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domingo, 31 de março de 2013

História da Capoeira


GINGANDO COM A HISTÓRIA
Autora: MESTRA SIOMARA SILVA DE SOUZA
Imagem de Debret
TCC apresentado ao Curso de Educação Física da UNISUAM, como parte requisitos para obtenção dos Títulos de Licenciado em Educação Física.

A ORIGEM DA CAPOEIRA
Quanto à origem, discutiu-se muito sobre duas fortes hipóteses: uma afirmava que a capoeira tinha vindo para o Brasil trazido pelos escravos, e a outra considerava a capoeira como uma invenção dos escravos no Brasil.Hoje a hipótese aceita por quase todos os estudiosos é de que a capoeira surgiu no Brasil como instrumento de luta pela liberdade. Os movimentos das danças e rituais tribais dos negros africanos formaram o seu substrato estético-gestual.Segundo Brito (Mestre Suíno), (1997), a resistência dos quilombos no litoral nordeste do Brasil ilustrou uma das mais significantes paginas da capoeira no século XVII, quando se verificaram as invasões holandesas, aproveitando-se da confusão que se estabelecera., milhares de escravos começaram a fugir de seus senhores. Todo negro que se tornava hábil na prática da capoeira sentia-se preparado para, na primeira oportunidade, desforrar-se dos feitores. Quando os negros não eram mortos, fugiam para as matas e formavam os quilombos, seus refúgios. Historicamente, o mais famoso foi o Quilombo dos Palmares, situado na Serra da Barriga, em Alagoas.Com a extinção dos Palmares e a abolição da escravatura, a capoeiragem saiu das capoeira, já agora nitidamente como recurso de ataque e defesa, e nela foram os homens se exercitando, recebendo ensinamentos daqueles que a tinham visto e praticado. Nas cidades, principalmente no Rio de Janeiro e Salvador, os adeptos da capoeira se tornaram notáveis por suas façanhas, criando assim uma emulação inevitável e nem sempre positiva. Começa aí a proliferação da capoeira enquanto atividade associada á vadiagem.O século XIX assinalou o apogeu da capoeira. As forças políticas muito contribuíram para uma grande penetração da capoeira e o seu desvirtuamento, principalmente após a proclamação da República, quando surgiram os interesses eleitorais.

O TERMO CAPOEIRA
O vocábulo capoeira foi registrado pela primeira vez em 1712 por Rafael Bluteau, seguido por Melo Moraes em 1813. Após isso entrou no terreno da polêmica e da investigação etimológica.A primeira proposição foi a de José de Alencar que propôs para o vocabulário "capoeira", o tupi "caa-apuam -era" traduzido por ilha de mato já cortado. Macedo Soares, opina que provém do Guarani ’’caa-puê-ra (mato miúdo, nascido em lugar onde existiu mata virgem). Antenor Nascente, liga o jogo da capoeira a uma ave chamada capoeira (odontophorus capuera spix), os passos da luta da ave macho para defender seus domínios, foram comparados com os da capoeira. Brasil Gerson aventou que o nome vem dos cestos para guardar capões, chamados capoeira, o nome dos cestos passou para os escravos que os transportavam e folgavam-se jogando capoeira no mercado. A maioria dos estudiosos da capoeira acredita que o vocábulo teria vindo mesmo do Guarani Caápuêra. J. Barbosa Rodrigues, no século passado, propôs em seu livro PARANDUBA AMAZONENSE, a forma Caappoêra, já para Visconde de Porto Seguro, o termo é Capôera. A evolução natural da palavra foi "Capoeira".

PROIBIÇÃO E A LIBERAÇÃO DA CAPOEIRA
Proclamada a República, inicia-se uma nova fase de perseguição á capoeira. O Decreto 487 do Código Penal Brasileiro, de 11 de outubro de 1890 estabelecia no capítulo XIII, que trata dos "Vadios e Capoeiras": Proibida a prática da capoeiragem sob penas de prisão Celular.O início do século XX caracterizou-se como o recrudescimento da capoeiragem; os novos interesses políticos em jogo muito concorriam para que os principais capoeiras se tornassem cabos eleitorais, capangas ou secretários de grandes figurões.Por volta de 1932, no Engenho Velho de brotas, um homem nascido em Salvador em 23/11/1900, e falecido em Goiânia em 05/02/74, foi o grande pioneiro da oficialização, pelo governo, da primeira academia de capoeira. Em 1935 a capoeira deixou de constar como arte proibida com a queda do Decreto de 11 de outubro de 1890.Posteriormente, em l937, a então Secretaria da Educação conseguia um registro oficial que qualificava seu curso de capoeira como Curso de Educação Física. Trata-se de Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre Bimba. Em 26 de dezembro de 1972 a capoeira foi homologada pelo Ministério da Educação e Cultura como modalidade desportiva. (Mestre Suíno - Goiás - 1997).

ESTILOS DE CAPOEIRA (ANGOLA E REGIONAL)
Capoeira Angola - A prática de capoeira Angola exerceu na personalidade de Mestre Pastinha um irresistível fascínio que o transformou num verdadeiro predestinado para o ensino desta modalidade esportiva que praticada em obediência a seus ensinamentos pode contribuir, poderosamente para o equilíbrio físico-técnico do homem.Vicente Ferreira Pastinha é o seu nome de batismo. (Mestre Pastinha - pg. 7 1988). Segundo Mestre Suíno, 1997 página l2, a Capoeira Angola é considerada a Capoeira Mãe. O nome Capoeira Angola surgiu logo após a criação da Capoeira Regional, até então o nome usado na época era apenas capoeira ou capoeiragem. Com a criação da Regional houve necessidade de dar o nome a outra já existente. Este nome surgiu porque a maioria dos mestres de capoeira angola acredita que foram os escravos oriundos de Angola que criaram a capoeira. A capoeira angola não possui um criador e sim muitos referenciais. O mais expressivo foi Mestre Pastinha.Capoeira Regional - Segundo Mestre Santana (1985 pg. 81 e 82), a Regional foi desenvolvida pelo imortal Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba), com a introdução de golpes ligados e cinturados da luta grego-romano que ele aprendeu nas docas do cais da Bahia. Ele achava a Capoeira Angola sem muita criatividade por isso, começou a introduzir determinados golpes, mudando o nome de Angola para Regional, já que foi criada na região da Bahia. A capoeira regional é diferente na forma de jogar, pois o capoeirista fica mais em pé, o que não quer dizer que ele não vá ao chão; ele usa os movimentos em cima e em baixo dependendo da situação.

SONORIDADE DA CAPOEIRA (INSTRUMENTOS)
Segundo o que se tem escrito e o que se conseguiu apurar de capoeiristas antigos, o acompanhamento musical da capoeira desde os primórdios até nossos dias, já foi feito pelo berimbau, pandeiro, adufe, atabaque, ganzá ou réco-réco. Waldeloir Rego - 1968 - página 70.
BERIMBAU - Atualmente o principal instrumento musical da capoeira é o berimbau, o qual numa roda de jogo da capoeira pode funcionar sozinho sem os demais instrumentos. O berimbau não existiu somente em função da capoeira, era usado pelos afro-brasileiros em suas festas, sobretudo no samba de roda, como até hoje ainda se vê (Waldeloir Rego,1968 - pg. 71).
PANDEIRO - No Brasil, o pandeiro entrou por via portuguesa e já na primeira procissão que se realizou no Brasil, que foi a de Corpus Christi, na Bahia, a 13 de junho de 1549, virando hábito no Brasil o uso deste instrumento ao lado de outros.
ADUFE - É um pequeno pandeiro de formato quadrado e de proveniência mourisca, o termo é de origem árabe. (Waldeloir Régio,1968 pg. 71)
ATABAQUE - O termo atabaque é de origem árabe. O atabaque é um instrumento oriental muito antigo entre os persas e os árabes, porém divulgado na África. Embora os africanos já conhecessem o atabaque e até tenham vindo da África algumas espécies, creio que ao chegarem ao Brasil já encontrassem trazidos por mãos portuguesas para serem usados em festas e procissões religiosas em circunstâncias idênticas ao pandeiro e ao adufe (Waldeloir Régio - 1968 pg. 83)
GANZÁ OU RECO-RECO - O ganzá ou reco-reco conhecido na Bahia é feito de gomo de bambu. O ganzá ou reco-reco é bastante difundido no nordeste a ponto de ser freqüentemente cantado e recantado pelos trovadores.

REGULAMENTAÇÃO DA CAPOEIRA
De acordo com pesquisas feitas pelos trabalhos de capoeira da Associação Capoeira Martins a Capoeira foi regulamentada como esporte em novembro de 1972 pelo Conselho Nacional de Desportos passando a vigorar em janeiro de 1973, sendo Assessor de Capoeira da Confederação Brasileira de Pugilismo, o Mestre Damianor Mendonça, responsável pela criação da graduação na capoeira.

RECONHECIMENTO PELO SISTEMA EDUCACIONAL
Segundo apostila elaborada pelo Professor Nilo (UNISUAM), em 1978, na UFRJ, a capoeira entra no currículo do curso de Educação Física proposto pelo Professor Benedito Lemos Peixoto, o mesmo convidou o Mestre Gilberto Oscaranha, já formado em educação física, para ministrar aulas. Em 1992, a mesma passa a ser obrigatória em todas Universidades.

