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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Evangelhos apócrifos

Denominam-se  evangelhos canônicos aqueles que a Igreja reconheceu como os que transmitiram com autenticidade a tradição apostólica e foram inspirados por Deus. São quatro e somente quatro: Mateus, Marcos, Lucas e  João. Assim o propôs expressamente  Santo Irineu de Lyon no final do séc. II (Adversus Haereses, 3.11.8-9), e assim o manteve sempre a Igreja, propondo-o finalmente como dogma de fé ao definir o cânon das Sagradas Escrituras no Concílio de Trento (1545-1563).  
 A composição destes evangelhos tem suas raízes naquilo que os apóstolos viram e ouviram quando estavam com Jesus e nas aparições que tiveram d´Ele depois da ressurreição dos mortos. Logo depois os apóstolos, seguindo o mandamento do Senhor, pregaram a boa nova (o evangelho) sobre Ele e a salvação que traz para todos os homens e foram formando comunidades cristãs na Palestina e outros lugares (Antioquia, cidades de Ásia Menor, Roma, etc.). Nestas comunidades as tradições foram tomando a forma de relatos ou de ensinamentos sobre Jesus, sempre sob a custodia dos apóstolos que foram as testemunhas. Num terceiro momento essas tradições foram colocadas por escrito como uma narração da biografia do Senhor.

Desta forma surgiram os evangelhos para uso das comunidades a que estavam destinados. O primeiro a aparecer foi o de Marcos ou uma edição do de Mateus em hebraico ou aramaico, mais breve que a atual; os outros três imitaram esse gênero literário. Nesse labor, cada evangelista escolheu algumas coisas, das muitas que eram transmitidas, sintetizou outras e apresentou-as tendo em conta a condição dos leitores imediatos. Sabemos que os quatro tiveram a garantia apostólica  pelo fato de que foram recebidos e transmitidos como escritos pelos mesmos apóstolos ou pelos discípulos diretos deles: Marcos de São Pedro, Lucas de São Paulo.


Os evangelhos apócrifos são aqueles que a Igreja não aceitou como autêntica tradição apostólica, ainda que normalmente fossem apresentados com o nome de algum apóstolo. Começaram a circular rapidamente, pois são citados na segunda metade do séc.II, mas  não gozavam da garantia apostólica como os quatro que tinham sido reconhecidos e, além do mais, muitos deles continham doutrinas que não estavam conformes com os ensinamentos apostólicos.


Entre as informações dos Santos Padres, considerando aqueles que foram conservados pela piedade cristã e os que eram atestados de uma ou outra maneira em papiros, o número dos "evangelhos apócrifos" conhecidos é algo superior a cinqüenta.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Por que os judeus não crêem em Jesus





Por: Shraga Simmons



Por séculos os judeus foram perseguidos por sua fé e prática religiosa. Muitos tentaram impor suas idéias e aniquilar o Judaísmo. Nem as cruzadas, nem a Inquisição implacável, nem os pogroms conseguiram manipular nossas almas cumprindo seu intento.

O Judaísmo mantém sua chama sempre viva.

A história comprova: os judeus continuam rejeitando o Cristianismo. Por quê? Porque somos simplesmente judeus, nascemos e vivemos o Judaísmo e temos nossas próprias convicções. Mas quando judeus são seguidamente questionados sobre esta questão e não-judeus freqüentemente perguntam: "Por que os judeus não acreditam em Jesus?" Preparamos alguns argumentos com o objetivo, não de depreciar outras religiões, pois respeitamos a todos e por esta razão não fazemos proselitismo, mas sim apenas para esclarecer a posição judaica.

Por que os judeus não acreditam em Jesus?

Porque:



1. Jesus não preencheu as profecias messiânicas

O que o Messias deveria atingir? A Torá diz que ele: a - Construirá o terceiro Templo Sagrado (Yechezkel 37:26-28); b - Levará todos os judeus de volta à Terra de Israel (Yeshayáhu 43:5-6); c - Introduzirá uma era de paz mundial, e terminará com o ódio, opressão, sofrimento e doenças. Como está escrito: "Nação não erguerá a espada contra nação, nem o homem aprenderá a guerra”.(Yeshayáhu 2:4); d - Divulgará o conhecimento universal sobre o D-us de Israel - unificando toda a raça humana como uma só. Como está escrito: "D-us reinará sobre todo o mundo - naquele dia, D-us será Um e seu nome será Um" (Zecharyá 14:9). O fato histórico é que Jesus não preencheu nenhuma destas profecias messiânicas.



