com são Sebastião, são Jorge, são Gabriel e outros.Iroco: é cultuado na gameleira-branca, sincretizado com são Francisco. Suas cores são verde-escuro e vermelho. É um orixá de culto muito restrito e pouco compreendido.
3.º A experiência religiosa do candomblé
Há pelo menos dois canais através dos quais se realiza a união entre os seres humanos e os deuses e antepassados.
O primeiro é o oráculo que preside todas as cerimônias do candomblé. Popularmente conhecido como jogo dos búzios, trata-se de uma técnica em que o babalorixá desvenda os mistérios da vida. Processos mais intuitivos ou formais podem ser usados, como o tempo de consulta pode variar, mas sempre o objetivo é o mesmo: clarear e desvendar os mistérios que envolvem a vida e a história humana.
Quando se jogam os búzios, é feito o diagnóstico. Os resultados são tratados com o ebô que é uma espécie de sacrifício ritual. Os males que se encontram dentro do cliente são espantados e desviados para objetos e animais que são levados para lugares determinados ou enterrados, segundo a indicação da consulta. O ebô tem um carácter terapêutico e libertador. A magia é sempre eficaz em si mesma, sem recorrer a particulares referências ao transcendente.
O outro canal que une diretamente o indivíduo ao sagrado é o processo ritual de iniciação. É um caminho sem volta sobre o qual é centrada toda a organização do candomblé. Representa o primeiro passo para subir na escala social, contribui para manter o grupo coeso e favorece a entrada na nova vida.
Os estágios da iniciação incluem os aspirantes (abiãs) que fazem os trabalhos humildes da casa e que devem revelar aptidão para o estado de santo. Conhecidos os deuses tutelares e confirmados pelo jogo de búzio, a abiã submete-se ao segundo estágio de iniciação. Este momento consiste no oferecimento da comida à sua cabeça, numa cerimônia chamada bori. O ritual de dar comida à cabeça é um dos mais registrados pela etnografia brasileira. É necessário alimentar o bori como é necessário alimentar o orixá. Faz-se o bori para fortalecer a cabeça.
Os banhos do abô, contendo diferentes ervas e sangue de vários animais acompanham este estágio e representam cerimônias preparatórias de purificação.
O tempo de confinamento da abiã no roncô (local separado preparado pela iaô) pode ser de vários dias ou de meses. É a iniciação propriamente dita, onde o iniciado aprende a lidar com seus deuses. O momento de passagem é a depilação, geralmente da cabeça. O iniciado torna-se familiar com as comidas, os sacrifícios e os animais típicos de seu orixá.
O terceiro estágio de iniciação é representado pelo momento ritual da saída de iaô. É o dia do nome, o dia do oruncó ou nome do santo. No barracão de danças a iaô aparece em público por três vezes, sendo a última vez com a roupa e os objetos rituais de seu orixá. Ela fala o nome de seu orixá e acompanha o ritual com danças e música especiais.
Em seguida, a iaô continua a cumprir suas práticas rituais, mas já se encontra num estágio particular de ascensão na hierarquia do terreiro. O contato íntimo do indivíduo com a divindade atinge níveis de fusão mística, fazendo com que permaneça envolvido por toda a vida.
4.º O ritual
Cada orixá tem um dia, ao longo do ano, que lhe é especialmente consagrado. Roupas rituais e cantos especiais que narram episódios míticos acompanham os dias de festa.
Além das cerimônias anuais para cada orixá, são de grande importância os ritos de casamento, de nascimento, de iniciação e também, os ritos fúnebres. É nestes momentos que se celebra o triunfo da vida sobre a morte. Os ritos fúnebres e os sacrifícios merecem especial destaque.
ORIXÁS CULTUADOS NO BRASIL
ORIXÁS
Oxalá O mais elevado dos deuses iorubás
Ogum Deus dos guerreiros
Xangô Deus do trovão
Oxum Deusa das águas doces, da fecundidade e do amor
Oiá-Iansã Deusa das tempestades, dos ventos e dos relâmpagos
Oxóssi Deus dos caçadores
Iemanjá Deusa dos mares e oceanos
Obaluaê - Omolu Deus da varíola e das doenças
Oxumaré Deusa da chuva e do arco-íris
Exu Mensageiro e guardião dos templos, das casas das pessoas
Ossain Divindade das plantas medicinais e litúrgicas
Obá Deusa dos rios
Nanã Deusa da lama
Logun Edé Deus andrógino, considerado o príncipe das matas
Ibejis Deuses da alegria, das brincadeiras e da infância
Olodumaré Deus supremo. Criador dos orixás
Fonte: Orixas, Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo, de Pierre Verger - editora Corrupio
O sacrifício como oferenda visa a conservar o equilíbrio entre o plano visível e o invisível. Dessa maneira, continua garantindo o fluxo da vida. A ação de graça por algo bem sucedido e a retribuição por algo oferecido fazem com que se estabeleça uma relação de troca entre os adeptos e as divindades. Muitas vezes, o sacrifício é o ato para aplacar as divindades ou para se proteger dos inimigos. São oferecidos animais domésticos cujos órgãos internos são imbuídos de forças especiais. O sangue, também, é oferecido como dádiva agradável à divindade.
O círculo que se estabelece entre o adepto, o sacrifício e o orixá, visa principalmente à transmissão e ao reforço do axé. Oferecendo a vida ao orixá, é o próprio ser humano que permanece revigorado.
Os ritos fúnebres também têm um lugar especial no candomblé. Eles estão vinculados ao próprio equilíbrio da vida, sendo a morte um momento de transformação, não de extinção. O corpo reintegra-se ao universo e o espírito continua a revigorar o grupo e o sistema. Quando é uma iaô ou ebome que morre, os ritos fúnebres duram três dias, quando, porém, é a própria ialorixá, os rituais prolongam-se por vários dias.
Os pertences rituais do defunto, segundo a indicação dos búzios, podem ser enterrados ou jogados num lugar retirado. O orixá do falecido pode tomar posse de um outro indivíduo, continuando assim sua morada sobre esta terra.
Há rituais também regionalizados e específicos para determinados orixás. Famosa é a cerimônia das águas de Oxalá que deu origem à cerimônia da lavagem do santuário da Igreja do Bonfim (em Salvador, Bahia) ou de Iemanjá, a mãe d'água que recebe homenagens nos dias 2 de fevereiro ou 8 de dezembro.
No Rio de Janeiro, é famosa a comemoração da passagem do ano (de 31 de dezembro para o 1 de Janeiro), quando barquinhos cheios de flores, de perfumes, de espelhos e de comida são oferecidos à grande mãe Iemanjá.
5.º A questão ética no candomblé
A origem africana forneceu, como vimos, parâmetros de comportamento entre o bem e o mal. Os ideais da proteção à vida, a solidariedade clânica, a busca da força e da harmonia regeram a estrutura da sociedade africana. A vinda forçada dos negros ao Brasil interrompeu essa harmonia e unidade. A ética e os princípios de comportamento fragmentaram-se, deixando para o momento ritual a reconstrução da unidade, mas dicotomizando o comportamento na vida normal.
Se considerarmos também que o candomblé esteja passando de uma fase de religião étnica para uma religião universal, em que adeptos de origem branca, intelectuais, executivos, profissionais e outros parecem engrossar os terreiros, sobretudo nas grandes cidades, novas questões de adaptação emergem para esta cosmovisão religiosa. Especialmente a questão ética é refletida e questionada.
Prandi, por exemplo, sugere que o princípio ético do "certo e errado", sendo limitado ao momento do rito no candomblé (em que a ligação ritual e a obrigação são extremamente importantes), deixa margem a diferentes interpretações morais no cotidiano. Em seu trabalho sobre candomblés, em São Paulo, após ter entrevistado dezenas de pessoas do alto clero do candomblé, chega à conclusão de que esta religião não conta com um corpo ético próprio. Tratar-se-ia de uma religião a-ética que usa imagens pré-éticas e que estaria florescendo em contextos urbanos marcados por uma cultura pós-moderna e pós-ética.
Evidentemente, ao redor dos redutos tradicionais do candomblé, como em Salvador, Bahia, refuta-se essa perspectiva e continua se afirmando uma originalidade ética do candomblé, centrada nos grandes valores africanos da solidariedade, da religião, da harmonia e da vida.