A GLOBALIZAÇÃO DA CAPOEIRA
Segundo Mestre Martins (José Carlos), este movimento teve início na década de setenta quando os primeiros Mestres de capoeira da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, viajaram para o exterior para mostrar a arte brasileira. Podemos citar Arthur Emídio, Djalma Bandeira, Leopoldina, Celso, Preguiça, Pantera, Beiçola (RJ), João Grande, João Pequeno, Acordeon, Canjiquinha, Moraes (Bahia), como alguns desses Mestres que ajudaram a divulgar e com isso abrir as portas para que hoje existam dezenas de países praticando e centenas de mestres de capoeira ganhando a vida e fazendo sucesso no exterior. Os encontros mundiais que são realizados no Rio de Janeiro mostram o sucesso da capoeira em todos os continentes.

O PAPEL DA CAPOEIRA NA PRÁTICA ESPORTIVA
De acordo com o Regulamento Técnico da Capoeira aprovado em 1972 foram elaboradas regras para competições de solo, dupla, conjunto e individual.Os campeonatos são organizados pelas Federações, Universidades (JUBS), Clubes, Associações, etc.. e permitem um congraçamento na área esportiva reunindo hoje centenas de adeptos da capoeira.

O PAPEL DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E O ENSINO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Na História do Brasil podemos citar vários momentos fundamentais na nossa história: desde as vindas dos primeiros negros africanos para nossa terra, como a criação dos quilombos, na Serra da Barriga em Alagoas. Também devemos destacar infelizmente o papel importante que tiveram os negros capoeiristas, que lutaram na Guerra do Paraguai em troca da carta de suas liberdades. Coelho Neto, Castro Alves, Barão do Rio Branco, Jorge Amado, e muitos escritores e nobres tiveram relevante papel na vida e na história dos negros brasileiros capoeiristas. Como também foi lastimável a queima de documentos referentes á negros feitos pelo então Ministro da Fazenda, Ruy Barbosa. O professor de educação física que se propõe a trabalhar com a capoeira na escola certamente terá que observar a ligação da capoeira com outras disciplinas. Através dessas disciplinas observaremos que o aluno terá melhor desenvolvimento. Assim nem os alunos nem professores de outras disciplinas verão mais educação física como apenas uma recreação. Pois a história do Brasil estuda que nossa origem vem dos negros vindos da África trazidos pelos portugueses. A geografia nos possibilita situar o povo brasileiro no espaço, com suas particularidades folclóricas.A língua portuguesa é rica em termos usados pelos negros africanos, principalmente na capoeira em que predomina muitos termos em dialeto africano, tais como o som do berimbau com a boca (onomatopéia), elipse ou corruptelo, que é o corte da palavra: Camarada..câmara.Regionalismo: neste caso prevalece a cultura popular. Ex. joga pra mim verMatemática - A própria ginga é um triângulo e a área do jogo da capoeira é um círculo com dimensões demarcadas.

CONCLUSÃO
O presente trabalho objetivou demonstrar uma discussão e reflexão sobre os fatos históricos da capoeira, em que ao longo dos séculos essa cultura vem se manifestando e se transformando consideravelmente pelas diversas formas de expressão e criatividade humana em uma reflexão voltada para o aspecto pedagógico e educativo nessa prática hoje é inserida como conteúdo da educação física escolar em que buscamos aferir todos os seus aspectos culturais e educacionais tendo em vista uma aceitação participativa dos educandos nas práticas da cultura corporal do movimento, no qual a mesma propõe através de sua prática.Portanto se faz necessário uma grande revisão em nossa educação, pois a capoeira nos dias de hoje é identificada como uma prática multicultural, vem sendo propagada e realizada de várias formas e por diversos tipos de pessoas, no qual seja, que em grande parte ela passou a ser praticada também como uma forma de lazer. Assim, temos que cultivar esta arte centenária nas escolas em todas as sua características culturais, filosóficas e religiosa, para que possamos continuar a enriquecendo a cultura de nosso país. A capoeira, nos dias de hoje, sofre um processo inverso em relação a outras atividades que foram implantadas na educação básica e posteriormente na educação superior como vimos no capítulo 2.6 que se refere ao "Reconhecimento pelo Sistema Educacional", com a introdução da capoeira em 1978 na UFRJ.Desde a fundação da Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro (1984) quando foi elaborado um projeto com o título Capoeira nas Escolas, de autoria dos Mestres Antonio Ben-vindo (Mestre Touro) e José Carlos Martins da Silva (Mestre Martins), não se tratou mais do assunto, sendo arquivado por anos pelas autoridades competentes. Seria de bom grado que o Ministério da Educação e Cultura através de suas Secretarias tornasse obrigatório na Educação Básica o ensino da prática da capoeira em todos os seus aspectos, tais como dança, folclore, defesa pessoal, ritmo, etc.. Também deveria haver mais publicações resgatando essa arte genuinamente brasileira.

A verdadeira história de Jesus e Madalena


Autora das “Memórias de Cleópatra” pesquisou em todas as fontes, aceitas ou não pela Igreja, para escrever o que considera a verdadeira história de Maria Madalena


Quem foi Maria Madalena? Uma prostituta arrependida? Uma deusa da Antiguidade? A esposa de Jesus, com quem se casou e teve filhos, no sul da França – como querem os teóricos da conspiração que afirmam ter sido Jesus não o filho de Deus, mas um homem comum, que sobreviveu ao martírio da cruz? Seria Maria Madalena – como propagado no livro “O Código Da Vinci” – realmente o pivô do maior segredo da Igreja Católica, guardado há séculos pelos sábios do Priorado de Sião – entre eles Leonardo Da Vinci, que a teria retratado ao lado de Jesus, na Santa Ceia?
“Maria Madalena” (Geração Editorial, 664 págs., R$ 47,00), romance de Margaret George – autora do bestseller mundial “As Memórias de Cleópatra” – está sendo relançado, depois de vender 15.000 exemplares, com nova capa e novo foco de interesse: afinal, a autora pretende contar, de forma romanceada, depois de pesquisar sete anos, “a verdadeira história de Jesus e Maria Madalena”, sobre a qual Dan Brown, o autor de “O Código Da Vinci”, despertou enorme curiosidade. O romance, alerta Margaret, é uma obra de ficção, mas todos os fatos históricos nele incluídos foram rigorosamente obtidos de documentos.

Antes de escrever seu romance – no qual, é claro, precisou criar novos personagens e novas tramas, estas sim, frutos da imaginação – Margaret George pesquisou todos os Evangelhos canônicos (aceitos pela Igreja Católica) e também os apócrifos (que a Igreja não aceita). Leu textos de apóstolos como Paulo. Leu todos os historiadores, principalmente romanos, do Século I, que se debruçaram sobre a época de Jesus, e muitos documentos que a Igreja Católica gostaria de esconder.
O resultado é fascinante: mesclando história, religião, mistério e grande arte, Margaret George escreveu um livro que prende o leitor da primeira à última página.
Cenas de amor com Jesus Cristo
“Não é fácil escrever uma cena de amor para Jesus”, anotou o The New York Times, sobre este novo romance da americana Margaret George, que os brasileiros já conhecem por “As Memórias de Cleópatra”, com mais de 100 mil exemplares vendidos em seus três volumes que somam 1300 páginas.

Margaret conta a história da mais controvertida das personagens bíblicas – durante muito tempo imaginou-se que fosse prostituta – e não hesita em reconstituir seu relacionamento com Jesus.
Em certo momento, Madalena atira-se nos braços de Jesus e pergunta ardorosamente porque ele, afinal, não pode amá-la como ela o ama. Ele responde que ela poderia ser, sim, a mulher da vida dele – não tivesse Deus lhe reservado outro destino. Madalena, naquele momento, não se conforma: prefere que Jesus abandone seu projeto para entregar-se a ela.

Sim, a Madalena de Margaret George é emocional, impetuosa, pecadora e bondosa. Jesus gostava dela. Nasceu em família abastada e, apaixonada por Jesus, deu-lhe apoio material para seu apostolado e evolveu-se de tal forma na construção do Cristianismo que acabou abandonando a família e caindo no mundo para divulgar as idéias da nova religião.

Como fizera com Mary Stuart, Henrique VIII, Cleópatra, Julio César e Marco Antonio, Margaret revela de novo grande competência para recriar grandes personagens, ao mesmo tempo em que reconstitui o ambiente em que viveram. Da culinária à filosofia, do vestuário à geografia, tudo parece perfeito. Margaret não apenas pesquisou a Bíblia, os Evangelhos, os livros históricos e todos os documentos possíveis: ela também visitou os locais por onde Madalena, Jesus e seus seguidores andaram.
A Deusa
Os livros gnósticos (que a Igreja Católica não aceita) revelaram que Maria Madalena, além de ser a discípula (ou apóstola) preferida de Jesus, possuía dons espirituais que Jesus respeitava e a tornaram especial e muito próxima a ele. Margaret George, no entanto, acha desnecessário, pela falta de evidências objetivas, afirmar-se com ênfase que ela e Jesus poderiam ter se casado.

