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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Druidas, os sábios da floresta

Em todos os países celtas, o druida desempenhava um papel primordial na sociedade: aconselhava o rei, ensinava ciências, sobressaía-se na medicina e na astronomia. Era também o padre, o juiz e a memória do povo. Sabiamente, não deixou escritos para testemunhar sua generalidade.

Uma comunidade de sábios deixa poucos traços materiais de sua existência. Para fazer a reconstituição da história dos druidas e encontrar suas mensagens, dispomos apenas, infelizmente, do testemunho de autores a serviço do Império Romano e de lendas compiladas por monges irlandeses, gauleses e bretões da Idade Média. Documentos por vezes muito suspeitos, mas numerosos e de procedências bastante diferenciadas, eles permitiram que fossem feitas verificações, e algumas de suas informações foram confirmadas por descobertas arqueológicas. Assim, historiadores, lingüistas e arqueólogos restabelecem, pouco a pouco, a herança perdida.

O prestígio dos druidas era imenso. Júlio César relatou que eles recebiam grandes honras, a ponto de serem dispensados do serviço militar e isentos de qualquer encargo, inclusive do pagamento de impostos. Os druidas certamente se ocupavam das tarefas da religião e presidiam os rituais públicos mas, magistrados respeitados, faziam igualmente com que fosse cumprida a justiça, regulamentando as diferenças entre particularidades ou entre povos. Não havia apelação contra as suas sentenças, e os imprudentes que não as respeitassem sofriam os rigores da interdição, eram banidos da sociedade  e totalmente excluídos de qualquer vida social.

No país dos carnutos

Um historiador do século 4, Ammien Marcellin, acreditava que os druidas  estavam ligados em confrarias que obedeciam aos preceitos de Pitágoras. Júlio César, por sua vez, relatou que eles obedeciam um chefe único, possuidor de uma grande autoridade. Com sua morte, seu sucessor era escolhido em função de seu mérito, ou ainda eleito por seus pares. A cada ano, numa data fixa, uma grande assembléia  reunia os druidas da Gália em um lugar consagrado, no país dos carnutos. Diferentes descobertas arqueológicas permitiram supor que esse lugar estaria próximo de Saint-Benoît-sur-Loire, na França. Apesar das lutas e das rivalidades que colocavam constantemente em choque as inúmeras tribos gaulesas, essa assembléia de sábios, que pairava acima dos diferentes grupos, sabia manter uma certa forma de coesão social e criar um sentimento de união céltica. Foi por isso que os imperadores romanos, pretextando os supostos sacrifícios humanos, perseguiram os druidas até conseguir seu desaparecimento total.

Os brâmanes do Ocidente

Devido à sua sabedoria e à sua ciência, os druidas gauleses foram muitas vezes associados aos brâmanes da Índia pelos autores da Antigüidade. Após o fim do século 18, os lingüistas demonstraram o parentesco indo-europeu unindo, além das distâncias e das fronteiras, a civilização céltica à da Índia védica. Os druidas foram oficialmente reconhecidos como os brâmanes do Ocidente. No entanto, a confraria dos druidas nunca se tornou uma casta; a função sempre foi conquistada pelo mérito, depois de muitos estudos, e não por herança.

Os celtas, profundamente religiosos, iam em grande número buscar instrução junto a seus druidas. Estes, filósofos e idealistas, não admitiam a representação antropomórfica dos deuses, nem a construção de templos, verdadeiras blasfêmias, insultos às divindades. Por essa razão não havia uma estatuária religiosa celta antes da conquista romana.

A exemplo dos antigos brâmanes, os druidas se recusavam a confiar à escrita seus conhecimentos e suas tradições: "Parece-me que eles estabeleceram esse uso por dois motivos", explicou Júlio César, "porque não queriam que sua doutrina fosse divulgada, nem que, por outro lado, seus alunos confiassem na escrita, negligenciando sua memória". Tradição escrita significava tradição morta e definitivamente fixada. Quando se pensa nas querelas relativas às interpretações dos textos sagrados que ensangüentaram as religiões da bíblia, só se pode admirar a prudente sabedoria dos druidas; ainda que, devido ao seu silêncio, sua doutrina poderia ter desaparecido para sempre, junto com eles.

Todavia, apesar do segredo de seus ensinamentos, a doutrina dos druidas tornou-se conhecida de todos: ela diz respeito à imortalidade da alma e à existência de uma outra vida após a morte, ou mais exatamente, à continuidade da vida após a morte, com a vida mudando de invólucro e passando para o Outro Mundo: "Há um ponto de seu ensinamento que se difundiu entre as pessoas comuns, aparentemente para incutir nelas a bravura para o combate, e é o de que as almas são imortais e que entre os mortos se alcança uma outra vida", escreveu Pompônio Mela, que acrescentou um detalhe curioso: "Outrora, até os registros comerciais e a cobrança dos créditos eram levados para o além."

Na mesma época, o poeta Lucano, um jovem dândi romano, materialista e ateu, declarou: " A morte, se o que cantais é real, é metade de uma longa vida. Feliz ilusão dos povos que contemplam a Ursa: pois não aprendem o mais forte dos medos, o terror do óbito."

A sabedoria dos druidas soube tornar os celtas despreocupados, livres e felizes. Eles eram indiferentes ao seu próprio destino na batalha. Nada se perfilava no horizonte de sua passagem pela Terra. Uma outra vida feliz, sem inferno nem purgatório, esperava por eles no Outro Mundo. Ficamos sabendo, através das narrativas dos celtas insulares, que esse Outro Mundo, espécie de universo paralelo, o "sidhe", poderia estar situado, simbolicamente, em uma ilha do oceano, no extremo ocidente, ali onde todos os dias o sol se punha, ou seja, a ilha da Felicidade; ou ainda imaginá-lo no norte do mundo como a ilha de Avalon. A cada ano, por volta de 1º de Novembro, durante a festa de Samhain, que marcava o início do ano celta, o tempo e o espaço deixavam de existir e os dois mundos se comunicavam. As elevações neolíticas, as aléias cobertas, os túmulos e os dólmens formando corredores serviam de pontos de contato privilegiados com o mundo dos desaparecidos; prova de que os celtas e seus druidas não tinham qualquer dúvida quanto à antigüidade e à função funerária desses monumentos.