Qualidades do Orixá Oxumarê



Oxumaré é o Orixá do arco-íris e da transformação. É o Orixá das adivinhações, grande feiticeiro, babalawo e curador. Tem dupla representação, hora como arco-íris, hora como o homem serpente. Traz nas mãos duas cobras de metal amarelado ou branco, representa o lado masculino e feminino, dependendo do caminho. A sua saudação: A Run Boboi!!!, quer dizer: Vamos cultuar o intermediário que é elástico.
Qualidades nagô/vodun
Dan – Vodun conhecido e cultuado no ketu com o nome de Oxumare, é a cobra que participou da criação. É uma qualidade benéfica, ligada à chuva, à fertilidade e à abundância; gosta de ovos e de azeite de dendê. Como tipo humano, é generoso e até perdulário.
Vodun Dangbé – É um Oxumaré mais velho que seria o pai de Dan; governa os movimentos dos astros. Menos agitado que Dan, possui uma grande intuição e pode ser um adivinho esperto.
Vodun Becém – Dono do terreiro do Bogun, veste-se de branco e leva uma espada. Becém é um nobre e generoso guerreiro, um tipo ambicioso, combativo de Oxumaré, menos afectado e menos superficial que Dan. Aido Wedo, também é uma qualidade de Oxumaré conhecida no Bogun.
Vodun Azaunodor – É o príncipe de branco que reside no Baobá, relacionado com os antepassados; come frutas e “leva tudo de dois”.
Vodun Frekuen – É o lado feminino de Oxumaré, representado pela Serpente mais venenosa. O lado masculino de Oxumaré é geralmente representado pelo Arco-Íris.
O Orixá Oxumare possui ainda vários outros nomes na África como no Brasil, que como acontece com todos os outros Orixás, se referem a cidades, lendas ou cultos específicos de uma determinada região, e com isso ganha suas particularidades e costumes; alguns dessas outros nomes são: Akemin, Botibonan, Besserin, Dakemin, Bafun, Makor, Arrolo, Danbale,Akotokuen, Kaforidan,Danjikú,Aido Wedo, Foken, Darrame, Averecy, Akoledura e Bakilá. Oxumare Araká é nome de uma mais antigas casas de candomblé na Bahia, o Ilê Axé Oxumare Araká.

História da Capoeira


GINGANDO COM A HISTÓRIA
Autora: MESTRA SIOMARA SILVA DE SOUZA
Imagem de Debret
TCC apresentado ao Curso de Educação Física da UNISUAM, como parte requisitos para obtenção dos Títulos de Licenciado em Educação Física.

A ORIGEM DA CAPOEIRA
Quanto à origem, discutiu-se muito sobre duas fortes hipóteses: uma afirmava que a capoeira tinha vindo para o Brasil trazido pelos escravos, e a outra considerava a capoeira como uma invenção dos escravos no Brasil.Hoje a hipótese aceita por quase todos os estudiosos é de que a capoeira surgiu no Brasil como instrumento de luta pela liberdade. Os movimentos das danças e rituais tribais dos negros africanos formaram o seu substrato estético-gestual.Segundo Brito (Mestre Suíno), (1997), a resistência dos quilombos no litoral nordeste do Brasil ilustrou uma das mais significantes paginas da capoeira no século XVII, quando se verificaram as invasões holandesas, aproveitando-se da confusão que se estabelecera., milhares de escravos começaram a fugir de seus senhores. Todo negro que se tornava hábil na prática da capoeira sentia-se preparado para, na primeira oportunidade, desforrar-se dos feitores. Quando os negros não eram mortos, fugiam para as matas e formavam os quilombos, seus refúgios. Historicamente, o mais famoso foi o Quilombo dos Palmares, situado na Serra da Barriga, em Alagoas.Com a extinção dos Palmares e a abolição da escravatura, a capoeiragem saiu das capoeira, já agora nitidamente como recurso de ataque e defesa, e nela foram os homens se exercitando, recebendo ensinamentos daqueles que a tinham visto e praticado. Nas cidades, principalmente no Rio de Janeiro e Salvador, os adeptos da capoeira se tornaram notáveis por suas façanhas, criando assim uma emulação inevitável e nem sempre positiva. Começa aí a proliferação da capoeira enquanto atividade associada á vadiagem.O século XIX assinalou o apogeu da capoeira. As forças políticas muito contribuíram para uma grande penetração da capoeira e o seu desvirtuamento, principalmente após a proclamação da República, quando surgiram os interesses eleitorais.

O TERMO CAPOEIRA
O vocábulo capoeira foi registrado pela primeira vez em 1712 por Rafael Bluteau, seguido por Melo Moraes em 1813. Após isso entrou no terreno da polêmica e da investigação etimológica.A primeira proposição foi a de José de Alencar que propôs para o vocabulário "capoeira", o tupi "caa-apuam -era" traduzido por ilha de mato já cortado. Macedo Soares, opina que provém do Guarani ’’caa-puê-ra (mato miúdo, nascido em lugar onde existiu mata virgem). Antenor Nascente, liga o jogo da capoeira a uma ave chamada capoeira (odontophorus capuera spix), os passos da luta da ave macho para defender seus domínios, foram comparados com os da capoeira. Brasil Gerson aventou que o nome vem dos cestos para guardar capões, chamados capoeira, o nome dos cestos passou para os escravos que os transportavam e folgavam-se jogando capoeira no mercado. A maioria dos estudiosos da capoeira acredita que o vocábulo teria vindo mesmo do Guarani Caápuêra. J. Barbosa Rodrigues, no século passado, propôs em seu livro PARANDUBA AMAZONENSE, a forma Caappoêra, já para Visconde de Porto Seguro, o termo é Capôera. A evolução natural da palavra foi "Capoeira".

PROIBIÇÃO E A LIBERAÇÃO DA CAPOEIRA
Proclamada a República, inicia-se uma nova fase de perseguição á capoeira. O Decreto 487 do Código Penal Brasileiro, de 11 de outubro de 1890 estabelecia no capítulo XIII, que trata dos "Vadios e Capoeiras": Proibida a prática da capoeiragem sob penas de prisão Celular.O início do século XX caracterizou-se como o recrudescimento da capoeiragem; os novos interesses políticos em jogo muito concorriam para que os principais capoeiras se tornassem cabos eleitorais, capangas ou secretários de grandes figurões.Por volta de 1932, no Engenho Velho de brotas, um homem nascido em Salvador em 23/11/1900, e falecido em Goiânia em 05/02/74, foi o grande pioneiro da oficialização, pelo governo, da primeira academia de capoeira. Em 1935 a capoeira deixou de constar como arte proibida com a queda do Decreto de 11 de outubro de 1890.Posteriormente, em l937, a então Secretaria da Educação conseguia um registro oficial que qualificava seu curso de capoeira como Curso de Educação Física. Trata-se de Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre Bimba. Em 26 de dezembro de 1972 a capoeira foi homologada pelo Ministério da Educação e Cultura como modalidade desportiva. (Mestre Suíno - Goiás - 1997).