Em nenhuma escritura, em nenhum documento se afirma que Jesus era casado. Sabe-se que era filho de José e Maria e que tinha irmãos”, diz Margaret George".

– Já o rótulo de prostituta, isso é coisa que não existia até o século VI, quando sua memória começou a ser, digamos, desconstruída por uma Igreja que não queria saber de mulheres. A imagem de Madalena só foi reconstruída pelo Vaticano em 1969.

Margaret George considera, porém, que “uma figura feminina divina é uma interessante perspectiva, porque, apesar do barulho causado pelos profetas bíblicos contra os rituais de "Astarte e a Rainha do Paraíso", o povo espera por uma Deusa e sente falta de uma metade feminina na cristandade”.

– A Deusa é uma personagem muito poderosa que se recusa a ser esquecida. Em meu livro eu quero, sim, relacionar Maria Madalena como o símbolo da Deusa que se encontrou e que foi esquecida. Maria por ela mesma é algumas vezes vista como uma versão cristã de deusa, o lado terreno representando sexualidade e prazer, enquanto a Virgem Maria representa o Etéreo. Na Antigüidade, a igreja tinha tido muitos problemas para lidar com a sexualidade, então qualquer figura feminina associada com isto tinha quer ser prostituta”.

Mas por quê a insistência em se imaginar Jesus e Madalena casados, mesmo sem documentos que o comprovem?

– Acredito que isso acontece em virtude do magnetismo pessoal de Jesus. Um crítico uma vez disse que a grande tentação de Cristo poderia ter sido as portas que o seu próprio charme abriria para ele. Todo o mundo o queria para jantar. Era pouco comum, para aquela época, um relacionamento tão próximo entre um homem e uma mulher, o relacionamento que havia entre Jesus e Madalena. Eles se relacionavam como iguais. Seria surpreendente se alguém tão humana e sozinha quanto Maria Madalena não se sentisse atraída por Jesus e não desejasse tê-lo sempre ao seu lado, como marido.

Permanece, portanto, o enigma. Margaret George não diz, mas, da mesma forma como não há documentos que afirmem ter sido Maria Madalena e Jesus casados, ou companheiros, também não existem documentos que assegurem o contrário. O próprio romance acaba deixando um mistério no ar: se casados não foram, algo poderia, sim, ter acontecido entre eles.

“Maria Madalena”, o romance, que em breve vai ser transformado em filme, a despeito disso, conta de forma clara e emocionante história de uma mulher em seu mais profundo desespero, na sua jornada pela fé e no contexto de sua época. Nesse sentido, explora temas de dedicação e libertação, a tensão entre o amor romântico e o amor de Deus e a necessidade do sofrimento e da perseguição como testes para a fé. Ela se divide entre sua crença na mensagem de Jesus e seu amor pela família, seu amor por Jesus como um homem e seu amor por ele como Deus. Esposa ou companheira de Jesus, prostituta, apóstola, Deusa, não importa: Maria Madalena foi uma das grandes mulheres do seu tempo.

Será que Jesus Cristo és um mito?



A teoria do mito de Cristo (também conhecido como Jesus mítico ou a hipótese da inexistência de Jesus) é a idéia de que Jesus de Nazaré não era uma pessoa histórica, mas sim um personagem fictício ou mitológico criado pela comunidade cristã primitiva . Alguns proponentes alegam que os eventos ou frases associados com a figura de Jesus no Novo Testamento podem ter sido elaborado a partir de uma ou mais pessoas que realmente existiram, mas que nenhum deles era em nenhum sentido o fundador do cristianismo. Praticamente todos os estudiosos envolvidos com a pesquisa do Jesus histórico acreditam que sua existência pode ser estabelecida usando documentos e outras evidências, embora a maioria sustenta que muito do material sobre ele no Novo Testamento não deve ser tomado ao pé da letra.
A história da teoria do mito de Cristo pode ser atribuída aos pensadores do Iluminismo francês Constantin-François Volney e Charles François Dupuis na década de 1790. Proponentes notáveis ​​incluem Bruno Bauer e Arthur Drews, no século 20 e mais recentemente, GA Wells, Alvar Ellegård e Robert M. Price. A idéia veio à atenção do público moderno através do trabalho de autores como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e o filósofo francês Michel Onfray.
Argumentos utilizados para apoiar a teoria enfatizam a ausência de referências existentes sobre a vida de Jesus e da escassez de referências não cristãs no século I. Alguns proponentes alegam que o cristianismo surgiu organicamente do judaísmo helenístico e baseia-se em paralelos do Jesus histórico e dos deuses gregos, egípcios entre outros, especialmente aqueles que possuem mitos sobre a morte e ressurreição.

A teoria do mito de Cristo (algumas vezes chamada o mito de Cristo, o mito de Jesus, ou hipótese de inexistência) é a afirmação de que Jesus de Nazaré não existiu como uma pessoa histórica, que o Jesus do cristianismo primitivo era a personificação de um ideal de salvador ou ser mítico, semelhantes em alguns aspectos a Krishna, Osíris e Mitra, a quem acontecimentos terrenos foram posteriormente anexados. Os defensores de uma origem mítica do cristianismo, por vezes, permitem que algum material dos evangelhos pode ter sido extraído de um pregador histórico ou pregadores, mas que estes indivíduos não foram em nenhum sentido "os fundadores do cristianismo", mas alegam que o cristianismo surgiu organicamente do judaísmo helenístico. Os defensores da teoria traçam a evolução do cristianismo através de uma compreensão conjectural da evolução da literatura do Novo Testamento e, portanto, dão primazia às epístolas sobre os evangelhos para determinar os pontos de vista dos primeiros cristãos. A pessoa de Jesus, de acordo com essa tese, seria o resultado de uma elaboração teológica posterior, com o objetivo de construir uma base concreta para assegurar a difusão de uma nova religião.
Segundo a teoria do mito de Cristo, o personagem de Jesus é, em parte, mítico ou imaginário. Quadro de Juan de Juanes, final do século XVI.
Estes argumentos são desenvolvidos ao longo de duas linhas complementares de argumentação:
  • por um lado, não há provas nem evidências arqueológicas que atestem a existência de Jesus de Nazaré: os textos cristãos não são confiáveis, e os textos não-cristãos são de autenticidade duvidosa ou podem ser um eco do discurso cristão;
  • em segundo lugar, da identificação de evidências que podem sugerir ser um mito ou ficção.
Todos relacionam de alguma forma a Igreja Católica e a religião judaica com a Astrologia e afirmam que criou-se o mito de Jesus para que as instituições religiosas pudessem ter poder social e econômico explorando o medo dos analfabetos ao inferno.
Os antecedentes da Teoria podem ser rastreados até os pensadores do Iluminismo francês Constantin-François Volney e Charles François Dupuis na década de 1790. O primeiro acadêmico a defender tal tese foi o historiador do século XIX e teólogo Bruno Bauer e os proponentes como Arthur Drews foram notáveis em estudos bíblicos durante o início do século XX. Autores como George Albert Wells, Robert M. Price e Earl Doherty recentemente repopularizaram a teoria entre o público leigo.