A morte das florestas conduz à dos druidas

Muito sábios, os druidas também foram, sem dúvida alguma, homens da madeira, da árvore e do carvalho. Todos os testemunhos foram unânimes nesse ponto: poetas, geógrafos e historiadores associam os druidas às florestas. Foi por isso que a conquista da Gália teve o caráter de guerra contra as árvores; e César "foi o primeiro a ousar tomar um machado, brandi-lo e cortar com o ferro um carvalho perdido nas nuvens", escreveu Lucano.

O desflorestamento intensivo da Gália perpetrado pelos romanos contribuiu de forma tão eficaz para o desaparecimentos dos druidas quanto os éditos dos imperadores Tibiro e Cláudio (que proibiram a prática do druidismo nos territórios romanos). Quando São Patrício, em meados do século 5, foi especialmente a Glastonbury com o objetivo de cristianizar definitivamente o local sagrado dos celtas, começou por fazer com que fossem derrubada, com machados e picaretas, todas as árvores que cobriam a célebre colina do Tor. Lutar contra as árvores era, ainda nessa época, uma maneira de lutar contra o druidismo.

Nas clareiras, no coração de florestas densas, protegidas pela penumbra de criptas vegetais, os druidas transmitiam pacientemente a seus discípulos sua sabedoria imemorial: "Eles declararam conhecer a grandeza e a forma da Terra e do Mundo, os movimentos do céu e dos astros, assim como a vontade dos deuses. Eles ensinavam à elite de seu povo uma grande quantidade de coisas, em segredo e durante muito tempo (20 anos), fosse numa caverna ou em pequenos vales (arborizados) afastados."

Guias espirituais e cientistas

Os druidas não ensinavam apenas uma religião, mas uma metafísica da Natureza. Sua confraria reunia a aristocracia do saber e da filosofia. Guias espirituais, eles eram também cientistas, físicos e astrônomos. Para lutar contra sua influência sobre a juventude, os romanos criaram escolas públicas na Gália. Infelizmente, o ensinamento oferecido pelos professores latinos foi desastroso porque unicamente literário: gramática, versificação, retórica, a arte de escrever, de discorrer com ênfase sem dizer nada, mas segundo regras escritas, determinadas; em suma, um ensinamento fútil destinado a fornecer um verniz cultural e asfixiar qualquer gênio. Ao contrário da escola dos druidas, a dos colonizadores desprezava a filosofia, ignorava as ciências naturais, a geografia, a matemática, rejeitava a medicina. Mas para obter cargos e honras do novo regime, os jovens gauleses abandonavam o estudo do saber ancestral. Optavam por não mais sacrificar 20 anos de suas vidas para adquirir a sabedoria. Em agradecimento, os imperadores romanos ofereciam aos colonizadores  seus circos e suas arenas, teatros de jogos sangrentos, combates de gladiadores até a morte, execuções de condenados, enquanto reprovavam os druidas por (supostamente) praticarem sacrifícios humanos.

Tibério havia decidido pela erradicação do druidismo. O imperador Cláudio desejava concluir sua obra: "Ele aboliu completamente na Gália a religião atroz e bárbara dos druidas", relatou Suetônio. Plínio, o Velho, contou como ele condenou à morte um gaulês unicamente porque o infeliz levava nas dobras de sua toga, no curso de um processo, um ovo de serpente, suposto talismã, provando suas estreitas relações com os druidas. Estes, então, escolheram o exílio na Grã-Bretanha, terra-mãe do druidismo (nota: afirma-se que o druidismo surgiu na Grã-Bretanha quando os celtas lá chegaram vindos do continente. Sua espiritualidade teria se fundido à espiritualidade dos povos neolíticos das ilhas britânicas e assim, surgido o druidismo que em seguida foi levado à Gália) . Os druidas atravessaram a Mancha para não ver mais os romanos. Mas isso seria pedir demais.

Seu último refúgio: a Irlanda

Para muitos deles, reagrupados em comunidades, o exílio britânico terminou no ano de 61, na terrível matança da ilha de Mona (na época, um grande  colégio druídico, hoje é a atual Anglesey), onde homens, mulheres e crianças foram assassinados, e da qual o historiador Tácito nos deixou uma terrível descrição, antes de concluir: "Colocou-se então uma guarnição nas casas dos vencidos e foram destruídas suas madeiras consagradas a cruéis superstições". Só restou aos druidas um único refúgio, aquele que permaneceria inviolado e inviolável enquanto seus habitantes respeitassem seus deuses: a Irlanda. Foi então que a lenda se misturou estranhamente à história.

Eles aterrizaram na Irlanda numa segunda-feira, quando da festa de Beltane. Chegaram sem navios ou barcos, sobre sombrias nuvens somente com a força de seu druidismo. Trouxeram com eles a Pedra Lia Fail, a Pedra do Destino, para o Ônfalo (umbigo) do Mundo que ficava em Tara, centro sagrado da Irlanda; trouxeram também a Lança de Lug, a espada de Nuada e o Caldeirão do Dagda: objetos fabulosos que se encontram sob diversas formas em todas as lendas da tradição celta. "Os Tuatha Dé Dánann estavam nas Ilhas do Norte do Mundo, aprendendo a ciência e a magia, o druidismo, a sabedoria e a arte. E ultrapassaram todos os sábios das artes do paganismo." (A Segunda Batalha de Mag Tured" - ou Moy Tura, traduzido para o francês por C. J. Guyonvarc'h).

Essas três palavras, Túatha Dé Dánann, significam Tribo da Deusa Dana. Mas o historiador irlandês Geoffrey Keating forneceu, no século 17, outra explicação, coincidente com a teoria das três funções, fundamento da sociedade indo-européia e, conseqüentemente, da sociedade celta (nobres/sacerdotes/artesãos), segundo Georges Dumézil: "Outros dizem que eles se chamam Túatha Dé Dannan devido aos três grupos que formavam quando vieram para a Irlanda nessa expedição. O primeiro bando, que se chamava Túath, tinha a posição de nobreza e comando das tribos. (...) O segundo bando era o que se chamava de Dé (deuses) assim com eram seus druidas. O terceiro bando, que se chamavam Dánnan, era o das artes ou das técnicas ." (...)

As lendas são verdadeiras, tão verdadeiras quanto a história.

Júlio César, informado por seus espiões, afirmou: "Acredita-se que sua doutrina nasceu na Grã-Bretanha e dessa ilha foi para a Gália".