ESTILOS DE CAPOEIRA (ANGOLA E REGIONAL)
Capoeira Angola - A prática de capoeira Angola exerceu na personalidade de Mestre Pastinha um irresistível fascínio que o transformou num verdadeiro predestinado para o ensino desta modalidade esportiva que praticada em obediência a seus ensinamentos pode contribuir, poderosamente para o equilíbrio físico-técnico do homem.Vicente Ferreira Pastinha é o seu nome de batismo. (Mestre Pastinha - pg. 7 1988). Segundo Mestre Suíno, 1997 página l2, a Capoeira Angola é considerada a Capoeira Mãe. O nome Capoeira Angola surgiu logo após a criação da Capoeira Regional, até então o nome usado na época era apenas capoeira ou capoeiragem. Com a criação da Regional houve necessidade de dar o nome a outra já existente. Este nome surgiu porque a maioria dos mestres de capoeira angola acredita que foram os escravos oriundos de Angola que criaram a capoeira. A capoeira angola não possui um criador e sim muitos referenciais. O mais expressivo foi Mestre Pastinha.Capoeira Regional - Segundo Mestre Santana (1985 pg. 81 e 82), a Regional foi desenvolvida pelo imortal Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba), com a introdução de golpes ligados e cinturados da luta grego-romano que ele aprendeu nas docas do cais da Bahia. Ele achava a Capoeira Angola sem muita criatividade por isso, começou a introduzir determinados golpes, mudando o nome de Angola para Regional, já que foi criada na região da Bahia. A capoeira regional é diferente na forma de jogar, pois o capoeirista fica mais em pé, o que não quer dizer que ele não vá ao chão; ele usa os movimentos em cima e em baixo dependendo da situação.

SONORIDADE DA CAPOEIRA (INSTRUMENTOS)
Segundo o que se tem escrito e o que se conseguiu apurar de capoeiristas antigos, o acompanhamento musical da capoeira desde os primórdios até nossos dias, já foi feito pelo berimbau, pandeiro, adufe, atabaque, ganzá ou réco-réco. Waldeloir Rego - 1968 - página 70.
BERIMBAU - Atualmente o principal instrumento musical da capoeira é o berimbau, o qual numa roda de jogo da capoeira pode funcionar sozinho sem os demais instrumentos. O berimbau não existiu somente em função da capoeira, era usado pelos afro-brasileiros em suas festas, sobretudo no samba de roda, como até hoje ainda se vê (Waldeloir Rego,1968 - pg. 71).
PANDEIRO - No Brasil, o pandeiro entrou por via portuguesa e já na primeira procissão que se realizou no Brasil, que foi a de Corpus Christi, na Bahia, a 13 de junho de 1549, virando hábito no Brasil o uso deste instrumento ao lado de outros.
ADUFE - É um pequeno pandeiro de formato quadrado e de proveniência mourisca, o termo é de origem árabe. (Waldeloir Régio,1968 pg. 71)
ATABAQUE - O termo atabaque é de origem árabe. O atabaque é um instrumento oriental muito antigo entre os persas e os árabes, porém divulgado na África. Embora os africanos já conhecessem o atabaque e até tenham vindo da África algumas espécies, creio que ao chegarem ao Brasil já encontrassem trazidos por mãos portuguesas para serem usados em festas e procissões religiosas em circunstâncias idênticas ao pandeiro e ao adufe (Waldeloir Régio - 1968 pg. 83)
GANZÁ OU RECO-RECO - O ganzá ou reco-reco conhecido na Bahia é feito de gomo de bambu. O ganzá ou reco-reco é bastante difundido no nordeste a ponto de ser freqüentemente cantado e recantado pelos trovadores.

REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA
De acordo com pesquisas feitas pelos trabalhos de capoeira da Associação Capoeira Martins a Capoeira foi regulamentada como esporte em novembro de 1972 pelo Conselho Nacional de Desportos passando a vigorar em janeiro de 1973, sendo Assessor de Capoeira da Confederação Brasileira de Pugilismo, o Mestre Damianor Mendonça, responsável pela criação da graduação na capoeira.

RECONHECIMENTO PELO SISTEMA EDUCACIONAL
Segundo apostila elaborada pelo Professor Nilo (UNISUAM), em 1978, na UFRJ, a capoeira entra no currículo do curso de Educação Física proposto pelo Professor Benedito Lemos Peixoto, o mesmo convidou o Mestre Gilberto Oscaranha, já formado em educação física, para ministrar aulas. Em 1992, a mesma passa a ser obrigatória em todas Universidades.

A GLOBALIZAÇÃO DA CAPOEIRA
Segundo Mestre Martins (José Carlos), este movimento teve início na década de setenta quando os primeiros Mestres de capoeira da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, viajaram para o exterior para mostrar a arte brasileira. Podemos citar Arthur Emídio, Djalma Bandeira, Leopoldina, Celso, Preguiça, Pantera, Beiçola (RJ), João Grande, João Pequeno, Acordeon, Canjiquinha, Moraes (Bahia), como alguns desses Mestres que ajudaram a divulgar e com isso abrir as portas para que hoje existam dezenas de países praticando e centenas de mestres de capoeira ganhando a vida e fazendo sucesso no exterior. Os encontros mundiais que são realizados no Rio de Janeiro mostram o sucesso da capoeira em todos os continentes.

O PAPEL DA CAPOEIRA NA PRÁTICA ESPORTIVA
De acordo com o Regulamento Técnico da Capoeira aprovado em 1972 foram elaboradas regras para competições de solo, dupla, conjunto e individual.Os campeonatos são organizados pelas Federações, Universidades (JUBS), Clubes, Associações, etc.. e permitem um congraçamento na área esportiva reunindo hoje centenas de adeptos da capoeira.

O PAPEL DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E O ENSINO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Na História do Brasil podemos citar vários momentos fundamentais na nossa história: desde as vindas dos primeiros negros africanos para nossa terra, como a criação dos quilombos, na Serra da Barriga em Alagoas. Também devemos destacar infelizmente o papel importante que tiveram os negros capoeiristas, que lutaram na Guerra do Paraguai em troca da carta de suas liberdades. Coelho Neto, Castro Alves, Barão do Rio Branco, Jorge Amado, e muitos escritores e nobres tiveram relevante papel na vida e na história dos negros brasileiros capoeiristas. Como também foi lastimável a queima de documentos referentes á negros feitos pelo então Ministro da Fazenda, Ruy Barbosa. O professor de educação física que se propõe a trabalhar com a capoeira na escola certamente terá que observar a ligação da capoeira com outras disciplinas. Através dessas disciplinas observaremos que o aluno terá melhor desenvolvimento. Assim nem os alunos nem professores de outras disciplinas verão mais educação física como apenas uma recreação. Pois a história do Brasil estuda que nossa origem vem dos negros vindos da África trazidos pelos portugueses. A geografia nos possibilita situar o povo brasileiro no espaço, com suas particularidades folclóricas.A língua portuguesa é rica em termos usados pelos negros africanos, principalmente na capoeira em que predomina muitos termos em dialeto africano, tais como o som do berimbau com a boca (onomatopéia), elipse ou corruptelo, que é o corte da palavra: Camarada..câmara.Regionalismo: neste caso prevalece a cultura popular. Ex. joga pra mim verMatemática - A própria ginga é um triângulo e a área do jogo da capoeira é um círculo com dimensões demarcadas.