Defensores dessa teoria afirmam que houve grande influência das religiões dos povos com as quais os judeus conviviam, ou seja, egípcios, persas, gregos e romanos. Exemplos:
  • A história do salvador nascido de uma virgem e tentativas de matá-lo quando criança.
  • Sua morte e ressurreição (em vários casos, no terceiro dia).
  • Céu, inferno e juízo final (que não existiam no judaísmo original).
  • Petra, no mitraísmo e no “Livro dos Mortos” egípicio, era o guardião das chaves do céu. O mitraísmo também denominava Petra a um rochedo considerado sagrado.
  • A última ceia, frequentemente com uma bebida e um alimento que representavam o corpo e o sangue de Deus.
  • A estrela guia, elemento freqüente em lendas e mitologias antigas.
  • Nascimentos de forma virginal, mortes por meio de sacrifícios, sangue que "purifica" e abençoa, ressurreições, e sua herança o amor incondicional ao Criador de todas as coisas; amor que se manifesta amando as criaturas.
  •  O estudo de Jesus do ponto de vista mitográfico é a examinação das narrativas de Jesus, o Cristo (“o Ungido”) das escrituras, da teologia e do povo cristão como parte central da mitologia cristã. Tal estudo também pode envolver comparações entre crenças cristãs sobre Jesus e sobre outros deuses ou personagens mitológicos. A relevância do “mito” no estudo sobre Jesus e as Escrituras é normalmente rejeitado pelo sistema educacional moderno.
    Ao invés disso, o estudo de Jesus Cristo como um mito é popularmente associado a uma posição cética em relação ao “Jesus histórico”. Proponentes da teoria da origem mitológica do Cristianismo sugerem que uma parte dos evangelhos tenha sido criado por um ou mais pregadores históricos, mas que de nenhuma maneira esses pregadores tenham sido “fundadores do Cristianismo”; ao contrário, esses proponentes alegam que o cristianismo tenha surgido organicamente das culturas Helenística e Judaica. Contudo, o estudo dos paralelos entre as narrativas de Cristo e outras figuras mitológicas não prejudica o entendimento sobre o “Jesus histórico”, e este está aberto a várias interpretações.
  • A influência do Cristianismo nas religiões do Mistério (para Agostinho de Hipona)
  • A interpretação dos paralelos mitológicos como uma “imitação diabólica” de Cristo (para Justino Mártir)
  • A interpretação do mito pré-Cristão como um Urmonotheismus degradado
  • A interpretação da narrativa de Cristo como um “mito verdadeiro” (para C. S. Lewis)
  • A admissão de um Jesus histórico, que, no entanto, é de menor interesse para o Cristianismo do que para o Mito de Cristo (para Carl G. Jung)
  •  Ao lado, uma estátua de Ísis - a esposa e irmã de Osíris, cuidando de seu filho, Hórus – datada da dinastia egípcia Ptolomaica. "A iconografia de Hórus ou influenciou ou foi justamente apropriada na arte cristã primitiva. Ísis e o bebê Hórus podem ser vistos como os precursores para Maria e o menino Jesus”.
    O egiptólogo auto-didata Geral Massey argumentou em 1907 através de seu livro Ancient Egypt, the light of the world, que Hórus e Jesus compartilham as mesmas origem mitológicas. O teólogo W. Ward Gasque endereçou um e-mail a 20 renomados egiptólogos, incluindo o Professor Emérito de Egiptologia da Universidade de Liverpool, Kenneth Kitchen, e o Professor de Egiptologia da Universidade de Toronto, Ron Leprohan. Esse e-mail detalhou as comparações trazidas por Massey, porém os professores foram unânimes em desmentir quaisquer similaridades sugeridas.
    O egiptólogo E. A. Wallis Budge sugere possíveis conexões e paralelos na história da ressurreição de Osíris com a encontrada no Cristianismo. “Os egípcios como nós os conhecemos acreditavam que Osíris possuía uma origem divina, que ele havia sofrido mutilações e morrido nas mãos dos poderes do Mal e que, após grande esforço contra esse Mal, ele havia ressuscitado e se tornado, doravante, o rei do mundo inferior e juiz dos mortos – e já que ele havia conquistado a morte, os justos também o poderiam... Em Osíris, os Egípcios Cristãos encontraram o protótipo de Cristo, e nas pinturas e estátuas de Ísis amamentando seu filho Hórus, o ideal da Virgem Maria e seu filho”.
    O estudioso bíblico Bruce M. Metzger ressalta que no ciclo osiriano ele, Osíris, morre no 17º dia do mês de Athyr (aproximadamente entre 28 de Outubro e 26 de Novembro, nos calendários atuais) e revivifica no 19º dia, comparando isso à Cristo ter ressuscitado no “terceiro dia”, mas também pontua que “ressuscitação” é uma descrição questionável. Contudo, o proponente da teoria do Mito de Cristo, George Albert Wells, se refere a um relato do grego Plutarco e afirma que Osíris morreu e chorou no primeiro dia e que sua ressurreição é celebrada no terceiro dia com o grito alegre de “Osíris foi encontrado!”. Ele ainda acrescenta que a comparação que São Paulo fez da ressurreição corporal com o plantio e o crescimento de uma semente de milho (1 Coríntios 15:35-38) é baseada na antiga ideia egípcia de que uma figura de sementes germinando no leito de Osíris representa a ressurreição (figura ao lado).
     Plutarco e outros notaram que os ritos a Osíris eram “tristes, solenes e pesarosos” e que o grande festival do mistério, celebrado em duas fases, começou em Abydos no 17º dia do mês de Athyr (13 de Novembro), comemorando a morte do deus (data em que também se celebrava o plantio das sementes). A morte dos grãos e o falecimento do deus era uma coisa apenas: os cereais eram identificados como um deus que veio dos céus; ele era o pão pelo qual os homens sobreviviam. O festival anual envolvia a construção dos “Leitos de Osíris”, em forma do deus, preenchidos com terra e também sementes. A germinação das sementes simbolizava Osíris voltando dos morto (um exemplo antigo dessa figura foi encontrado na tumba do faraó Tutancâmon pelo arqueólogo Howard Carter).

    A primeira etapa do festival consistia em um drama público relatando o assassinato e o desmembramento de Osíris, a procura de seu corpo por Ísis, seu retorno triunfal quando ressuscita em forma de deus, e a batalha na qual Hórus derrota o deus Seth. Segundo Julius Firmicus Maternus, do século IV, essa peça era re-encenada todo ano por adoradores que “batiam seus peitos e esfaqueavam seus ombros... Quando eles fingiam que os restos mutilados do deus haviam sido encontrados eles mudavam do luto para o regozijo”. (De Errore Profanorum).
    A Paixão de Osíris também é refletida no seu nome ‘Wenennefer’ (“aquele que continua a ser perfeito”), o que inclui o seu poder pós-morte.
    O egiptólogo Erik Hornung observa que os Egípcios Cristãos continuaram a mumificar os mortos (uma parte substancial das antigas crenças osirianas) até que a prática finalmente terminou com a chegada do Islã, e defende uma associação entre a Paixão de Cristo e as tradições osirianas, particularmente nas escrituras apócrifas de Nicodemus e da descida de Jesus ao Hades. Ele conclui que se o Cristianismo rejeitou qualquer elemento pagão, o fez apenas em um nível superficial, e que o Cristianismo primitivo era “profundamente grato” ao Egito Antigo.
    David J. MacLeod acredita que a ressurreição de Osíris difere da de Jesus Cristo dizendo que
    “Talvez o único deus pagão de onde venha a ideia de ressurreição seja o Egípcio Osíris. (...) Osíris não “ressuscitou”; ele governou na Morada dos Mortos. Roland de Vaux escreveu que para se entender o significado de “Osíris sendo trazido à vida”, bastaram as ministrações de Ísis, e ele foi capaz de ter uma vida além-tumba que é quase uma réplica quase perfeita da sua correspondente terrena. Mas ele nunca voltou entre os vivos e reinou apenas sobre os mortos. Esse deus revivido é, na realidade, um “deus-múmia”... Não, o mumificado Osíris dificilmente foi uma inspiração para o ressuscitado Cristo... (...) Para atingir a imortalidade os Egípcios tinham que cumprir três condições: Primeiro, seu corpo tinha que ser preservado pela mumifação. Segundo, alimentos seriam providenciados pelas reais oferendas de pão e cerveja. Terceiro, magias seriam enterradas com a pessoa. Seu corpo não retornaria dos mortos; apenas poucos elementos de sua personalidade – seus Ba e Ka – é que continuariam pairando sobre seu corpo”.
     Algumas pessoas acreditam que a íntima relação maternal entre Ísis e Hórus apresentada nas imagens do Antigo Egito foram mais tarde incorporadas na iconografia cristã. Em particular, as figuras de Maria e Jesus em Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Nossa Senhora de Częstochowa dividem várias similaridades às representações egípcias primitivas entre Hórus e Ísis. O egiptólogo Erik Hornung escreveu que “havia uma analogia óbvia entre o bebê Hórus e o menino Jesus e o cuidado que eles receberam de duas sagradas mães; muito antes do Cristianismo, Ísis havia carregado o epíteto de ‘mãe de deus’”.