Religião dos Celtas

Antes de qualquer explicação ou exposição da religião dos celtas é necessário rever certos conceitos. Não podemos encara-la como uma instituição ou mesmo como algo que coexistia com outros campos da vida das pessoas. Não existia um momento para a pessoa trabalhar, outro para se divertir e outro para se dedicar à religião. A religião estava em tudo isso, era ela quem norteava o comportamento e a conduta dos celtas. O trabalho, os tempos de entretenimento, a arte, enfim, tudo estava ligado à religião.
O druidismo é ainda um assunto bastante obscuro e objeto de diversos estudos que tentam esclarece-lo. Portanto, todas fontes de informação que se tem sobre a religião dos celtas (e não são poucas) deve-se ter certa cautela ao aceita-las como verdades absolutas. Sites da Internet existem centenas tratando do assunto, cada um dizendo algo diferente. Livros existem outras centenas (muitos deles, logo nas primeiras páginas se nota que não são estudos sérios). Já me deparei com livros psicografados assinados por Druidas ancestrais – sem duvidar da capacidade mediúnica, mas logo no prefácio já podia se perceber que o livro não passava de uma grande farsa. O misticismo está em voga: duendes, fadas, cristais mágicos, incensos e coisas do gênero estão sendo banalizados pelo lucrativo mercado das bugigangas. Dessa forma o conhecimento ancestral se torna produto de lojinha de “shopping center” e, com isso, abre espaço para que uma corja de pessoas se auto-intitulem conhecedoras do assunto e passam a propagar um amontoado de mentiras somente para vender! Por isso, logo de cara, aviso: Não sou dono da verdade e tento, ao máximo, “filtrar” o tipo de informação que divulgo na Casa Celta, principalmente se tratando da religião dos celtas. O texto que segue tem como intuito expor todas as correntes de pensamento (obviamente, levando em consideração somente as coerentes)

Druidismo
Alguns estudiosos preocupam-se em discernir duas correntes religiosas: a céltica e a druídica. Embora muito semelhantes (levando-se em conta que a céltica é derivada da druídica) existe uma tendência a fazer certas considerações. Acredita-se que o celtismo era mais rudimentar e mais ligado ao culto da Mãe Natureza, enquanto o druídismo apegava-se a diversas divindades ligadas à natureza.

Pode-se afirmar que o druidismo se baseava em dois grandes princípios: o Respeito à Natureza e na crença da imortalidade. Os druidas eram os sacerdotes e presidiam as cerimônias religiosas, e exerciam outras funções que serão discutidas mais à frente.

Acreditavam na figura suprema da Deusa-Mãe e em divindades“elementais” (do ar, da água, do fogo e da terra). Alguns estudiosos atestam o politeísmo do povo celta, outros já o consideram monoteísta e todas as divindades nada mais eram que extensão de uma Deusa-Mãe. Outros os descrevem como monoteístas, que cultuavam o deus-fogo Beal, ligado ao sol (a exemplo de Ra para os egípcios).

Algumas árvores tinham importante significância na religião celta, como era o caso do carvalho (ligada à sabedoria e ao druidas), o freixo (ligado à proteção), o salgueiro (ligado às divindades da água), e etc. Alguns animais também tinham sua simbologia - o touro, por exemplo, estava representava a fertilidade e a serpente ligada à sabedoria.

A crença na alma e na vida após a morte está presente no druidismo. Os celtas acreditavam na existência do “Outro Mundo”, aonde residem os antepassados e demais espíritos. Acreditavam também que determinadas pessoas eram dotadas do poder de comunicação com este mundo. Acredita-se que o fato de os guerreiros celtas serem bravos e destemidos venha da certeza que eles tinham de que a morte nada mais é que uma passagem.

Como eram os rituais celtas para honrar seus deuses isto é difícil precisar. Sabe-se que as cerimônias eram realizadas em lugares abertos, em campos e florestas. As florestas de carvalho eram de predileção dos druidas, pelo fato do carvalho ser considerado uma árvore sagrada. Nestes locais construíam-se círculos de pedras, onde eram realizadas as cerimônias religiosas - o mais famoso deles é Stonehenge.
No entanto, estudos recentes defendem que estes círculos de pedra, na verdade, eram usados como observatórios astronômicos e não como construções religiosas. Com isto, abre-se espaço para discussão dos elementos de culto dos celtas e dos druidas, o que faria do druidismo uma religião fortemente influenciada pelas estrelas e pela observação dos astros (como a religião egípcia).
Vestígios arqueológicos confirmam que os druidas conduziam sacrifícios humanos, porém, as razões e a maneira como este tipo de cerimônia era realizado ainda é obscura.
Druidas
No druidismo – como o próprio nome sugere – os líderes religiosos eram o Druidas, que constituíam uma classe privilegiada dentro da sociedade celta. Eram eles que presidiam as cerimônias religiosas, realizavam os sacrifícios humanos e conduziam oráculos. Além das funções religiosas, desempenhavam as funções de educadores, juízes e eram os responsáveis pela conservação da história e da tradição celta. Eram sábios e tinham conhecimentos de medicina, agricultura e astronomia. É importante lembrar que os druidas, temerosos aos registros escritos, passaram todo seu conhecimento oralmente de geração para geração. As mulheres também integravam a classe druídica. Eram, em sua maioria, profetizas.
Os druidas eram a única classe que transcendia as divisões tribais. Foram os grandes responsáveis pela unidade do mundo celta. Onde hoje está localizada Orleánais (França), estes sacerdotes organizaram uma grande assembléia geral, cuja sede situava-se nas proximidades de onde hoje é a cidade francesa de Sully-sur-Loire.
Roma logo condenou o druidismo, percebendo que os druidas eram a grande força política do mundo celta. Mesmo assim eles perduraram até a Idade Média, na Irlanda, e até o século V na Gália.
Pouco se sabe sobre os druidas, exatamente pelo fato de não fazerem uso da escrita (embora, crê-se que eles tiveram conhecimento de um sistema de escrita rúnico). Contudo, pode-se afirmar que eles existiram, exerciam grande influência na vida céltica e eram extremamente privilegiados nos conhecimentos. Relatos registram a coragem dos druidas na defesa de sua crença, sendo que muitos morreram durante a repressão romana. Especula-se que os druidas não eram originários da civilização celta, o que faz deles um povo distinto, cuja história e origem pouco se sabe.

O paganismo atual (WICCA)


A Arte (como é chamada a religião Wicca) é uma religião de amor e alegria, também é uma religião xamânica, pois prega a existência de mundos paralelos ao nosso e a possibilidade de contato com os seres deste outros mundos , ao contrário do cristianismo não prega a felicidade unicamente após a morte.
A simpatia pela natureza se deve a um sentimento arraigado de pertencermos a ela e não a idéia de que Deus criou a natureza para ser dominada e explorada pelo homem. Um animal é um irmão, assim como uma pedra ou uma árvore. A mulher tem um papel muito importante na Bruxaria pois como mãe ela é uma personificação da Grande Mãe Natureza.