CONCLUSÃO
O presente trabalho objetivou demonstrar uma discussão e reflexão sobre os fatos históricos da capoeira, em que ao longo dos séculos essa cultura vem se manifestando e se transformando consideravelmente pelas diversas formas de expressão e criatividade humana em uma reflexão voltada para o aspecto pedagógico e educativo nessa prática hoje é inserida como conteúdo da educação física escolar em que buscamos aferir todos os seus aspectos culturais e educacionais tendo em vista uma aceitação participativa dos educandos nas práticas da cultura corporal do movimento, no qual a mesma propõe através de sua prática.Portanto se faz necessário uma grande revisão em nossa educação, pois a capoeira nos dias de hoje é identificada como uma prática multicultural, vem sendo propagada e realizada de várias formas e por diversos tipos de pessoas, no qual seja, que em grande parte ela passou a ser praticada também como uma forma de lazer. Assim, temos que cultivar esta arte centenária nas escolas em todas as sua características culturais, filosóficas e religiosa, para que possamos continuar a enriquecendo a cultura de nosso país. A capoeira, nos dias de hoje, sofre um processo inverso em relação a outras atividades que foram implantadas na educação básica e posteriormente na educação superior como vimos no capítulo 2.6 que se refere ao "Reconhecimento pelo Sistema Educacional", com a introdução da capoeira em 1978 na UFRJ.Desde a fundação da Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro (1984) quando foi elaborado um projeto com o título Capoeira nas Escolas, de autoria dos Mestres Antonio Ben-vindo (Mestre Touro) e José Carlos Martins da Silva (Mestre Martins), não se tratou mais do assunto, sendo arquivado por anos pelas autoridades competentes. Seria de bom grado que o Ministério da Educação e Cultura através de suas Secretarias tornasse obrigatório na Educação Básica o ensino da prática da capoeira em todos os seus aspectos, tais como dança, folclore, defesa pessoal, ritmo, etc.. Também deveria haver mais publicações resgatando essa arte genuinamente brasileira.

A verdadeira história de Jesus e Madalena


Autora das “Memórias de Cleópatra” pesquisou em todas as fontes, aceitas ou não pela Igreja, para escrever o que considera a verdadeira história de Maria Madalena


Quem foi Maria Madalena? Uma prostituta arrependida? Uma deusa da Antiguidade? A esposa de Jesus, com quem se casou e teve filhos, no sul da França – como querem os teóricos da conspiração que afirmam ter sido Jesus não o filho de Deus, mas um homem comum, que sobreviveu ao martírio da cruz? Seria Maria Madalena – como propagado no livro “O Código Da Vinci” – realmente o pivô do maior segredo da Igreja Católica, guardado há séculos pelos sábios do Priorado de Sião – entre eles Leonardo Da Vinci, que a teria retratado ao lado de Jesus, na Santa Ceia?
“Maria Madalena” (Geração Editorial, 664 págs., R$ 47,00), romance de Margaret George – autora do bestseller mundial “As Memórias de Cleópatra” – está sendo relançado, depois de vender 15.000 exemplares, com nova capa e novo foco de interesse: afinal, a autora pretende contar, de forma romanceada, depois de pesquisar sete anos, “a verdadeira história de Jesus e Maria Madalena”, sobre a qual Dan Brown, o autor de “O Código Da Vinci”, despertou enorme curiosidade. O romance, alerta Margaret, é uma obra de ficção, mas todos os fatos históricos nele incluídos foram rigorosamente obtidos de documentos.

Antes de escrever seu romance – no qual, é claro, precisou criar novos personagens e novas tramas, estas sim, frutos da imaginação – Margaret George pesquisou todos os Evangelhos canônicos (aceitos pela Igreja Católica) e também os apócrifos (que a Igreja não aceita). Leu textos de apóstolos como Paulo. Leu todos os historiadores, principalmente romanos, do Século I, que se debruçaram sobre a época de Jesus, e muitos documentos que a Igreja Católica gostaria de esconder.
O resultado é fascinante: mesclando história, religião, mistério e grande arte, Margaret George escreveu um livro que prende o leitor da primeira à última página.
Cenas de amor com Jesus Cristo
“Não é fácil escrever uma cena de amor para Jesus”, anotou o The New York Times, sobre este novo romance da americana Margaret George, que os brasileiros já conhecem por “As Memórias de Cleópatra”, com mais de 100 mil exemplares vendidos em seus três volumes que somam 1300 páginas.

Margaret conta a história da mais controvertida das personagens bíblicas – durante muito tempo imaginou-se que fosse prostituta – e não hesita em reconstituir seu relacionamento com Jesus.
Em certo momento, Madalena atira-se nos braços de Jesus e pergunta ardorosamente porque ele, afinal, não pode amá-la como ela o ama. Ele responde que ela poderia ser, sim, a mulher da vida dele – não tivesse Deus lhe reservado outro destino. Madalena, naquele momento, não se conforma: prefere que Jesus abandone seu projeto para entregar-se a ela.

Sim, a Madalena de Margaret George é emocional, impetuosa, pecadora e bondosa. Jesus gostava dela. Nasceu em família abastada e, apaixonada por Jesus, deu-lhe apoio material para seu apostolado e evolveu-se de tal forma na construção do Cristianismo que acabou abandonando a família e caindo no mundo para divulgar as idéias da nova religião.

Como fizera com Mary Stuart, Henrique VIII, Cleópatra, Julio César e Marco Antonio, Margaret revela de novo grande competência para recriar grandes personagens, ao mesmo tempo em que reconstitui o ambiente em que viveram. Da culinária à filosofia, do vestuário à geografia, tudo parece perfeito. Margaret não apenas pesquisou a Bíblia, os Evangelhos, os livros históricos e todos os documentos possíveis: ela também visitou os locais por onde Madalena, Jesus e seus seguidores andaram.
A Deusa
Os livros gnósticos (que a Igreja Católica não aceita) revelaram que Maria Madalena, além de ser a discípula (ou apóstola) preferida de Jesus, possuía dons espirituais que Jesus respeitava e a tornaram especial e muito próxima a ele. Margaret George, no entanto, acha desnecessário, pela falta de evidências objetivas, afirmar-se com ênfase que ela e Jesus poderiam ter se casado.

Em nenhuma escritura, em nenhum documento se afirma que Jesus era casado. Sabe-se que era filho de José e Maria e que tinha irmãos”, diz Margaret George".

– Já o rótulo de prostituta, isso é coisa que não existia até o século VI, quando sua memória começou a ser, digamos, desconstruída por uma Igreja que não queria saber de mulheres. A imagem de Madalena só foi reconstruída pelo Vaticano em 1969.

Margaret George considera, porém, que “uma figura feminina divina é uma interessante perspectiva, porque, apesar do barulho causado pelos profetas bíblicos contra os rituais de "Astarte e a Rainha do Paraíso", o povo espera por uma Deusa e sente falta de uma metade feminina na cristandade”.

– A Deusa é uma personagem muito poderosa que se recusa a ser esquecida. Em meu livro eu quero, sim, relacionar Maria Madalena como o símbolo da Deusa que se encontrou e que foi esquecida. Maria por ela mesma é algumas vezes vista como uma versão cristã de deusa, o lado terreno representando sexualidade e prazer, enquanto a Virgem Maria representa o Etéreo. Na Antigüidade, a igreja tinha tido muitos problemas para lidar com a sexualidade, então qualquer figura feminina associada com isto tinha quer ser prostituta”.

Mas por quê a insistência em se imaginar Jesus e Madalena casados, mesmo sem documentos que o comprovem?

– Acredito que isso acontece em virtude do magnetismo pessoal de Jesus. Um crítico uma vez disse que a grande tentação de Cristo poderia ter sido as portas que o seu próprio charme abriria para ele. Todo o mundo o queria para jantar. Era pouco comum, para aquela época, um relacionamento tão próximo entre um homem e uma mulher, o relacionamento que havia entre Jesus e Madalena. Eles se relacionavam como iguais. Seria surpreendente se alguém tão humana e sozinha quanto Maria Madalena não se sentisse atraída por Jesus e não desejasse tê-lo sempre ao seu lado, como marido.

Permanece, portanto, o enigma. Margaret George não diz, mas, da mesma forma como não há documentos que afirmem ter sido Maria Madalena e Jesus casados, ou companheiros, também não existem documentos que assegurem o contrário. O próprio romance acaba deixando um mistério no ar: se casados não foram, algo poderia, sim, ter acontecido entre eles.