    De acordo com algumas fontes se referem a teoria da ressurreição no terceiro dia com um período de três dias em que o Sol se mantém no lugar mais baixo em 25 de dezembro e está no ponto mais alto (como se diz que Jesus esteve morto por três dias e então ressuscitou), mas de acordo com o relato bíblico Jesus morreu durante a Páscoa judaica. Afirmam que os deuses do Sol muito anteriores a Jesus como Horus, Átis, Krishna, Mitra, Dionísio, Buda, todos eles, têm como elemento vital a sua crença na ressurreição no terceiro dia após as suas mortes, também tiveram discípulos que os acompanharam, faziam milagres e nasceram de uma Virgem Imaculada em 25 de dezembro. Segundo os defensores dessa Teoria, algumas destas lendas podem ter sofrido influência direta da história de Jesus, já que os cultos coexistiram com o cristianismo primitivo, mas certamente a imensa maioria surgiu milhares de anos antes do nascimento do mesmo. Entretanto, muitos acrescentam mais similaridades nos deuses antigos por conta própria para criar mais semelhanças.
  • Tamuz: deus da Suméria e Fenícia, morreu com uma chaga no flanco e, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio com a pedra que o fechava a um lado. Belém era o centro do culto a Tamuz.
  • Hórus - 3000 a.C.:
    • Deus egípcio do Céu, do Sol e da Lua;
    • Nasceu de Isis, de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
    • Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
    • Ressuscitou um homem de nome EL-AZAR-US;
    • Um de seus títulos é "Krst" ou "Karast";
    • Lutou durante 40 dias no deserto contra as tentações de Set (divindade comparada a Satã);
    • Batizado com água por Anup;
    • Representado por uma cruz;
    • A trindade Atom (o pai), Hórus (o filho) e Rá (comparado ao Espírito Santo).
  • Mitra - séc. I a.C.:
    • Originalmente um deus persa, mas foi adotado pelos romanos e convertido em deus Sol;
    • Intermediário entre Ormuzd (Deus-Pai) e o homem;
    • Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
    • Nasceu de forma milagrosa, sem envolvimento sexual;
    • Pastores vieram adorá-lo, com presentes como ouro e incenso;
    • Viria livrar o mundo do seu irmão maligno, Ariman;
    • Era considerado um professor e um grande mestre viajante;
    • Era identificado com o leão e o cordeiro;
    • Seu dia sagrado era domingo ("Sunday"), "Dia do Sol", centenas de anos antes de Cristo;
    • Tinha sua festa no período que se tornou mais tarde a Páscoa cristã;
    • Teve doze companheiros ou discípulos;
    • Executava milagres;
    • Foi enterrado em um túmulo e após três dias levantou-se outra vez;
    • Sua ressurreição era comemorada cada ano.
  • Átis (Frígia / Roma) - 1200 a.C.:
    • Nasceu dia 25 de dezembro;
    • Nasceu de uma virgem;
    • Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
    • Ressuscitou no terceiro dia.
  • Buda - séc. V a.C.:
    • Sua missão de salvador do mundo foi profetizada quando ele ainda era um bebê;
    • Por volta dos 30 anos inicia sua vida espiritual;
    • Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal enquanto jejuava;
    • Caminhou sobre as águas (Anguttara Nikaya 3:60);
    • Ensinava por meio de parábolas, inclusive uma sobre um "filho pródigo";
    • A partir de um pão alimentou 500 discípulos, e ainda sobrou (Jataka);
    • Transfigurou-se em frente aos discípulos, com luz saindo de seu corpo;
    • Após sua morte, ressuscitou (apenas na tradição chinesa).
  • Baco / Dionísio - séc. II a.C.:
    • Deus grego-romano do vinho;
    • Nascido da virgem Sémele (que foi fecundada por Zeus);
    • Quando criança, quiseram matá-lo;
    • Fez milagres, como a transformação da água em vinho e a multiplicação dos peixes;
    • Após a morte, ressuscitou;
    • Era chamado de "Filho pródigo" de Zeus.
  • Hércules - séc. II a.C.:
    • Nascido da virgem Alcmena, que foi fecundada por Zeus;
    • Seu nascimento é comemorado em 25 de dezembro;
    • Foi impiedosamente tentado pelas forças do mal (Hera, a ciumenta esposa de Zeus);
    • A causadora de sua morte (sua esposa) se arrepende e se mata enforcada.
    • Estão presentes no momento de sua morte sua mãe e seu discípulo mais amado (Hylas);
    • Sua morte é acompanhada por um terremoto e um eclipse do Sol;
    • Após sua morte, ressuscitou, ascendendo aos céus.
  • Krishna - 3228 a.C.:
    • Trata-se de um avatar do Deus Vishnu – um avatar é como se fosse a personificação ou encarnação de um deus;
    • Nasceu no dia 25 de dezembro;
    • Nasceu de uma virgem, Devaki ("Divina");
    • Uma estrela avisou a sua chegada;
    • É a segunda pessoa da trindade;
    • Foi perseguido por um tirano que requisitou o massacre dos milhares dos infantes;
    • Fez milagres;
    • Em algumas tradições morreu em uma árvore;
    • Após morrer, ressuscitou.
Estas coincidências biográficas, segundo os defensores de "O Mito de Cristo", provam que os autores dos Evangelhos, ao escreverem as histórias de vida de Jesus, tomaram emprestados relatos e feitos de outros deuses antigos ou heróis.
 Embora Flávio Josefo, Tácito, Suetônio e outros historiadores antigos sejam frequentemente citados como evidência de um Jesus histórico, de acordo com estes autores as histórias são derivadas, não originais. Josefo, o mais antigo desses autores, nasceu, no mínimo, cinco anos após a suposta morte de Jesus. Não há nenhum testemunho direto dos fatos. Além disso, os antigos relatos não-cristãos de Jesus foram escritos quando o Cristianismo já era generalizado e alguns parágrafos dos livros de Josefo são questionados, supondo-se que foram mais tarde interpolações cristãs.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O mito de narciso


Narciso era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope, e era um jovem de extrema beleza. Porém, à despeito da cobiça que despertava nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecedora do seu amor. E foi justamente este desprezo que devotava às jovens a sua perdição.Pois havia uma bela ninfa, Eco, amante dos bosques e dos montes, companheira favorita de Diana em suas caçadas. Mas Eco tinha um grande defeito: falava demais, e tinha o costume de dar sempre a última palavra em qualquer conversa da qual participava.Um dia Hera, desconfiada - com razão - que seu marido estava divertindo-se com as ninfas, saiu em sua procura. Eco usou sua conversa para entreter a deusa enquanto suas amigas ninfas se escondiam. Hera, percebendo a artimanha da ninfa, condenou-a a não mais poder falar uma só palavra por sua iniciativa, a não ser responder quando interpelada.Assim a ninfa passeava por um bosque quando viu Narciso que perseguia a caça pela montanha. Como era belo o jovem, e como era forte a paixão que a assaltou! Seguiu-lhe os passos e quis dirigir-lhe a palavra, falar o quanto ela o queria... Mas não era possível - era preciso esperar que ele falasse primeiro para então responder-lhe. Distraída pelos seus pensamentos, não percebeu que o jovem dela se aproximara. Tentou se esconder rapidamente, mas Narciso ouviu o barulho e caminhou em sua direção:- Há alguém aqui?- Aqui! - respondeu Eco.Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Queria saber quem estava se escondendo dele, e quem era a dona daquela voz tão bonita.- Vem - gritou.- Vem! - respondeu Eco.- Por que foges de mim?- Por que foges de mim?- Eu não fujo! Vem, vamos nos juntar!- Juntar! - a donzela não podia conter sua felicidade ao correr em direção do amado que fizera tal convite.Narciso, vendo a ninfa que corria em sua direção, gritou:- Afasta-te! Prefiro morrer do que te deixar me possuir!- Me possuir... - disse Eco.Foi terrível o que se passou. Narciso fugiu, e a ninfa, envergonhada, correu para se esconder no recesso dos bosques. Daquele dia em diante, passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. Evitava o contato com os outros seres, e não se alimentava mais. Com o pesar, seu corpo foi definhando, até que suas carnes desapareceram completamente. Seus ossos se transformaram em rocha. Nada restou além da sua voz. Eco, porém, continua a responder a todos que a chamem, e conserva seu costume de dizer sempre a última palavra.Não foi em vão o sofrimento da ninfa, pois do alto, do Olimpo, Nêmesis vira tudo o que se passou. Como punição, condenou Narciso a um triste fim, que não demorou muito a ocorrer.Havia, não muito longe dali, uma fonte clara, de águas como prata. Os pastores não levavam para lá seu rebanho, nem cabras ou qualquer outro animal a freqüentava. Não era tampouco enfeada por folhas ou por galhos caídos de árvores. Era linda, cercada de uma relva viçosa, e abrigada do sol por rochedos que a cercavam. Ali chegou um dia Narciso, fatigado da caça, e sentindo muito calor e muita sede.Narciso debruçou sobre a fonte para banhar-se e viu, surpreso, uma bela figura que o olhava de dentro da fonte. "Com certeza é algum espírito das águas que habita esta fonte. E como é belo!", disse, admirando os olhos brilhantes, os cabelos anelados como os de Apolo, o rosto oval e o pescoço de marfim do ser. Apaixonou-se pelo aspecto saudável e pela beleza daquele ser que, de dentro da fonte, retribuía o seu olhar.Não podia mais se conter. Baixou o rosto para beijar o ser, e enfiou os braços na fonte para abraça-lo. Porém, ao contato de seus braços com a água da fonte, o ser sumiu para voltar depois de alguns instantes, tão belo quanto antes.- Porque me desprezas, bela criatura? E por que foges ao meu contato? Meu rosto não deve causar-te repulsa, pois as ninfas me amam, e tu mesmo não me olhas com indiferença. Quando sorrio, também tu sorris, e responde com acenos aos meus acenos. Mas quando estendo os braços, fazes o mesmo para então sumires ao meu contato.Suas lágrimas caíram na água, turvando a imagem. E, ao vê-la partir, Narciso exclamou:- Fica, peço-te, fica! Se não posso tocar-te, deixe-me pelo menos admirar-te.Assim Narciso ficou por dias a admirar sua própria imagem na fonte, esquecido de alimento e de água, seu corpo definhando. As cores e o vigor deixaram seu corpo, e quando ele gritava "Ai, ai", Eco respondia com as mesmas palavras. Assim o jovem morreu.As ninfas choraram seu triste destino. Prepararam uma pira funerária e teriam cremado seu corpo se o tivessem encontrado. No lugar onde faleceu, entretanto, as ninfas encontraram apenas uma flor roxa, rodeada de folhas brancas. E, em memória do jovem Narciso, aquela flor passou a ser conhecida pelo seu nome.

Dizem ainda, que quando a sombra de Narciso atravessou o rio Estige, em direção ao Hades, ela debruçou-se sobre suas águas para contemplar sua figura.