Devido a civilização o Homem moderno perdeu grande parte de sua conexão com a Terra, mas este não é o caso do bruxo, mesmo neste mundo mecanizado e sofisticado o Wiccanianos mantêm seu vínculo e culto a Mãe Natureza, pois reconhecem seu poder e percebem sua alma (Anima Mundi).
Filosofia
A pedra angular da Bruxaria e seu credo é:

1- Praticamos uns ritos para nos colocar em harmonia com o ritmo natural das forças naturais marcadas pelas fases da Lua e das Estações. 2- Temos consciência de que nossa inteligência nos outorga uma responsabilidade única em relação ao meio ambiente Pretendemos viver em harmonia com a Natureza, num equilíbrio ecológico e respeitando a vida dentro de um conceito evolucionário. 3- Reconhecemos um poder maior do que o detectado pela pessoa comum, tão forte que pare sobrenatural, porém que encaramos como algo que pode ser alcançado por todos. 4- Cremos num poder criativo do Universo que se manifesta através da polaridade- como masculino e feminino e, este mesmo poder reside em todas as pessoas e opera mediante a interação do masculino e feminino. Valorizamos a ambos por igual, sabendo que cada um é o apoio do outro. Valorizamos o sexo como prazer, como o símbolo e manifestação da vida . 5- Reconhecemos tanto o mundo externo como o interno ou psíquico, às vezes conhecido como mundo espiritual , O Inconsciente Coletivo, ou Planos interiores, vendo a interação entre estas duas dimensões como base para os fenômenos paranormais e exercícios mágicos. Prestamos igual atenção às duas dimensões, considerando ambas necessária para nossa realização. 6- Não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos os que nos ensinam, respeitamos os que compartilham seus conhecimentos e sabedoria e respeitamos os que valentemente se dedicam a serem mestres. 7- Consideramos que a religião, a magia e a sabedoria nos unem em nossa forma de contemplar e viver dentro do mundo e identificamos esta filosofia e visão mundial com a bruxaria o caminhos dos Wiccanianos. 8- O chamar-se bruxa/o não constitui uma bruxa, nem a herança em si, nem a coleção de títulos, graus ou iniciações. Uma bruxa pretende controlar as forças vitais dentro de si mesmo a fim de viver sabiamente, em harmonia com a Natureza e sem prejudicar ninguém. 9- Afirmamos nossa crença na vida, no progresso da evolução e no desenvolvimento do conhecimento , os quais dão significado ao Universo conhecido por nós e nosso papel dentro dele 10- Nossa única rixa com outras religiões é quanto a serem o único caminho, privando a liberdade aos demais e suprimindo outras práticas e crenças religiosas 11- Não nos preocupamos com debates sobre a história da Arte, origens e legitimidade de diferentes tradições, interessamo-nos só pelo presente e futuro. 12- Não aceitamos o conceito de mal absoluto, nem adoramos nenhuma entidade maligna.Não buscamos o poder através do sofrimento dos demais. 13- Cremos que devemos buscar dentro da Natureza para nossa saúde e bem-estar

 Existe uma enorme diferença o que é visível e o que a Wicca realmente é; porém, como é difícil traduzir  seja em palavras ou algo perceptível e palpável, também é compreensível sua banalização, como forma de popularizar ou introduzir os interessados neste tema, mesmo que, algumas vezes, esta forma cause equívocos ou traga conseqüências negativas, pois mesmo esta é uma forma de aprender; afinal também se aprende com os próprios erros.
Tentando dissolver as brumas que encobrem o assunto: a Wicca é o nome dado para antiga religião praticada pelos povos Celta, também conhecida como bruxaria ou a “Arte”.

Como sua origem é européia não tem relação, exceto algumas similaridades, com práticas de povos orientais, africanos ou indígenas, muito embora coexista tranqüilamente com estas, pois respeita o que de melhor cada povo desenvolveu.

É uma religião, filosofia e estilo de vida, transmitida por tradição oral, muito embora possuíssem escrita, os Celtas não usavam a escrita para registrar ou fixar seus procedimentos, pois consideravam que escrevendo limitavam o desenvolvimento desta religião, que tendo uma linha diretriz poderia ser maculada pelas contingências, valores, conceitos e até mesmo interesses de uma época.

Esta falta de um código escrito possibilitou a ocorrência de duas coisas; uma muito positiva, a sua evolução e atualidade, pois tendo crescido em células familiares se desenvolveu sem grandes pretensões de atingir o grande público, mantendo também sua essência. Outra conseqüência foi que se criasse e atribuísse a Wicca conceitos, práticas que não lhe pertenciam, o que é bem óbvio para quem entende o seu cerne e sabe que muitas vezes colidem, mas que para o grande público passa imperceptível, incorporando práticas de outras tradições, talvez com intuito de completá-la, só que ela é completa.

É difícil aceitar como positiva esta miscelânea, pois cada tradição é o substrato filosófico e espiritual de uma cultura, liga cada povo à sua Egrégora, ou melhor, explicando, quando praticamos as tradições de nosso povo reforçamos os laços de identidade cultural, vínculos com o plano espiritual correspondente e com nossos mentores. O ecletismo forma uma cultura homogênea que nivela por baixo, para ter aceitabilidade, mutila conceitos e valores de suas tradições de origem transformando-as em meras práticas para o alcance de objetivos bem distantes do conteúdo espiritual a que se destinavam primordialmente, não promovendo, portanto, nem crescimento, nem equilíbrio e nem espiritualidade.

A propósito deste tema, esta miscelânea espiritual, o filósofo americano Ken Wilber denominou este processo de adoção seletiva de alguns valores e conceitos de uma filosofia para a sua aplicação fora de contexto, de “Boomerite” para ele este fenômeno apareceu com a geração pós guerra ( os Baby Boomers) , que pretendendo entender os valores orientais, adotaram práticas como a meditação budista buscando a iluminação e transcendência que as religiões do Ocidente não promoviam, só que desconsiderando o fato de que estas práticas vem de um contexto de valores e costumes de um povo que são impraticáveis no mundo ocidental, praticas assim fora de contexto criam um falso verniz de consciência e evolução sem desatar nós internos.

De modo que sendo a Wicca uma tradição ocidental é uma fonte mais fácil de ser assimilada por ocidentais.