“Maria Madalena”, o romance, que em breve vai ser transformado em filme, a despeito disso, conta de forma clara e emocionante história de uma mulher em seu mais profundo desespero, na sua jornada pela fé e no contexto de sua época. Nesse sentido, explora temas de dedicação e libertação, a tensão entre o amor romântico e o amor de Deus e a necessidade do sofrimento e da perseguição como testes para a fé. Ela se divide entre sua crença na mensagem de Jesus e seu amor pela família, seu amor por Jesus como um homem e seu amor por ele como Deus. Esposa ou companheira de Jesus, prostituta, apóstola, Deusa, não importa: Maria Madalena foi uma das grandes mulheres do seu tempo.

Será que Jesus Cristo és um mito?



A teoria do mito de Cristo (também conhecido como Jesus mítico ou a hipótese da inexistência de Jesus) é a idéia de que Jesus de Nazaré não era uma pessoa histórica, mas sim um personagem fictício ou mitológico criado pela comunidade cristã primitiva . Alguns proponentes alegam que os eventos ou frases associados com a figura de Jesus no Novo Testamento podem ter sido elaborado a partir de uma ou mais pessoas que realmente existiram, mas que nenhum deles era em nenhum sentido o fundador do cristianismo. Praticamente todos os estudiosos envolvidos com a pesquisa do Jesus histórico acreditam que sua existência pode ser estabelecida usando documentos e outras evidências, embora a maioria sustenta que muito do material sobre ele no Novo Testamento não deve ser tomado ao pé da letra.
A história da teoria do mito de Cristo pode ser atribuída aos pensadores do Iluminismo francês Constantin-François Volney e Charles François Dupuis na década de 1790. Proponentes notáveis ​​incluem Bruno Bauer e Arthur Drews, no século 20 e mais recentemente, GA Wells, Alvar Ellegård e Robert M. Price. A idéia veio à atenção do público moderno através do trabalho de autores como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e o filósofo francês Michel Onfray.
Argumentos utilizados para apoiar a teoria enfatizam a ausência de referências existentes sobre a vida de Jesus e da escassez de referências não cristãs no século I. Alguns proponentes alegam que o cristianismo surgiu organicamente do judaísmo helenístico e baseia-se em paralelos do Jesus histórico e dos deuses gregos, egípcios entre outros, especialmente aqueles que possuem mitos sobre a morte e ressurreição.

A teoria do mito de Cristo (algumas vezes chamada o mito de Cristo, o mito de Jesus, ou hipótese de inexistência) é a afirmação de que Jesus de Nazaré não existiu como uma pessoa histórica, que o Jesus do cristianismo primitivo era a personificação de um ideal de salvador ou ser mítico, semelhantes em alguns aspectos a Krishna, Osíris e Mitra, a quem acontecimentos terrenos foram posteriormente anexados. Os defensores de uma origem mítica do cristianismo, por vezes, permitem que algum material dos evangelhos pode ter sido extraído de um pregador histórico ou pregadores, mas que estes indivíduos não foram em nenhum sentido "os fundadores do cristianismo", mas alegam que o cristianismo surgiu organicamente do judaísmo helenístico. Os defensores da teoria traçam a evolução do cristianismo através de uma compreensão conjectural da evolução da literatura do Novo Testamento e, portanto, dão primazia às epístolas sobre os evangelhos para determinar os pontos de vista dos primeiros cristãos. A pessoa de Jesus, de acordo com essa tese, seria o resultado de uma elaboração teológica posterior, com o objetivo de construir uma base concreta para assegurar a difusão de uma nova religião.
Segundo a teoria do mito de Cristo, o personagem de Jesus é, em parte, mítico ou imaginário. Quadro de Juan de Juanes, final do século XVI.
Estes argumentos são desenvolvidos ao longo de duas linhas complementares de argumentação:
  • por um lado, não há provas nem evidências arqueológicas que atestem a existência de Jesus de Nazaré: os textos cristãos não são confiáveis, e os textos não-cristãos são de autenticidade duvidosa ou podem ser um eco do discurso cristão;
  • em segundo lugar, da identificação de evidências que podem sugerir ser um mito ou ficção.
Todos relacionam de alguma forma a Igreja Católica e a religião judaica com a Astrologia e afirmam que criou-se o mito de Jesus para que as instituições religiosas pudessem ter poder social e econômico explorando o medo dos analfabetos ao inferno.
Os antecedentes da Teoria podem ser rastreados até os pensadores do Iluminismo francês Constantin-François Volney e Charles François Dupuis na década de 1790. O primeiro acadêmico a defender tal tese foi o historiador do século XIX e teólogo Bruno Bauer e os proponentes como Arthur Drews foram notáveis em estudos bíblicos durante o início do século XX. Autores como George Albert Wells, Robert M. Price e Earl Doherty recentemente repopularizaram a teoria entre o público leigo.

Defensores dessa teoria afirmam que houve grande influência das religiões dos povos com as quais os judeus conviviam, ou seja, egípcios, persas, gregos e romanos. Exemplos:
  • A história do salvador nascido de uma virgem e tentativas de matá-lo quando criança.
  • Sua morte e ressurreição (em vários casos, no terceiro dia).
  • Céu, inferno e juízo final (que não existiam no judaísmo original).
  • Petra, no mitraísmo e no “Livro dos Mortos” egípicio, era o guardião das chaves do céu. O mitraísmo também denominava Petra a um rochedo considerado sagrado.
  • A última ceia, frequentemente com uma bebida e um alimento que representavam o corpo e o sangue de Deus.
  • A estrela guia, elemento freqüente em lendas e mitologias antigas.
  • Nascimentos de forma virginal, mortes por meio de sacrifícios, sangue que "purifica" e abençoa, ressurreições, e sua herança o amor incondicional ao Criador de todas as coisas; amor que se manifesta amando as criaturas.
  •  O estudo de Jesus do ponto de vista mitográfico é a examinação das narrativas de Jesus, o Cristo (“o Ungido”) das escrituras, da teologia e do povo cristão como parte central da mitologia cristã. Tal estudo também pode envolver comparações entre crenças cristãs sobre Jesus e sobre outros deuses ou personagens mitológicos. A relevância do “mito” no estudo sobre Jesus e as Escrituras é normalmente rejeitado pelo sistema educacional moderno.
    Ao invés disso, o estudo de Jesus Cristo como um mito é popularmente associado a uma posição cética em relação ao “Jesus histórico”. Proponentes da teoria da origem mitológica do Cristianismo sugerem que uma parte dos evangelhos tenha sido criado por um ou mais pregadores históricos, mas que de nenhuma maneira esses pregadores tenham sido “fundadores do Cristianismo”; ao contrário, esses proponentes alegam que o cristianismo tenha surgido organicamente das culturas Helenística e Judaica. Contudo, o estudo dos paralelos entre as narrativas de Cristo e outras figuras mitológicas não prejudica o entendimento sobre o “Jesus histórico”, e este está aberto a várias interpretações.
  • A influência do Cristianismo nas religiões do Mistério (para Agostinho de Hipona)
  • A interpretação dos paralelos mitológicos como uma “imitação diabólica” de Cristo (para Justino Mártir)
  • A interpretação do mito pré-Cristão como um Urmonotheismus degradado
  • A interpretação da narrativa de Cristo como um “mito verdadeiro” (para C. S. Lewis)
  • A admissão de um Jesus histórico, que, no entanto, é de menor interesse para o Cristianismo do que para o Mito de Cristo (para Carl G. Jung)
  •  Ao lado, uma estátua de Ísis - a esposa e irmã de Osíris, cuidando de seu filho, Hórus – datada da dinastia egípcia Ptolomaica. "A iconografia de Hórus ou influenciou ou foi justamente apropriada na arte cristã primitiva. Ísis e o bebê Hórus podem ser vistos como os precursores para Maria e o menino Jesus”.
    O egiptólogo auto-didata Geral Massey argumentou em 1907 através de seu livro Ancient Egypt, the light of the world, que Hórus e Jesus compartilham as mesmas origem mitológicas. O teólogo W. Ward Gasque endereçou um e-mail a 20 renomados egiptólogos, incluindo o Professor Emérito de Egiptologia da Universidade de Liverpool, Kenneth Kitchen, e o Professor de Egiptologia da Universidade de Toronto, Ron Leprohan. Esse e-mail detalhou as comparações trazidas por Massey, porém os professores foram unânimes em desmentir quaisquer similaridades sugeridas.
    O egiptólogo E. A. Wallis Budge sugere possíveis conexões e paralelos na história da ressurreição de Osíris com a encontrada no Cristianismo. “Os egípcios como nós os conhecemos acreditavam que Osíris possuía uma origem divina, que ele havia sofrido mutilações e morrido nas mãos dos poderes do Mal e que, após grande esforço contra esse Mal, ele havia ressuscitado e se tornado, doravante, o rei do mundo inferior e juiz dos mortos – e já que ele havia conquistado a morte, os justos também o poderiam... Em Osíris, os Egípcios Cristãos encontraram o protótipo de Cristo, e nas pinturas e estátuas de Ísis amamentando seu filho Hórus, o ideal da Virgem Maria e seu filho”.
    O estudioso bíblico Bruce M. Metzger ressalta que no ciclo osiriano ele, Osíris, morre no 17º dia do mês de Athyr (aproximadamente entre 28 de Outubro e 26 de Novembro, nos calendários atuais) e revivifica no 19º dia, comparando isso à Cristo ter ressuscitado no “terceiro dia”, mas também pontua que “ressuscitação” é uma descrição questionável. Contudo, o proponente da teoria do Mito de Cristo, George Albert Wells, se refere a um relato do grego Plutarco e afirma que Osíris morreu e chorou no primeiro dia e que sua ressurreição é celebrada no terceiro dia com o grito alegre de “Osíris foi encontrado!”. Ele ainda acrescenta que a comparação que São Paulo fez da ressurreição corporal com o plantio e o crescimento de uma semente de milho (1 Coríntios 15:35-38) é baseada na antiga ideia egípcia de que uma figura de sementes germinando no leito de Osíris representa a ressurreição (figura ao lado).
     Plutarco e outros notaram que os ritos a Osíris eram “tristes, solenes e pesarosos” e que o grande festival do mistério, celebrado em duas fases, começou em Abydos no 17º dia do mês de Athyr (13 de Novembro), comemorando a morte do deus (data em que também se celebrava o plantio das sementes). A morte dos grãos e o falecimento do deus era uma coisa apenas: os cereais eram identificados como um deus que veio dos céus; ele era o pão pelo qual os homens sobreviviam. O festival anual envolvia a construção dos “Leitos de Osíris”, em forma do deus, preenchidos com terra e também sementes. A germinação das sementes simbolizava Osíris voltando dos morto (um exemplo antigo dessa figura foi encontrado na tumba do faraó Tutancâmon pelo arqueólogo Howard Carter).