Contradições dos evangelicos


saopaulo.jpgMateus e Marcos afirmam enfaticamente que os discípulos de Jesus abandonaram tudo para seguí-lo, sem sequer perguntar antes quem ele era. Em Mateus, lê-se que Jesus teria afirmado que não viera para abolir as leis de Moisés. Contudo, esta seria uma afirmativa sem sentido algum, visto que hoje sabemos que os livros atribuídos a Moisés são apócrifos. Segundo João, quando Jesus falou ao povo, foi por este acatado e proclamado rei de Israel aos gritos de “Hosanna”. Mas, um pouco adiante, ele se contradiz, afirmando que o povo não acreditou em Jesus, e praguejando contra ele, o ameaçava a ponto de ele ter procurado se esconder.
Mateus diz que Jesus entrou em Jerusalém vitoriosamente quando a multidão o teria recebido de modo festivo, e marchando com ele, cobria o chão com folhas, flores e com os próprios mantos, gritando: “Hosanna ao Filho de David! Bendito seja o que vem em nome do Senhor!” Aos que perguntavam quem era, respondiam “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia”. No entanto, outros evangelistas afirmam que ele era um desconhecido em Jerusalém. Disseram que Pilatos estava convencido da inocência de Jesus, razão pela qual teria tentado salvá-lo, o abandonando logo em seguida, indefeso e moralmente arrasado.
João faz supor que Pilatos teria deixado que matassem Jesus, temendo que denunciassem sua parcialidade ao imperador. Se ele não castigasse a um insurreto que se intitulava rei dos judeus, estaria traindo a César. No entanto, tal atitude por parte de Pilatos não combina com o seu retrato moral, pintado por Filon. Era um homem duro e tão desumano quanto Tibério.
A vida de mais um ou menos um judeu, para ambos, era coisa da pouca importância. Filon faz de Pilatos um carrasco e mostra que ele, em Jerusalém, agia com carta branca. Além disso, as reações de Pilatos com Tibério eram quase fraternais e ele era um delegado de absoluta confiança do imperador. Mas como os Evangelhos foram compostos dentro dos muros de Roma, teriam de ser de modo a não desagradar às autoridades Imperiais. Pilatos foi posto nisso apenas porque os bens e a vida dos judeus estavam sob sua custódia. Entretanto, como a ocupação romana foi feita em defesa dos judeus ricos, contra os judeus pobres e os renegados do deserto, as autoridades romanas temiam muito mais ao povo do que a Roma.
Além disso, muitas eram as razões para não gostarem de Pilatos nem de Herodes Antipas. Eles eram antipáticos aos judeus pobres, por isso teriam temido a ira popular. Esta é a razão apresentada pelos historiadores que levam a sério os Evangelhos, justificando assim o perdão do criminoso Bar Abbas e a condenação do inocente Jesus. Entretanto, se as legiões romanas realmente ali estivessem naquela época, nem Pilatos nem Herodes tomariam em consideração a opinião do povo, porque se sentiriam garantidos nos seus postos. Além disso, a opinião popular é fator ainda bem novo na técnica de formação dos governos. Tudo o que sabemos é o que está nos Evangelhos. Jesus era um homem do povo e um dos que temiam o governo.
Por isso é que em Marcos 16:7 encontraremos Jesus aconselhando os discípulos a fugirem. Em Lucas 10:4 Jesus está aconselhando aos discípulos a não falarem com ninguém em suas viagens. Em Mateus 35:23 encontraremos Jesus reprovando os judeus que haviam assassinado Zacarias, filho de Baraquias, entre o adro do templo e o altar. A história, no entanto, afirma ser esse episódio imaginário.
Flávio Josefo relata um acontecimento semelhante, registrado no ano 67, 34 anos após a pretensa morte de Jesus, referindo-se no caso a um homem chamado Baruch. Isto evidencia o descuido dos compiladores dos Evangelhos, que os compuseram sem levar em conta que, no futuro, as contradições neles encontradas seriam a prova da inautenticidade dos fatos relatados. Nicodemos, que teria sido um fariseu rico, membro de Senedrin, homem de costumes moderados e de boa fé, não se fez cristão, apesar de ter agido em defesa de Jesus contra os próprios judeus. Por certo ele, como João Batista, não se convenceram da pretensa divindade de Jesus Cristo, nem mesmo se entusiasmaram com suas pregações.
Outra ficção evangélica é debitada a Paulo, o qual inventou um Apolo, que não figura entre os apóstolos e em nenhum outro relato. Em Atos dos Apóstolos 18, lê-se: “Veio de Éfeso um judeu de nome Apolo, de Alexandria, homem eloqüente e muito instruido nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor, falando com fervor de espírito, ensinando com diligência o que era de Jesus, e somente conhecia João Batista. Com grande veemência convencia publicamente os judeus, mostrando-lhes pelas Escrituras que Jesus era o Cristo”. Seria um judeu fiel ao judaísmo que, segundo Paulo, procurava levar seus próprios patrícios para o Cristo? Na epístola I aos Coríntios, diz que: “Apolo era igual a Jesus”.
Paulo, já no fim do seu apostolado, afirma que o imperador Agripa era um fariseu convicto, e que sua religião era a melhor que então existia. Era, assim, um divulgador do cristianismo afirmando a excelência do farisaísmo. Falando de Jesus, Paulo descreve apenas um personagem teológico e não histórico. Não se refere ao pai nem à mãe de Jesus, sendo um ser fantástico, uma encarnação da divindade que viera cumprir um sacrifício expiatório, mas não fala do modo como teria sido possível a encarnação. Não diz sequer a data em que Jesus teria nascido. Não relata como nem quando foi crucificado. No entanto, estes dados têm muita importância para definir Jesus como homem ou como um ser sobrenatural. Está patente, desse modo, que Paulo é uma figura tão mitológica quanto o próprio Jesus.
Em Atos dos Apóstolos 28:15 e 45 Paulo diz que quando chegou a Pozzuoli, ele e os seus companheiros foram ali bem recebidos, havendo muita gente à beira da estrada os esperando. Entretanto, chegando a Roma, teve de defender-se das acusações de haver ofendido em Jerusalém ao povo e aos ritos romanos. NaEpístola aos Romanos 1:8, Paulo diz que a fé dos cristãos de Roma alcançara todo o mundo, razão pela qual encerraria sua missão tão logo regressasse da Espanha, onde saudaria um grande número de fiéis.
Mas, se fosse assim, por que Paulo teve de se defender perante os cristãos de Roma contra o seu próprio judaísmo? Com pouco tempo Paulo já pensava encerrar sua missão porque o cristianismo já havia se universalizado. Entretanto, ele continuava considerando como melhor religião o farisaísmo. O cristianismo a que Paulo se referia deveria ser anterior a Jesus Cristo, que era o seguido pelos cristãos de Roma, e não pelos cristãos dos lugares por onde Paulo havia passado pregando. Eusébio disse que o cristianismo de Paulo era o terapeuta do Egito, e Tácito disse que os hebreus e os egípcios formavam uma só superstição.

Lucifer - O portador da luz


LÚCIFER - O PORTADOR DA LUZ
por Francisco Marengo
 
 
 

        Na Antigüidade romana, a palavra "Lúcifer" era utilizada para designar o planeta Vênus quando este se posicionava de manhã, a oeste do Sol, antecedendo o seu nascimento. Significava, portanto  "portador da luz" (do latim lux = luz e ferre = carregar) e também era conhecida como "a Estrela da Manhã".
        Já o Arcano do diabo no Tarot representa não somente os elementos, mas as limitações e as ilusões mais obscuras da humanidade; mais além do véu das aparências, o diabo representa um princípio muito mais elevado, sendo que o diabo simboliza também o véu que encobre tudo e  Baphomet, que é macho e fêmea, dois em um, unindo todas as coisas, reintegrando todas as partes do ser.
        Em Magia, o diabo é uma porta para um mistério grande e eterno, que pode somente ser compreendido dominando o medo instintivo passando através da porta do Templo do inconsciente. Um mistério do diabo no Atu de Tarot está, no fato, que há mais do que os olhos físicos podem ver ou compreender. Nós devemos olhar além do véu das aparências para compreender a verdadeira natureza de algo. O Arcano do diabo nos informa também que o único inimigo real é você próprio. Mas outra vez, há uma interpretação muito mais elevada e mais espiritual do diabo, não há nada pior do que criar uma falsa imagem daquilo que realmente somos, pois isto impediria a reintegração com o Todo. O falso diabo cristão é uma fórmula mágicka pervertida para aqueles que a utilizam pois traz  o pior do ser humano, e toda perversão representa o ser humano animal e instintivo unidos em um, simbolizando um contrapeso imperfeito entre a natureza divina e a humanidade.
        O diabo representa o "self" inconsciente para várias razões. O diabo pode significar um de seus medos inconscientes, limitações, e o desconhecido e os elementos escondidos da psique humana. Ou pode significar o ego animal ou inferior, que na atualidade apresenta-se muito conscientes em seu forma mais básico e impura, mas que deve ser aceito, posto sob ação da vontade interior, corrigido e reintegrado. Ou, em um nível muito mais elevado de pensar, o diabo,  pode representar o self secreto ou o self verdadeiro, o espírito mediano e o contrapeso perfeito para evolução de todas as coisas.
        A letra hebraica que corresponde ao Arcano do diabo do Tarot é Ayin, o olho, que tem duas implicações fundamentais: Como o olho humano, representa limitar a consciência às aparências exteriores ou às circunstâncias externas, que é a ignorância. Como terceiro olho, ele representa a expansão da consciência além do véu externo do plano interior da compreensão. Temos um duplo significado. O mesmo aplica-se ao Pentagrama invertido, que frequentemente é visto somente como um símbolo do negatividade, mas na realidade traz à fórmula da própria iniciação do ser humano como aquele que aspira ser um Iniciado nos mistérios sagrados regerá também o domínio sobre a matéria física e densa.
        O diabo é a sombra, que é um outro termo para o ser inconsciente ou o inconsciente individual. É o ser natural ou instintivo, a parte primitiva e animal de nossas naturezas, e pertence a tudo que nós não queremos saber ou aceitar sobre nós devido à opinião e as falsas impressões da nossa sociedade e de um medo geral do desconhecido. É chamado a sombra desde que se relaciona à imagem que está moldada acima da tela da vida em que a luz da divindade ilumina o ser. Quando a luz emergir na consciência, através dos trabalhos da Iniciação, o ser da sombra parecerá e deverá ser aceitado, integrado e finalmente transcendido, de modo que o verdadeiro equilíbrio possa ser alcançado na alma do neófito. Sem aceitar nosso ser da sombra, nós remanescemos em desequilíbrio. E o contrapeso, a base e a extremidade do trabalho na Grande Obra!
        Já Lúcifer é o grande Regente Planetário para esse Aeon. Ele é um ser real cujo reinado situa na esfera astral de Yesod, e,  permite ser visitado em ambiente astral por verdadeiros Iniciados, se demonstrando bastante cortês e esclarecedor para os verdadeiros buscadores da Luz. Nada realmente de diabólico nele ou demoníaco como alguns ignorantes que assim querem crer. Ou talvez para estes, até por precaução,  se permita tornar o diabo que eles pintam como forma de admoestá-los de sua ignorância.