Não que isto signifique que seja superior, ou melhor. A Wicca não é uma religião de massa, seu caminho é para os buscadores individuais que estejam dispostos a desenvolver a consciência, a identidade e a conexão com a própria alma.

A Arte é freqüentemente associada a feitiços, ritos para a obtenção de algo, como se sua finalidade fosse exclusivamente esta, uma interpretação errônea do fato de utilizarmos materiais e o auxilio de força elemental de plantas, pedras, fogo etc. em rituais, por que desenvolvemos a capacidade de acessar a consciência presente em tudo, interagimos com ela podendo, também pedir o auxílio.

A prática da magia é uma conseqüência de longos anos de treino para o desenvolvimento da consciência, a percepção de universos paralelos e a criação do que chamamos de personalidade mágica, um senso de identidade ampliada que suplanta a comum. Assim, a mera execução de feitiços descritos em livros ou sortilégios não são operações de magia é preciso estar habilitado para executá-las, aliás, quando se está habilitado nem é  preciso executa-las.

O desenvolvimento da percepção nos habilita a lidar com experiências de limiar ,ou “entre mundos”(momentos ou situações de transição como fases da Lua, as estações do ano e seus quartos,chamados festivais entre outros incluindo transições pessoais, fases de crescimento etc.). Esta percepção traz consigo a capacidade de avaliar com reverência o poder contido nestes momentos como portais.

O desenvolvimento da consciência é um tanto parecido, pois através da consciência acessamos estes portais. A consciência não se forja senão com empenho, não se pula etapas, não se acessa um determinado portal com a exceção de um rito se não houver desenvolvido a consciência  necessária para assimila-lo , quanto muito, o que pode acontecer é que se  tenha impressões distorcidas, maculadas pela própria ignorância e dificuldade em interpretá-las, não trazendo nem crescimento, nem  evolução, pelo contrário pode causar desequilíbrio psíquico, como no caso de alucinações, medos etc., resultados comuns em praticantes inexperientes que querem alçar vôos mais altos sem a devida competência.

A personalidade mágica é o resultado de um processo de auto-transcendência e é pressuposto para que ocorra a iniciação, quando se recebe um novo nome com o qual passa a se apresentar diante do plano espiritual que o recebe como iniciando o caminho. A iniciação não é conferida pela bruxa/o mais experiente, ela é confirmada num rito onde o iniciado sela seu compromisso, mas depois da autorização do plano espiritual .

O treinamento mágico inclui não apenas um conhecimento teórico, o desenvolvimento espiritual, o auto-conhecimento, o desenvolvimento de habilidades psíquicas, como também uma prática de  desenvolvimento integral, por isso envolve assuntos tão díspares como culinária, sexualidade , uso medicinal e mágico de plantas, ervas, cristais, exercícios entre outros; acreditamos que a evolução só se dá se todos os aspectos evoluírem, pois desenvolver a mente  sem desenvolver o emocional, ou psíquico e o espiritual descompassa e dissocia o indivíduo  de sua natureza e ritmo e da Natureza, o desenvolvimento deve ocorrer em seus múltiplos aspectos, só se alcança outro nível quando todas as partes de si mesmo alcançaram este nível.

Os estados alterados usados na bruxaria devem ser alcançados naturalmente, caso contrário não há desenvolvimento da consciência, mas da inconsciência.

A Wicca também é confundida com movimentos culturais e modismos adotados pelos jovens. De um lado as novas gerações vêm de encarnações onde esta prática foi difundida, mas nascendo no contexto de hoje, os jovens podem misturar coisas que não correspondem ao estilo de vida wicca.

Um exemplo é o uso da roupa preta símbolo de introspecção e recolhimento não é nem uniforme de bruxo, nem uma forma de ser reconhecido como tal.

O mesmo se dá com os amuletos e pentagrama que embora possam ser de grande beleza, não são meros adornos.

Quais são os valores wiccanos? O estilo de vida natural, vital, primordial. Acreditamos que a formação dos valores atuais tornou a alimentação artificial, os relacionamentos artificiais e papéis artificiais.

Como no caso no essencial masculino e feminino a homogeneidade dos papéis violou a essência sob a égide de uma causa aparentemente nobre, a igualdade de direitos e deveres, perdeu-se a noção de que antes era preciso reconhecer as desigualdades. Assim como no caso do budismo Boomerite os ocidentais estavam desacostumados demais em respeitar os direitos femininos, não souberam realizar o processo de recuperação destes direitos de forma sábia, provocando profunda desorientação nos relacionamentos.

Como wiccanos buscamos o feminino e masculino primordiais traduzidos em nossas divindades, mas reconhecemos que houve conquistas no movimento feminista, inclusive o próprio ressurgimento da Wicca , já que a imagem da bruxa, não a velha feia e má, mas a mulher madura ,dona de si e sábia condizia muito com o papel que as feministas pretendiam ter, o seriado a feiticeira dos anos 60  é uma confirmação deste fato.

Mais tarde no movimento hippie outro valor wiccano veio à tona, a liberação sexual, com conseqüente mais liberdade no vestir e lidar com o corpo.

Nos anos 80 a busca por formas alternativas de cura e o aparecimento do movimento ecologista, resgatou a idéia de que a Natureza e nós fazíamos parte de um grande organismo vivo Gaia (conceito de James Lovelock), que precisávamos lutar pela vida, movimento que mobilizou indivíduos em todas as nações e pressionou governantes a mudarem o enfoque da exploração de recursos, a bruxaria sempre considerou a Terra uma Deusa e sempre considerou os seres vivos colegas.

A idéia superior e mais abrangente sobre a sacralidade do Planeta também  foi tratada por Ruperti Sheldrake em Renascimento da Natureza, onde apresentava o conceito de campos mórficos (alma) de plantas e lugares,algo como uma consciência que transmitia informações a indivíduos da mesma espécie,e incentivava a que mais do que preservar ou conhecer os lugares voltássemos a realizar peregrinações e realizar rituais em locais conhecidos como sagrados, centro de força (limiares, entre mundos), para que a nossa atitude reverente agregasse ainda mais poder a estes locais, conceito que justifica todo empenho de bruxos em realizar as celebrações em locais abertos na Natureza, agradecendo e abençoando a fertilidade da Terra.

Na Europa estes locais sagrados, os nemetons e fontes sagradas onde os druidas realizavam seus rituais deram lugar à construção de igrejas, mantendo ainda assim o seu poder. Para a bruxaria a Natureza  intocada é por si só um templo, tendo a abóbada celeste como limite, idéia da prática da magia dos lugares é por que neles a energia telúrica e astral é maior, fator que colaboraria com a intenção desejada, semelhante ao que no oriente chama-se Feng Shui.