    A primeira etapa do festival consistia em um drama público relatando o assassinato e o desmembramento de Osíris, a procura de seu corpo por Ísis, seu retorno triunfal quando ressuscita em forma de deus, e a batalha na qual Hórus derrota o deus Seth. Segundo Julius Firmicus Maternus, do século IV, essa peça era re-encenada todo ano por adoradores que “batiam seus peitos e esfaqueavam seus ombros... Quando eles fingiam que os restos mutilados do deus haviam sido encontrados eles mudavam do luto para o regozijo”. (De Errore Profanorum).
    A Paixão de Osíris também é refletida no seu nome ‘Wenennefer’ (“aquele que continua a ser perfeito”), o que inclui o seu poder pós-morte.
    O egiptólogo Erik Hornung observa que os Egípcios Cristãos continuaram a mumificar os mortos (uma parte substancial das antigas crenças osirianas) até que a prática finalmente terminou com a chegada do Islã, e defende uma associação entre a Paixão de Cristo e as tradições osirianas, particularmente nas escrituras apócrifas de Nicodemus e da descida de Jesus ao Hades. Ele conclui que se o Cristianismo rejeitou qualquer elemento pagão, o fez apenas em um nível superficial, e que o Cristianismo primitivo era “profundamente grato” ao Egito Antigo.
    David J. MacLeod acredita que a ressurreição de Osíris difere da de Jesus Cristo dizendo que
    “Talvez o único deus pagão de onde venha a ideia de ressurreição seja o Egípcio Osíris. (...) Osíris não “ressuscitou”; ele governou na Morada dos Mortos. Roland de Vaux escreveu que para se entender o significado de “Osíris sendo trazido à vida”, bastaram as ministrações de Ísis, e ele foi capaz de ter uma vida além-tumba que é quase uma réplica quase perfeita da sua correspondente terrena. Mas ele nunca voltou entre os vivos e reinou apenas sobre os mortos. Esse deus revivido é, na realidade, um “deus-múmia”... Não, o mumificado Osíris dificilmente foi uma inspiração para o ressuscitado Cristo... (...) Para atingir a imortalidade os Egípcios tinham que cumprir três condições: Primeiro, seu corpo tinha que ser preservado pela mumifação. Segundo, alimentos seriam providenciados pelas reais oferendas de pão e cerveja. Terceiro, magias seriam enterradas com a pessoa. Seu corpo não retornaria dos mortos; apenas poucos elementos de sua personalidade – seus Ba e Ka – é que continuariam pairando sobre seu corpo”.
     Algumas pessoas acreditam que a íntima relação maternal entre Ísis e Hórus apresentada nas imagens do Antigo Egito foram mais tarde incorporadas na iconografia cristã. Em particular, as figuras de Maria e Jesus em Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Nossa Senhora de Częstochowa dividem várias similaridades às representações egípcias primitivas entre Hórus e Ísis. O egiptólogo Erik Hornung escreveu que “havia uma analogia óbvia entre o bebê Hórus e o menino Jesus e o cuidado que eles receberam de duas sagradas mães; muito antes do Cristianismo, Ísis havia carregado o epíteto de ‘mãe de deus’”.