        Na mitologia grega contam a lenda de Prometeu, uma provável versão grega de Lúcifer, um Titã, filho de Jápeto e Clímene, que ficou incumbido da criação dos homens, mas cometeu um pecado que enfureceu Zeus, a divindade suprema do Olimpo. Roubou uma fagulha do fogo divino para dar vida aos homens. Zeus para castigá-lo enviou uma linda mensageira, Pandora, com uma caixa que, ao ser aberta, espalharia todos os males sobre a terra. Mas Prometeu resistiu aos seus encantos e por isso Zeus o acorrentou a um penhasco e cortou parte de seu tórax expondo seu fígado, o qual era todo o dia devorado por uma águia, mas se reconstituía. 

        Abrindo agora um parêntese, no que se refere ao fígado, diríamos isto se dá porque ao analisarmos a quantidade absoluta de energia das células do fígado verificamos que possuem quantidade semelhante a das células vegetais. Assim o fígado se regenera por ser da mesma família orgânica, em termos de energia absoluta, que os vegetais. O órgão pode ser considerado, portanto, um ex-vegetal. Os vegetais possuem mais de setecentos milhões de anos e os homens apenas quatro milhões de anos sobre a terra. Nós seres humanos, portanto, somos ex-vegetais, o que concorda e prova plenamente com a Teoria da Evolução de Charles Darwin.

        A associação do fígado ao fogo da lenda se dá porque tal órgão entre suas inúmeras funções é responsável pela integração entre os vários mecanismos energéticos do organismo. E energia é igual a calor ou fogo que automaticamente efetua a desintoxicação de toxinas químicas produzidas pelo organismo. Secreção da bile.

        Entretanto, Lúcifer parece ter entrado na história da religião quando na Bíblia (Isaías 14:12) aparece a expressão em hebreu "Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã”...  Na versão grega do Antigo Testamento, o termo foi traduzido como "Phosphorus" (a palavra grega para "Vênus" ou "a estrela da manhã") e daí finalmente para "Lúcifer" na versão latina. Estudiosos explicam que a parábola do profeta Isaías se referia à arrogância de um rei babilônio que, ousando comparar-se à "Estrela da Manhã", fora derrubado do Céu por Deus.

        No século IV, o bispo Lúcifer de Cagliari, da Sardenha, um veemente oponente do Arianismo que pregava a Doutrina de Ário, famoso herético da Alexandria,  que pregava ser Cristo uma criatura de natureza intermediária entre a divindade e a humanidade, criou uma seita na qual seus seguidores passaram a ser denominados de "Luciferianos".

        Origerres Adamantius (185-254), um importante cristão da Igreja Grega, e Augustine de Canterbury (no século VI) (03), fundador da Igreja Cristã no sul da Inglaterra, interpretaram o uso do termo latino "Lúcifer" como uma referência ao próprio demônio ou Satanás. A partir de então, o termo generalizou-se de forma negativa.

           Empenhando todos os esforços para combatê-la, como pode ser observado no famoso diálogo "A Disputa entre os Luciferianos e os Ortodoxos", São Jerônimo foi também um dos responsáveis pela associação de Lúcifer a Satanás.

        Todavia, a seita Luciferiana teve sua expansão na Europa entre o século XIII e meados do século XIV.  Em 1223, o inquisidor Conrad de Marburg, notando o crescimento incomum de heréticos na Germânia e na Áustria, em especial, da seita destes "Luciferianos", deu início a uma série de perseguições. Os heréticos ou hereges eram pessoas que professavam doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja como sendo matéria de fé.

        Em Bizâncio e em várias partes da Europa, surgiram lendas de que essa facção altamente secreta era dedicada a Lúcifer, o anjo infernal, que teria sido expulso do Paraíso por Deus. Esses adoradores do demônio acreditavam que seu mestre era o verdadeiro criador do mundo e que fora deslealmente aprisionado no abismo por seu inimigo, um deus injusto e vingativo, a quem Lúcifer cabia vencer. As profecias dos Luciferianos pregavam que um dia ele reconquistaria o Paraíso, derrotaria Jeová e daria a vida eterna a todos os seus seguidores.
                            
        Como no caso dos cavaleiros templários e das bruxas, suas confissões foram conseguidas pela Inquisição através da tortura. A Igreja os forçava a confessarem que durante o ritual de iniciação dos neófitos, em templos subterrâneos, Lúcifer se mostrava como um homem cuja parte superior do corpo irradiava luz, mas da cintura para baixo era escuro como a noite e que o final do ritual era comemorado com um banquete e concluído com orgias, nas quais eram oferecidas virgens noviças.

        Deixando de lado estas terríveis confissões induzidas pelo clero uma coisa é certa: Lúcifer é uma entidade dotada de extrema inteligência e de inegável senso de responsabilidade e justiça, pois a Ele foi dado a administrar o "lado escuro" da natureza humana, ou seja, conviver com o ódio, desequilíbrios emocionais, rancores, vinganças e todo o tipo de emoções e vibrações pesadas que infalivelmente se agregam nas regiões mais densas conhecidas como Umbral ou Zona de Malva.
                     
        Entretanto, poderíamos dizer que é plenamente lógico e possível à existência deste Ser hierarquicamente situado no oposto negativo, um Qliphah, um Egrégora, um ser perigoso destituído de Luz, que tal como um sifão seria um absorvedor de energia, uma força vampírica.

        Afirmamos com plena convicção que Ele nada tem a ver com o mito do Anjo Caído, mas por ter se tornado um ser avivado pelas fontes deletérias do pensamento mais denso e obscuro do ser humano, este se tornou uma entidade poderosa situada no vértice oposto da escala evolutiva.

       Se nossos irmãos tiveram a oportunidade de assistir o filme “Gladiador” veriam que em determinado momento do filme o protagonista sofre um profundo ferimento que é curado com  larvas de mosca. Isto era uma prática comum na antiguidade porque as larvas se encarregam de comer o tecido morto, evitando assim um agente infeccioso. Isto é um fato, assim como poderíamos dizer que existe seres astrais que convivem, se alimentam e administram todas as mazelas e lixos humanos, pois no fundo, alguém tem que fazê-lo…

       Tal classe de seres é conhecida na Goetia como “Demônios” ou “Daemons” cuja estirpe espiritual pode ter sido oriunda de classes de seres elementais, ou até mesmo seres que tiveram uma existência física ou densa no orbe terrestre ou mesmo em outros planos dimensionais ou planetas.

       Mas por falar em religião, o que seria dela, se seus "dirigentes", se não atribuíssem a culpa a um Diabo por tudo que fazemos de errado, explorando  assim a maldade e fraquezas humanas atribuindo-as injustamente a um Ser ABSOLUTAMENTE hipotético. 

       A estrutura de idéias que vem a seguir baseia-se em trabalhos mágickos efetuados por mim em mais de vinte anos, conversando com uma grande gama de entidades (seres astrais e espirituais) oriundos das mais diversas regiões do Astral desde o Astral Superior como no Subplano do Astral Inferior conhecido como Zona de Malva (Zona do Malvado) ou Zonas Abismais, que são divididas em faixas vibratórias interligadas aos elementos da natureza. Tais planos  subsistem  nosso plano físico, porém em outros planos dimensionais, tal como se interpenetrando a crosta física da Terra.

       A hierarquia existente na Zona de Malva é muito complexa e diversificada, envolvendo várias correntes de seitas e pensamento. São cerca de 777 postos hierárquicos principais, cada um destes abrangendo mais 777 postos ou cargos de comando.