Mas não só as florestas de carvalho possuíam a força da natureza, mas o ser humano também, em seu corpo, mais precisamente na área sexual, justamente por sua função criadora. Aí então chegamos a um dos valores wiccanos mais polêmicos, pois enquanto outras filosofias consideram o sexo e a matéria em si como inferiores ao espírito, os wiccanos consideram-na o espírito corporificado e sem uma sexualidade saudável não há desenvolvimento integral e mais, esta sexualidade integrada abarca todas as orientações. Já seria controverso atribuir poder ao feminino e a Natureza frente as filosofia patriarcais, mas a idéia de uma sexualidade sagrada, tendo o corpo como templo, com ritos envolvendo sexo, eram valores audaciosos demais e até hoje sofremos preconceitos por isto.

Para os bruxos algo só é superior se puder abarcar ou transcender o que é inferior, nunca excluir, assim se possuímos um corpo tudo nele é natural e passível de ser um fator que contribua a nossa evolução.

Outro valor igualmente polêmico dentro da bruxaria é a possibilidade de contato direto com as divindades, por ser uma religião xamânica e sacerdotal é pressuposto que seus praticantes se desenvolvam a fim de obter contato com plano espiritual, não há fiéis, ou seja, leigos que obtenham orientação por meio do sacerdote. Esta comunicação pode ser realizada pela via xamânica, por sonhos e ainda complementada por oráculos, presságios e observação astrológica.

Pode parecer superstição para as mentes mais racionais ou céticas, mas para alguém com percepção ampliada é possível “ler” a vontade de Deus em tudo, por que a vida esta em perfeita comunicação com quem sabe ouvir. Daí muitos bruxos terem sido considerados profetas.

Outro valor importante é o de respeito a crença e filosofias diferentes da nossa, não queremos converte ninguém, cada qual deve seguir o que seu entendimento considera melhor, mas que não misturemos tradições o que nos afastaria de nossa família espiritual.

A bruxaria nunca foi “anti” alguma coisa, existe muito trabalho interno de que se ocupar para haver preocupação de se opor a algo.

Quanto muito, nos dedicamos a escrever e esclarecer usando dos meios disponíveis para retirar as brumas que séculos de perseguições nos envolveram e que praticantes mal informados acrescentaram, resgatando o tesouro espiritual do Ocidente da marginalidade, pois cedo ou tarde, as pessoas gostarão de reencontrá-lo para saciarem sua sede de espírito.

 A bruxaria é o caminho de viajantes, de buscadores antigos que respondem a um chamamento interno.
Esse chamamento se manifesta de diferentes maneiras. Pode ser através de um profundo e inexplicável interesse por História ou por Mitologia, por uma intensa necessidade religiosa e espiritual, que as crenças mais acessíveis não conseguem satisfazer, ou por uma marcada atração por livros e filmes que abordam o tema.

Mas, talvez, o caminho mais comum que traga as pessoas à Antiga Religião seja a tentativa de compreender o medo. O medo de não sei bem o quê, misto de interesse, preconceito e curiosidade que não se consegue apagar e, embora incômodo, permanece como uma forte tentação na qual se teme cair. Esse medo também pode se manifestar através de alergias a incenso, medo de facas ou de fogo. Pode soar estranho que um chamamento venha através do medo, mas, se lembrarmos as perseguições que durante séculos os adeptos da Antiga Religião já sofreram talvez a presença do medo se torne mais compreensível.

Existe, ainda, outro tipo de chamamento que podemos nomear como cármico. Se em outras vidas o trabalho espiritual que vinha sendo feito foi interrompido por alguma razão e permaneceu incompleto, ele retorna cobrando a finalização. É como se o tema que estava sendo trabalhado retornasse insistentemente até que o conhecimento necessário fosse alcançado.

Há, também, chamamentos que acontecem a partir de situações inesperadas tais como sonhos ou o reencontro com parceiros de alma ou sensações de déja vu.

Mas, seja qual for o caminho através do qual o chamamento se manifeste, sua principal característica é que, quando o acolhemos, a alma se aquieta e é inundada pelo sentimento de que, finalmente, estamos retornando para casa.

Treinamento em bruxaria para quem? Para os que estão sendo chamados.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Natal uma festa pagã!

O NATAL VEIO DO PAGANISMO.

PROVAS NA HISTÓRIA E NA BÍBLIA.

Enciclopédia Católica (edição de 1911): "A festa do Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja... os primeiros indícios dela são provenientes do Egito... os costumes pagãos relacionados com o princípio do ano se concentravam na festa do Natal".

Orígenes, um dos chamados pais da Igreja (ver mesma enciclopédia acima):
"... não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo".

Autoridades históricas demonstram que, durante os primeiros 3 séculos da nossa era, os cristãos não celebraram o Natal. Esta festa só começou a ser introduzida após o início da formação daquele sistema que hoje é conhecido como Igreja Romana (isto é, no século 4o). Somente no século 5o foi oficialmente ordenado que o Natal fosse observado para sempre, como festa cristã, no mesmo dia da secular festividade romana em honra ao nascimento do deus Sol, já que não se conhecia a data exata do nascimento de Cristo.

Se fosse da vontade de Deus que guardássemos e celebrássemos o aniversário do NASCIMENTO de Jesus Cristo, Ele não haveria ocultado sua data exata, nem nos deixaria sem nenhuma menção a esta comemoração, em toda a Bíblia. Ao invés de envolvermo-nos numa festa de origem não encontrada na Bíblia mas somente no paganismo, somos ordenados a adorar Deus, a relembrar biblicamente a
MORTE do nosso Salvador, e a biblicamente pregar esta MORTE e seu significado, a vitoriosa RESSURREIÇÃO do nosso Salvador, Sua próxima VINDA gloriosa, sua mensagem de SALVAÇÃO para os que crêem verdadeiramente e PERDIÇÃO para os não crentes verdadeiros.

1. JESUS NÃO NASCEU EM 25 DE DEZEMBRO

Quando Ele nasceu "... havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho."  (Lucas 2:8). Isto jamais pôde acontecer na Judéia durante o mês de dezembro: os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de outubro e [ainda mais à noite] os abrigavam para protegê-los do inverno que se aproximava, tempo frio e de muitas chuvas (Adam Clark Commentary, vol. 5, página 370). A Bíblia mesmo prova, em Cant 2:1 e Esd 10:9,13, que o inverno era época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frígidas noite, no campo. É também pouco provável que um recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1).