    De acordo com algumas fontes se referem a teoria da ressurreição no terceiro dia com um período de três dias em que o Sol se mantém no lugar mais baixo em 25 de dezembro e está no ponto mais alto (como se diz que Jesus esteve morto por três dias e então ressuscitou), mas de acordo com o relato bíblico Jesus morreu durante a Páscoa judaica. Afirmam que os deuses do Sol muito anteriores a Jesus como Horus, Átis, Krishna, Mitra, Dionísio, Buda, todos eles, têm como elemento vital a sua crença na ressurreição no terceiro dia após as suas mortes, também tiveram discípulos que os acompanharam, faziam milagres e nasceram de uma Virgem Imaculada em 25 de dezembro. Segundo os defensores dessa Teoria, algumas destas lendas podem ter sofrido influência direta da história de Jesus, já que os cultos coexistiram com o cristianismo primitivo, mas certamente a imensa maioria surgiu milhares de anos antes do nascimento do mesmo. Entretanto, muitos acrescentam mais similaridades nos deuses antigos por conta própria para criar mais semelhanças.
  • Tamuz: deus da Suméria e Fenícia, morreu com uma chaga no flanco e, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio com a pedra que o fechava a um lado. Belém era o centro do culto a Tamuz.
  • Hórus - 3000 a.C.:
    • Deus egípcio do Céu, do Sol e da Lua;
    • Nasceu de Isis, de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
    • Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
    • Ressuscitou um homem de nome EL-AZAR-US;
    • Um de seus títulos é "Krst" ou "Karast";
    • Lutou durante 40 dias no deserto contra as tentações de Set (divindade comparada a Satã);
    • Batizado com água por Anup;
    • Representado por uma cruz;
    • A trindade Atom (o pai), Hórus (o filho) e Rá (comparado ao Espírito Santo).
  • Mitra - séc. I a.C.:
    • Originalmente um deus persa, mas foi adotado pelos romanos e convertido em deus Sol;
    • Intermediário entre Ormuzd (Deus-Pai) e o homem;
    • Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
    • Nasceu de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
    • Pastores vieram adorá-lo, com presentes como ouro e incenso;
    • Viria livrar o mundo do seu irmão maligno, Ariman;
    • Era considerado um professor e um grande mestre viajante;
    • Era identificado com o leão e o cordeiro;
    • Seu dia sagrado era domingo ("Sunday"), "Dia do Sol", centenas de anos antes de Cristo;
    • Tinha sua festa no período que se tornou mais tarde a Páscoa cristã;
    • Teve doze companheiros ou discípulos;
    • Executava milagres;
    • Foi enterrado em um túmulo e após três dias levantou-se outra vez;
    • Sua ressurreição era comemorada cada ano.
  • Átis (Frígia / Roma) - 1200 a.C.:
    • Nasceu dia 25 de dezembro;
    • Nasceu de uma virgem;
    • Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
    • Ressuscitou no terceiro dia.
  • Buda - séc. V a.C.:
    • Sua missão de salvador do mundo foi profetizada quando ele ainda era um bebê;
    • Por volta dos 30 anos inicia sua vida espiritual;
    • Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal enquanto jejuava;
    • Caminhou sobre as águas (Anguttara Nikaya 3:60);
    • Ensinava por meio de parábolas, inclusive uma sobre um "filho pródigo";
    • A partir de um pão alimentou 500 discípulos, e ainda sobrou (Jataka);
    • Transfigurou-se em frente aos discípulos, com luz saindo de seu corpo;
    • Após sua morte, ressuscitou (apenas na tradição chinesa).
  • Baco / Dionísio - séc. II a.C.:
    • Deus grego-romano do vinho;
    • Nascido da virgem Sémele (que foi fecundada por Zeus);
    • Quando criança, quiseram matá-lo;
    • Fez milagres, como a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes;
    • Após a morte, ressuscitou;
    • Era chamado de "Filho pródigo" de Zeus.
  • Hércules - séc. II a.C.:
    • Nascido da virgem Alcmena, que foi fecundada por Zeus;
    • Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
    • Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal (Hera, a ciumenta esposa de Zeus);
    • A causadora de sua morte (sua esposa) se arrepende e se mata enforcada.
    • Estão presentes no momento de sua morte sua mãe e seu discípulo mais amado (Hylas);
    • Sua morte é acompanhada por um terremoto e um eclipse do Sol;
    • Após sua morte, ressuscitou, ascendendo aos céus.
  • Krishna - 3228 a.C.:
    • Trata-se de um avatar do Deus Vishnu – um avatar é como se fosse a personificação ou encarnação de um deus;
    • Nasceu no dia 25 de dezembro;
    • Nasceu de uma virgem, Devaki ("Divina");
    • Uma estrela avisou a sua chegada;
    • É a segunda pessoa da trindade;
    • Foi perseguido por um tirano que requisitou o massacre dos milhares dos infantes;
    • Fez milagres;
    • Em algumas tradições morreu em uma árvore;
    • Após morrer, ressuscitou.
Estas coincidências biográficas, segundo os defensores de "O Mito de Cristo", provam que os autores dos Evangelhos, ao escreverem as histórias de vida de Jesus, tomaram emprestados relatos e feitos de outros deuses antigos ou heróis.
 Embora Flávio Josefo, Tácito, Suetônio e outros historiadores antigos sejam frequentemente citados como evidência de um Jesus histórico, de acordo com estes autores as histórias são derivadas, não originais. Josefo, o mais antigo desses autores, nasceu, no mínimo, cinco anos após a suposta morte de Jesus. Não há nenhum testemunho direto dos fatos. Além disso, os antigos relatos não-cristãos de Jesus foram escritos quando o Cristianismo já era generalizado e alguns parágrafos dos livros de Josefo são questionados, supondo-se que foram mais tarde interpolações cristãs.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O mito de narciso


Narciso era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope, e era um jovem de extrema beleza. Porém, à despeito da cobiça que despertava nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecedora do seu amor. E foi justamente este desprezo que devotava às jovens a sua perdição.Pois havia uma bela ninfa, Eco, amante dos bosques e dos montes, companheira favorita de Diana em suas caçadas. Mas Eco tinha um grande defeito: falava demais, e tinha o costume de dar sempre a última palavra em qualquer conversa da qual participava.Um dia Hera, desconfiada - com razão - que seu marido estava divertindo-se com as ninfas, saiu em sua procura. Eco usou sua conversa para entreter a deusa enquanto suas amigas ninfas se escondiam. Hera, percebendo a artimanha da ninfa, condenou-a a não mais poder falar uma só palavra por sua iniciativa, a não ser responder quando interpelada.Assim a ninfa passeava por um bosque quando viu Narciso que perseguia a caça pela montanha. Como era belo o jovem, e como era forte a paixão que a assaltou! Seguiu-lhe os passos e quis dirigir-lhe a palavra, falar o quanto ela o queria... Mas não era possível - era preciso esperar que ele falasse primeiro para então responder-lhe. Distraída pelos seus pensamentos, não percebeu que o jovem dela se aproximara. Tentou se esconder rapidamente, mas Narciso ouviu o barulho e caminhou em sua direção:- Há alguém aqui?- Aqui! - respondeu Eco.Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Queria saber quem estava se escondendo dele, e quem era a dona daquela voz tão bonita.- Vem - gritou.- Vem! - respondeu Eco.- Por que foges de mim?- Por que foges de mim?- Eu não fujo! Vem, vamos nos juntar!- Juntar! - a donzela não podia conter sua felicidade ao correr em direção do amado que fizera tal convite.Narciso, vendo a ninfa que corria em sua direção, gritou:- Afasta-te! Prefiro morrer do que te deixar me possuir!- Me possuir... - disse Eco.Foi terrível o que se passou. Narciso fugiu, e a ninfa, envergonhada, correu para se esconder no recesso dos bosques. Daquele dia em diante, passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. Evitava o contato com os outros seres, e não se alimentava mais. Com o pesar, seu corpo foi definhando, até que suas carnes desapareceram completamente. Seus ossos se transformaram em rocha. Nada restou além da sua voz. Eco, porém, continua a responder a todos que a chamem, e conserva seu costume de dizer sempre a última palavra.Não foi em vão o sofrimento da ninfa, pois do alto, do Olimpo, Nêmesis vira tudo o que se passou. Como punição, condenou Narciso a um triste fim, que não demorou muito a ocorrer.Havia, não muito longe dali, uma fonte clara, de águas como prata. Os pastores não levavam para lá seu rebanho, nem cabras ou qualquer outro animal a freqüentava. Não era tampouco enfeada por folhas ou por galhos caídos de árvores. Era linda, cercada de uma relva viçosa, e abrigada do sol por rochedos que a cercavam. Ali chegou um dia Narciso, fatigado da caça, e sentindo muito calor e muita sede.Narciso debruçou sobre a fonte para banhar-se e viu, surpreso, uma bela figura que o olhava de dentro da fonte. "Com certeza é algum espírito das águas que habita esta fonte. E como é belo!", disse, admirando os olhos brilhantes, os cabelos anelados como os de Apolo, o rosto oval e o pescoço de marfim do ser. Apaixonou-se pelo aspecto saudável e pela beleza daquele ser que, de dentro da fonte, retribuía o seu olhar.Não podia mais se conter. Baixou o rosto para beijar o ser, e enfiou os braços na fonte para abraça-lo. Porém, ao contato de seus braços com a água da fonte, o ser sumiu para voltar depois de alguns instantes, tão belo quanto antes.- Porque me desprezas, bela criatura? E por que foges ao meu contato? Meu rosto não deve causar-te repulsa, pois as ninfas me amam, e tu mesmo não me olhas com indiferença. Quando sorrio, também tu sorris, e responde com acenos aos meus acenos. Mas quando estendo os braços, fazes o mesmo para então sumires ao meu contato.Suas lágrimas caíram na água, turvando a imagem. E, ao vê-la partir, Narciso exclamou:- Fica, peço-te, fica! Se não posso tocar-te, deixe-me pelo menos admirar-te.Assim Narciso ficou por dias a admirar sua própria imagem na fonte, esquecido de alimento e de água, seu corpo definhando. As cores e o vigor deixaram seu corpo, e quando ele gritava "Ai, ai", Eco respondia com as mesmas palavras. Assim o jovem morreu.As ninfas choraram seu triste destino. Prepararam uma pira funerária e teriam cremado seu corpo se o tivessem encontrado. No lugar onde faleceu, entretanto, as ninfas encontraram apenas uma flor roxa, rodeada de folhas brancas. E, em memória do jovem Narciso, aquela flor passou a ser conhecida pelo seu nome.