        Cada entidade líder de um determinado posto têm sob sua responsabilidade e comando, uma ou mais legiões de entidades extrafísicas, bem como, seres encarnados conhecidos pelos meios Ocultistas de: “A Grande Irmandade Negra”.

        Esses "seres espirituais" encarnados ou não, são auto-iludidos, os quais escravizados pelo ego inferior são influenciados pelas religiões formadas por correntes mortas e estagnadas, muitas vezes se tornando um instrumento kármico inconsciente.

        Para se chegar ao comando das entidades da Goetia, existe a necessidade de se possuir conhecimento das diversas áreas envolvem estes seres, além de força interior e um inegável e superior senso de justiça.

        Mas, qual seria a finalidade da Zona de Malva e o que fazem estas entidades ?

        A Zona de Malva é o local para onde convergem todas as vibrações negativas e densas, criadas por pensamentos e emoções descontroladas dos seres humanos encarnados ou não.

       Para lá convergem e são criadas formas-pensamento monstruosas criadas por mentes doentias, desequilibradas e despreparadas.

        Todo este material vibratório condensa-se nas regiões da Zona de Malva, criando uma variada e sofisticada gama de egrégoras. 

        A Egrégora é um ser criado pela propriedade que o plano astral possui, independentemente de ser superior ou inferior, de agregar material mental e refletir vibratoriamente a sua natureza.

        Logicamente não poderemos dizer que as egrégoras existentes na Zona de Malva, pela natureza das vibrações envolvidas em suas criações, sejam "angelicais".  São na verdade o lixo espiritual fluídico e deletério, que pela sua própria natureza vibratória, é automaticamente atraído para a Zona de Malva. Tal ser ou forma-pensamento criada só poderá ser destruído por uma força três vezes superior àquela que o criou.

        Mas não só a matéria mental negativa e densa é atraída para lá. Todo ser humano tem seu princípio de vida conforme as noções ou parâmetros daquilo que é correto ou errado para si. Entretanto se estes seus parâmetros forem dados a interferir na órbita alheia ou levá-lo a estagnação energética, tal ser ao desencarnar será automaticamente atraído para a região do Astral que lhe for mais afim, ou que estiver alinhada com suas vibrações mentais. Estes no caso serão automaticamente atraídos para estes subplanos da Zona de Malva.

        Uma vez no plano astral o ser espiritual que antes obedecia ao princípio evolutivo que obedece ao plano do Manifesto, passa a depender diretamente daqueles cujos afins ou afinidades ainda se encontram ligados ao plano físico, tornando-se automaticamente seres a estes ligados conhecidos por “Daemons” ou espíritos familiares.

       Convém notar que alguns desses seres poderiam ter também sido ligado ao plano dos elementos (Terra, Ar, Fogo e Água), tendo sido, portanto, anteriormente seres elementais que por sua vez passaram a escala evolutiva seguinte por afinidade aos seres humanos tornando-se a eles ligados profundamente por laços de afinidade.

        É de extrema responsabilidade dos magistas que acessam a estas forças, se cercarem muito bem energeticamente para  atuarem juntos a estes seres para não serem escravizados por eles, utilizando-os para finalidades ou causas nobres e fins justificáveis o que automaticamente lhes dará um certo controle sobre as egrégoras desses locais. A proteção necessária para trabalhar com seres goécicos se faz necessária, porque o acúmulo de matéria mental negativa e densa, acima de um limite, é também prejudicial, pois poderia alterar o equilíbrio das forças envolvidas que regem a coroa (Kether) ou chakras superiores do magista invocador. Tais entidades da Goetia poderiam ser ao magista incauto realmente assustadoras, mas que estariam de acordo com a ressonância ou com o próprio tipo de vibração que as ocasionou ou invocou.

       A postura destes seres do Astral Inferior não é de efetuar simplesmente o "mal". Pois eles sabem muito bem que a cada um será dado conforme suas obras. Porém eles entendem que se é o mal que um determinado indivíduo necessita para se depurar e se elevar, eles não pouparão esforços para que este  lhe seja  administrado em mesmo gênero, número e grau na proporção exata para sua reabilitação.

      Tudo é executado de acordo com a Lei Suprema que rege tudo e a todos em todos planos vibratórios.  A Lei Suprema poderia ser talvez o sinônimo da Verdadeira Vontade.

        Nada é feito fora da Lei. Nem uma palha sequer é movida, muito menos alguém será castigado injustamente. Não existe obra do acaso.

        Portanto, essa estória do Diabo, Satanás ou Lúcifer tentar as pessoas para poder arrastá-las ao Inferno para toda eternidade, só serve mesmo para arregimentar mais pessoas sem um pingo de discernimento para as falanges das religiões milionárias,  envolvidas pelas correntes mortas.

        Durante o decorrer de muitos anos, durante os quais ativamente inseridos no contexto dessas organizações, observamos existir uma paranóia a vincular o Ocultismo ou as Ciências Arcanas a uma dessas estruturas acima mencionadas. Esse é um erro primário, grosseiro – uma mediocridade cometida por aqueles que pouco, ou nada, sabem a respeito do esoterismo, mas tão somente ao pseudoexoterismo grosseiro,  como uma nova e arejada filosofia de vida. O que vemos hoje é que, por várias razões, um grande número de pessoas perdeu a confiança nestas organizações; pois elas têm sido manipuladas e adaptadas em favor de determinados elementos inclinados para a obtenção de poder pessoal sobre seus semelhantes, numa clara demonstração contrária as Leis Universais.

        Magista é aquele que pratica magia, mas ele não será necessariamente um Iniciado, ou alguém que possua alto grau de espiritualidade, e nem tem que forçosamente pertencer a qualquer organização fundada por homens. A conotação de magista difere fundamentalmente daquela de um Magus, que representa um grau Iniciático dentro da hierarquia da Ordem que não tem Nome entre os mortais.
  
        O perigo essencial das Fraternidades obscuras está na roupagem disfarçada e nas manobras de saber disfarçar-se em algo positivo a evolução humana, mas que será absolutamente pernicioso ao meio. Distorções e sandices encontradas nos meios pseudomísticos, cujas verdades distorcidas cuidadosamente, por seres realmente mal intencionados, levam o verdadeiro ocultista, a assumir a reação de dar numa sonora gargalhada, tamanha as basbaquices por estes empregadas. Tais Irmãos Negros dão a falsa impressão de serem exímios conhecedores do assunto. É por essas e outras razões que dizia A. Crowley com seu humor: “Não há limites ao abismo e Idiotice em que os falsos sábios nos queiram lançar”.

        Não irei analisar o tributo aos hilários magistas de  mesa de bar, que sequer tiveram coragem de ousar, e que além de mal informados sobre Magia e seus labirintos, é forçoso reconhecer que a maior parte das pessoas que se lançam nesses arroubos de sábios ocultistas, satânicos ou pervertidos, estão longe, mas muito longe, de serem modelos de inteligência e de conhecimento, e que só aos imbecis ou fracos de espírito poderiam inspirar confiança, pois além de tomarem o “trem andando”, o pegam no rumo errado. Isto acontece com muita gente. Ficam perdidas e sujeitas a informações tão enganadoras e maldosas que, ao invés de orientá-las devidamente ao caminho certo, tornam a situação ainda mais desesperadora e, diga-se de passagem, infinitamente perigosa.

Uma vez as pessoas desorientadas e perdidas, cercadas por pseudogurus, cairão, numa terrível armadilha que impedirá o aspirante de retornar seu caminho naquele tempo existencial em Busca da Luz Maior.

Assim, buscadores do oculto estão, na maioria das vezes, sujeitos a esta perigosa situação, por não saberem onde o buscar o caminho que os leve de volta ao plano da Assunção Espiritual.

Incomoda, incomoda muito a certos pseudomagistas que a verdade seja dita aberta e cristalinamente sobre fatos da Iniciação. E em represália a esta verdade, muita mentira, muita ofensa moral e muita difamação é direcionada contra nós, mas que esquecem de olharem seus próprios umbigos, pois a dor de barriga não aparece somente uma vez na vida.

        Esta é uma tentativa de clarear certos aspectos do chamado Esoterismo ou Ocultismo, dêem o nome que mais lhes aprouver.

        Muito é dito e escrito sobre  Magia e Entidades da Goetia cujas  narrativas de antigos anciões ou sacerdotes guardam, com profundo zelo uma grande Sabedoria transcendental. 

        Tais Mestres Secretos ensinam que antes de um contato com estes seres da Goetia, se faz necessário o contato e comunicação com uma alta fonte, sempre divina sincretizada no encontro com o Sagrado Anjo Guardião, com Adonai ou com Mestre Interior.

        Tais segredos desta comunicação são profundos e asseguro que  somente pouquíssimos estariam habilitados a entende-los e usá-los. Também é assertiva que a posse desses conhecimentos trazem de fato poderes que devem ser manuseados para benefício da humanidade.

        Entretanto, como se pode saber mais a respeito disto, sobre essas organizações, seus conhecimentos, se suas ações são secretas?

    Não seriam exatamente secretas e possivelmente mais discretas. É fato que algumas Organizações discretas são portas para as verdadeiras sociedades secretas.