2. COMO ESTA FESTA SE INTRODUZIU NAS IGREJAS?

 The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (A Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog) explica claramente em seu artigo sobre o Natal:
"Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de dezembro) e comemorava o nascimento do deus sol, no dia mais curto do ano.

As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam a seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade pagã.

Recordemos que o mundo romano havia sido pagão. Antes do século 4o os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, e eram perseguidos pelo governo e pelos pagãos. Porém, com a vinda do imperador Constantino (no século 4o) que se declarou cristão, elevando o cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, o mundo romano começou a aceitar este cristianismo popularizado e os novos adeptos somaram a centenas de milhares.

Tenhamos em conta que esta gente havia sido educada nos costumes pagãos, sendo o principal aquela festa idólatra de 25 de dezembro. Era uma festa de alegria [carnal] muito especial. Agradava ao povo! Não queriam suprimi-la."

O artigo já citado da "The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge" revela como Constantino e a influência do maniqueísmo (que identificava o Filho de Deus com o sol) levaram aqueles pagãos do século 4o
(que tinham [pseudamente] se "convertido em massa" ao [pseudo] "cristianismo") a adaptarem a sua festa do dia 25 de dezembro (dia do nascimento do deus sol), dando-lhe o título de dia do natal do Filho de Deus.
Assim foi como o Natal se introduziu em nosso mundo ocidental! Ainda que tenha outro nome, continua sendo, em espírito, a festa pagã de culto ao sol. Apenas mudou o nome. Podemos chamar de leão a uma lebre, mas por isto ela não deixará de ser lebre.

A Enciclopédia Britânica diz:


"A partir do ano 354 alguns latinos puderam mudar de 6 de janeiro para 25 de dezembro a festa que até então era chamada de Mitraica, o aniversário do invencível sol... os sírios e os armênios idólatras e adoradores do sol, apegando-se à data de 6 de janeiro, acusavam os romanos, sustentando que a festa de 25 de dezembro havia sido inventada pelos discípulos de Cerinto."


3. A VERDADEIRA ORIGEM DO NATAL

O Natal é uma das principais tradições do sistema corrupto chamado Babilônia, fundado por Nimrode, neto de Cam, filho de Noé. O nome Nimrode se deriva da palavra "marad", que significa "rebelar". Nimrode foi poderoso caçador CONTRA Deus (Gn 10:9). Para combater a ordem de espalhar-se:
- criou a instituição de ajuntamentos (cidades);
- construiu a torre de Babel (a Babilônia original) como um quádruplo desafio a Deus (ajuntamento, tocar aos céus, fama eterna, adoração aos astros);
- fundou Nínive e muitas outras cidades;
- organizou o primeiro reino deste mundo.
A Babilônia é um sistema organizado de impérios e governos humanos, de explorações econômicas, e de todos os matizes de idolatria e ocultismo.

Nimrode era tão pervertido que, segundo escritos, casou-se com sua própria mãe, cujo nome era Semiramis. Depois de prematuramente morto, sua mãe-esposa propagou a perversa doutrina da
reencarnação de Nimrode em seu filho Tamuz. Ela declarou que, em cada aniversário de seu natal (nascimento), Nimrode desejaria presentes em uma árvore. A data de seu nascimento era 25 de dezembro. Aqui está a verdadeira origem da árvore de Natal.

Semiramis se converteu na "rainha do céu" e Nimrode, sob diversos nomes, se tornou o "divino filho do céu". Depois de várias gerações desta adoração idólatra, Nimrode também se tornou um falso messias, filho de Baal, o deus-sol. Neste falso sistema babilônico, a mãe e o filho (Semiramis e Nimrode encarnado em seu filho Tamuz) se converteram nos principais objetos de adoração. Esta veneração de "a Madona e Seu Filho" (o par "mãe influente + filho poderoso e obediente à mãe") se estendeu por todo o mundo, com variação de nomes segundo os países e línguas. Por surpreendentemente que pareça, encontramos o equivalente da "Madona", da Mariolatria, muito antes do nascimento de Jesus Cristo!


Nos séculos 4
o e 5o os pagãos do mundo romano se "converteram" em massa ao "cristianismo", levando consigo suas antigas crenças e costumes pagãos, dissimulando-os sob nome cristãos. Foi quando se popularizou também a idéia de "a Madona e Seu Filho", especialmente na época do Natal. Os cartões de Natal, as decorações e as cenas do presépio refletem este mesmo tema.

A verdadeira origem do Natal está na antiga Babilônia. Está envolvida na apostasia organizada que tem mantido o mundo no engano desde há muitos séculos! No Egito sempre se creu que o filho de Ísis (nome egípcio da "rainha do céu") nasceu em 25 de dezembro. Os pagãos em todo o mundo conhecido já celebravam esta data séculos antes do nascimento de Cristo.


Jesus, o verdadeiro Messias, não nasceu em 25 de dezembro. Os apóstolos e a igreja primitiva jamais celebraram o natalício de Cristo. Nem nessa data nem em nenhuma outra. Não existe na Bíblia ordem nem instrução alguma para fazê-lo. Porém, existe, sim, a ordem de atentarmos bem e lembrarmos sempre a Sua MORTE (1Co 11:24-26; Joã 13:14-17).


4. OUTROS COSTUMES PAGÃOS, NO NATAL: GUIRLANDA, VELAS, PAPAI NOEL

 A GUIRLANDA (coroa verde adornada com fitas e bolas coloridas) que enfeita as portas de tantos lares é de origem pagã. Dela disse Frederick J. Haskins em seu livro "Answer to Questions" (Respostas a Algumas Perguntas): "[A guirlanda] remonta aos costumes pagãos de adornar edifícios e lugares de adoração para a festividade que se celebrava ao mesmo tempo do [atual] Natal. A árvore de Natal vem do Egito e sua origem é anterior à era Cristã."

Também as VELAS, símbolo tradicional do Natal, são uma velha tradição pagã, pois se acendiam ao ocaso para reanimar ao deus sol, quando este se extinguia para dar lugar à  noite.


PAPAI NOEL é lenda baseada em Nicolau, bispo católico do século 5
o. A Enciclopédia Britânica, 11ª edição, vol. 19, páginas 648-649, diz: "São Nicolau, o bispo de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em 6 de dezembro... conta-se uma lenda segundo a qual presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre... deu origem ao costume de dar em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de dezembro), data que depois foi transferida para o dia de Natal. Daí a associação do Natal com São Nicolau..."