Dizem ainda, que quando a sombra de Narciso atravessou o rio Estige, em direção ao Hades, ela debruçou-se sobre suas águas para contemplar sua figura.

Contradições dos evangelicos


saopaulo.jpgMateus e Marcos afirmam enfaticamente que os discípulos de Jesus abandonaram tudo para seguí-lo, sem sequer perguntar antes quem ele era. Em Mateus, lê-se que Jesus teria afirmado que não viera para abolir as leis de Moisés. Contudo, esta seria uma afirmativa sem sentido algum, visto que hoje sabemos que os livros atribuídos a Moisés são apócrifos. Segundo João, quando Jesus falou ao povo, foi por este acatado e proclamado rei de Israel aos gritos de “Hosanna”. Mas, um pouco adiante, ele se contradiz, afirmando que o povo não acreditou em Jesus, e praguejando contra ele, o ameaçava a ponto de ele ter procurado se esconder.
Mateus diz que Jesus entrou em Jerusalém vitoriosamente quando a multidão o teria recebido de modo festivo, e marchando com ele, cobria o chão com folhas, flores e com os próprios mantos, gritando: “Hosanna ao Filho de David! Bendito seja o que vem em nome do Senhor!” Aos que perguntavam quem era, respondiam “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia”. No entanto, outros evangelistas afirmam que ele era um desconhecido em Jerusalém. Disseram que Pilatos estava convencido da inocência de Jesus, razão pela qual teria tentado salvá-lo, o abandonando logo em seguida, indefeso e moralmente arrasado.
João faz supor que Pilatos teria deixado que matassem Jesus, temendo que denunciassem sua parcialidade ao imperador. Se ele não castigasse a um insurreto que se intitulava rei dos judeus, estaria traindo a César. No entanto, tal atitude por parte de Pilatos não combina com o seu retrato moral, pintado por Filon. Era um homem duro e tão desumano quanto Tibério.
A vida de mais um ou menos um judeu, para ambos, era coisa da pouca importância. Filon faz de Pilatos um carrasco e mostra que ele, em Jerusalém, agia com carta branca. Além disso, as reações de Pilatos com Tibério eram quase fraternais e ele era um delegado de absoluta confiança do imperador. Mas como os Evangelhos foram compostos dentro dos muros de Roma, teriam de ser de modo a não desagradar às autoridades Imperiais. Pilatos foi posto nisso apenas porque os bens e a vida dos judeus estavam sob sua custódia. Entretanto, como a ocupação romana foi feita em defesa dos judeus ricos, contra os judeus pobres e os renegados do deserto, as autoridades romanas temiam muito mais ao povo do que a Roma.
Além disso, muitas eram as razões para não gostarem de Pilatos nem de Herodes Antipas. Eles eram antipáticos aos judeus pobres, por isso teriam temido a ira popular. Esta é a razão apresentada pelos historiadores que levam a sério os Evangelhos, justificando assim o perdão do criminoso Bar Abbas e a condenação do inocente Jesus. Entretanto, se as legiões romanas realmente ali estivessem naquela época, nem Pilatos nem Herodes tomariam em consideração a opinião do povo, porque se sentiriam garantidos nos seus postos. Além disso, a opinião popular é fator ainda bem novo na técnica de formação dos governos. Tudo o que sabemos é o que está nos Evangelhos. Jesus era um homem do povo e um dos que temiam o governo.
Por isso é que em Marcos 16:7 encontraremos Jesus aconselhando os discípulos a fugirem. Em Lucas 10:4 Jesus está aconselhando aos discípulos a não falarem com ninguém em suas viagens. Em Mateus 35:23 encontraremos Jesus reprovando os judeus que haviam assassinado Zacarias, filho de Baraquias, entre o adro do templo e o altar. A história, no entanto, afirma ser esse episódio imaginário.
Flávio Josefo relata um acontecimento semelhante, registrado no ano 67, 34 anos após a pretensa morte de Jesus, referindo-se no caso a um homem chamado Baruch. Isto evidencia o descuido dos compiladores dos Evangelhos, que os compuseram sem levar em conta que, no futuro, as contradições neles encontradas seriam a prova da inautenticidade dos fatos relatados. Nicodemos, que teria sido um fariseu rico, membro de Senedrin, homem de costumes moderados e de boa fé, não se fez cristão, apesar de ter agido em defesa de Jesus contra os próprios judeus. Por certo ele, como João Batista, não se convenceram da pretensa divindade de Jesus Cristo, nem mesmo se entusiasmaram com suas pregações.
Outra ficção evangélica é debitada a Paulo, o qual inventou um Apolo, que não figura entre os apóstolos e em nenhum outro relato. Em Atos dos Apóstolos 18, lê-se: “Veio de Éfeso um judeu de nome Apolo, de Alexandria, homem eloqüente e muito instruido nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor, falando com fervor de espírito, ensinando com diligência o que era de Jesus, e somente conhecia João Batista. Com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando-lhes pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”. Seria um judeu fiel ao judaísmo que, segundo Paulo, procurava levar seus próprios patrícios para o Cristo? Na epístola I aos Coríntios, diz que: “Apolo era igual a Jesus”.
Paulo, já no fim do seu apostolado, afirma que o imperador Agripa era um fariseu convicto, e que sua religião era a melhor que então existia. Era, assim, um divulgador do cristianismo afirmando a excelência do farisaísmo. Falando de Jesus, Paulo descreve apenas um personagem teológico e não histórico. Não se refere ao pai nem à mãe de Jesus, sendo um ser fantástico, uma encarnação da divindade que viera cumprir um sacrifício expiatório, mas não fala do modo como teria sido possível a encarnação. Não diz sequer a data em que Jesus teria nascido. Não relata como nem quando foi crucificado. No entanto, estes dados têm muita importância para definir Jesus como homem ou como um ser sobrenatural. Está patente, desse modo, que Paulo é uma figura tão mitológica quanto o próprio Jesus.
Em Atos dos Apóstolos 28:15 e 45 Paulo diz que quando chegou a Pozzuoli, ele e os seus companheiros foram ali bem recebidos, havendo muita gente à beira da estrada os esperando. Entretanto, chegando a Roma, teve de defender-se das acusações de haver ofendido em Jerusalém ao povo e aos ritos romanos. NaEpístola aos Romanos 1:8, Paulo diz que a fé dos cristãos de Roma alcançara todo o mundo, razão pela qual encerraria sua missão tão logo regressasse da Espanha, onde saudaria um grande número de fiéis.
Mas, se fosse assim, por que Paulo teve de se defender perante os cristãos de Roma contra o seu próprio judaísmo? Com pouco tempo Paulo já pensava encerrar sua missão porque o cristianismo já havia se universalizado. Entretanto, ele continuava considerando como melhor religião o farisaísmo. O cristianismo a que Paulo se referia deveria ser anterior a Jesus Cristo, que era o seguido pelos cristãos de Roma, e não pelos cristãos dos lugares por onde Paulo havia passado pregando. Eusébio disse que o cristianismo de Paulo era o terapeuta do Egito, e Tácito disse que os hebreus e os egípcios formavam uma só superstição.