Os pais castigam a seus filhos por dizerem mentiras. Porém, ao chegar o Natal, eles mesmos se encarregam de contar-lhes a mentira de "Papai-Noel", dos "Reis Magos" e do "Menino Deus"! Por isso não é de se estranhar que, ao chegarem à idade adulta, também creiam que Deus é um mero mito.      -      Certo menino, sentindo-se tristemente desiludido ao conhecer a verdade acerca de Papai Noel, comentou a um amiguinho: "Sim, também vou me informar acerca do tal Jesus Cristo!"      -     É cristão ensinar às crianças mitos e mentiras? Deus disse: "... nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um  com o seu próximo;"  (Lev 19:11). Ainda que à mente humana pareça bem e justificado, Deus, porém, disse: "Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte."  (Prov 16:25).

Estudados os fatos, vemos com assombro que o costume de celebrar o Natal, em realidade, não é costume cristão mas, sim, pagão. Ele constitui um dos caminhos da Babilônia no qual o mundo tem caído!


5. O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A ÁRVORE DE NATAL?

As falsas religiões sempre utilizaram a madeira, bem como as árvores, com fins de idolatria:

  "Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do álamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram." 
(Os 4:13)
  "Não plantarás nenhuma árvore junto ao altar do SENHOR teu Deus, que fizeres para ti."  (Deut 16:21)

Essas árvores ou pedaços de madeira serviam para adoração e culto doméstico. O pinheiro – símbolo natalino – possui a mesma conotação.


6. É BÍBLICA A TROCA DE PRESENTES?

Biblioteca Sacra, vol. 12, páginas 153-155: "A troca de presentes entre amigos é característico tanto do Natal como da Saturnália, e os cristãos seguramente a copiaram dos pagãos, como o demonstra com clareza o conselho de Tertuliano".

O costume de trocar presentes com amigos e parentes durante a época natalina não tem absolutamente nada a ver com o cristianismo! Ele não celebra o nascimento de Jesus Cristo nem O honra! (Suponhamos que alguma pessoa que você estima está aniversariando. Você a honraria comprando presentes para os seus próprios amigos??... Omitiria a pessoa a quem deveria honrar??... Não parece absurdo deste ponto de vista?!...)

Contudo, isto é precisamente o que as pessoas fazem em todo o mundo. Observam um dia em que Cristo não nasceu, gastando muito dinheiro em presentes para parentes e amigos. Porém, anos de experiência nos ensinam que os cristãos confessos se esquecem de dar o que deviam, a Cristo e a Sua obra, no mês de dezembro. Este é o mês em que mais sofre a obra de Deus. Aparentemente as pessoas estão tão ocupadas trocando presentes natalinos que não se lembram de Cristo nem de Sua obra. Depois, durante janeiro a fevereiro, tratam de recuperar tudo o que gastaram no Natal, de modo que muitos, no que se refere ao apoio que dão a Cristo e Sua obra, não voltam à normalidade até março.


Vejamos o que diz a Bíblia em Mateus 2:1,11 com respeito aos presentes que levaram os magos quando Jesus nasceu:


  "E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magoS vieram do oriente a Jerusalém, ... E, entrando na CASA, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, O adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-LHE dádivas: ouro, incenso e mirra."


7. POR QUE OS MAGOS LEVARAM PRESENTES A CRISTO?

Por ser o dia de seu nascimento? De maneira nenhuma! Pois eles chegaram muitas semanas ou meses depois do seu nascimento (Mt 2:16). Ao contrário do que mostram os presépios, Jesus já estava numa casa, não numa estrebaria.

Então, os magos deram presentes uns aos outros para deixar-nos exemplo a ser imitado? Não! Eles não trocaram
nenhum presente com seus amigos e familiares, nem entre si mesmos, mas sim presentearam unicamente a CRISTO.

Por que? O mencionado comentário bíblico de Adan Clarke, vol. 5, pg.46, diz:
"Versículo 11 ("ofereceram-lhe presentes"). No Oriente não se costuma entrar na presença de reis ou pessoas importantes com as mãos vazias. Este costume ocorre com freqüência no Velho Testamento e ainda persiste no Oriente e em algumas ilhas do Pacífico Sul."

Aí está! Os magos não estavam instituindo um novo costume cristão de troca-troca de presentes para honrar o nascimento de Jesus Cristo! Procederam de acordo com um antigo costume Oriental que consistia em levar presentes ao rei ao apresentarem-se a ele. Eles foram pessoalmente à presença do Rei dos Judeus. Portanto, levaram oferendas, da mesma maneira que a rainha de Sabá levou a Salomão, e assim como levam aqueles que hoje visitam um chefe de estado.

O costume de trocas de presentes de Natal nada tem a ver com o nascimento do Cristo de Deus, é apenas a continuação de um costume pagão.

8. UM "NATAL CORRIGIDAMENTE CRISTÃO"  PODERIA REALMENTE HONRAR A CRISTO?

Há pessoas que insistem em que, apesar das raízes do Natal estarem no paganismo, agora elas não observam o Natal para honrarem um falso deus, o deus sol, senão para honrarem a Jesus Cristo. Mas diz Deus:

  "Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, ...; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: 'Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu.'    Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que Ele odeia, fizeram eles a seus deuses; ...". 
(Deut 12:30-31)

  "Assim diz o SENHOR: 'Não aprendais o caminho dos gentios, ...    Porque os costumes dos povos são vaidade; ...'"
(Jr 10:2-3).

Deus disse-nos claramente que não aceitará este tipo de adoração: ainda que tenha hoje a intenção de honrá-Lo, teve origem pagã e, como tal, é abominável e honra não a Ele mas sim aos falsos deuses pagãos.

Deus não quer que O honremos "como nos orienta a nossa própria consciência":


    "Deus é Espírito; e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade".
(Joã 4.24).

O que é a verdade? Jesus disse que a Sua palavra, a Bíblia, é a verdade (Joã 17:17).  E a Bíblia diz que Deus não aceitará o culto de pessoas que, querendo honrar a Cristo, adotem um costume pagão:


    "Mas em vão me adoram, ensinando doutrina que são preceitos dos homens."
(Mt 15:9).

A comemoração do Natal é um mandamento (uma tradição) de homens e isto não agrada a Deus.


    "E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus"
(Mat 15:6).
    "Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses..."  (Deut 12:31)

Não podemos honrar e agradar a Deus com elementos de celebrações pagãs!