2. O Cristianismo contradiz a teologia judaica

a – D-us em três? A idéia cristã da trindade quebra D-us em três seres separados: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mateus 28:19). Compare isto com o Shemá, a base da crença judaica: "Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D-us, o Senhor é UM" (Devarim 6:4). Os judeus declaram a unicidade de D-us todos os dias, escrevendo-a sobre os batentes das portas (Mezuzá), e atando-a à mão e cabeça (Tefilin - filactérios). Esta declaração da unicidade de D-us são as primeiras palavras que uma criança judia aprende a falar, e as últimas palavras pronunciadas antes de morrer. Na Lei Judaica, adorar um deus em três partes é considerado idolatria - um dos três pecados cardeais, que o judeu prefere desistir da vida a transgredir. Isto explica porque durante as Inquisições e através da História, os judeus desistiram da vida para não se converterem. b - Um homem como deus? Os cristãos acreditam que D-us veio à terra em forma humana, como disse Jesus: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30). Maimônides devota a maior parte do "Guia dos Perplexos" a idéia fundamental que D-us é incorpóreo, significando que Ele não assume forma física. D-us é eterno, acima do tempo. É infinito, além do espaço. Não pode nascer, e não pode morrer. Dizer que D-us assume forma humana torna D-us pequeno, diminuindo tanto Sua Unidade como Sua Divindade. Como diz a Torá: "D-us não é um mortal" (Bamidbar 23:19). O Judaísmo diz que Messias nascerá de pais humanos, com atributos físicos normais, como qualquer outra pessoa. Não será um semideus, e não possuirá qualidades sobrenaturais. De fato, em cada geração vive um indivíduo com a capacidade de tornar-se o Messias. (veja Maimônides - Leis dos Reis 11:3). c - Um intermediário para a oração? É uma idéia básica na crença cristã que a prece deve ser dirigida através de um intermediário - i.e., confessando-se os pecados a um padre. O próprio Jesus é um intermediário, pois disse: "Nenhum homem chega ao Pai a não ser através de mim”. No Judaísmo, a prece é assunto totalmente particular, entre cada pessoa e D-us. A Torá diz: "D-us está perto de todos que clamam por Ele" (Tehilim 145:18). Além disso, os Dez Mandamentos declaram: "Não terá outros deuses DIANTE DE MIM”, significando que é proibido colocar um mediador entre D-us e o homem. (veja Maimônides - Leis da Idolatria cap.1). d - Envolvimento no mundo físico. O Cristianismo freqüentemente trata o mundo físico como um mal a ser evitado. Maria, a mais sagrada mulher cristã, é retratada como uma virgem. Padres e freiras são celibatários. E os mosteiros estão em locais remotos e segregados. Em contraste, o Judaísmo acredita que D-us criou o mundo físico não para nos frustrar, mas para nosso prazer. A espiritualidade judaica vem através do envolvimento no mundo físico de maneira tal que ascenda e eleve. O sexo no contexto apropriado é um dos atos mais sagrados que podemos realizar. O Talmud diz que se uma pessoa tem a oportunidade de saborear uma nova fruta e recusa-se a fazê-lo, terá de prestar contas por isso no Mundo Vindouro. As escolas rabínicas ensinam como viver entre o alvoroço da atividade comercial. Os judeus não se afastam da vida, elevam-na.



3. Jesus não personifica as qualificações pessoais do Messias

a - Messias como profeta. Jesus não foi um profeta. A profecia apenas pode existir em Israel quando a terra for habitada por uma maioridade de judeus. Durante o tempo de Ezra (cerca de 300 a.E.C), a maioria dos judeus recusou-se a mudar da Babilônia para Israel, e assim a profecia terminou com a morte dos três últimos profetas - Chagai, Zecharyá e Malachi. Jesus apareceu em cena aproximadamente 350 anos após a profecia ter terminado. b - Descendente de David. O Messias deve ser descendente do Rei David pelo lado paterno (veja Bereshit 49:10 e Yeshayáhu 11:1). Segundo a reivindicação cristã que Jesus era filho de uma virgem, não tinha pai - e dessa maneira não poderia ter cumprido o requerimento messiânico de ser descendente do Rei David pelo lado paterno! c - Observância da Torá. O Messias levará o povo judeu à completa observância da Torá. A Torá declara que todas as mitsvot (preceitos) permanecem para sempre, e quem quer que altere a Torá é imediatamente identificado como um falso profeta. (Devarim 13:1-4). No decorrer de todo o Novo Testamento, Jesus contradiz a Torá e declara que seus mandamentos não se aplicam mais. (veja João 1:45 e 9:16, Atos 3:22 e 7:37).



4. Versículos bíblicos "referindo-se" a Jesus são traduções incorretas

Os versículos bíblicos apenas podem ser entendidos estudando-se o texto original em hebraico - que revela muitas discrepâncias na tradução cristã. a - Nascimento virgem. A idéia cristã de um nascimento virgem é extraído de um versículo em Yeshayáhu descrevendo uma "alma" que dá à luz. A palavra "alma" sempre significou uma mulher jovem, mas os teólogos cristãos séculos mais tarde traduziram-na como "virgem". Isto relaciona o nascimento de Jesus com a idéia pagã do primeiro século, de mortais sendo impregnados por deuses. b – Crucificação. O versículo em Tehilim (salmos) 22:17 afirma: "Como um leão, eles estão em minhas mãos e pés”.A palavra hebraica ka'ari (como um leão) é gramaticalmente semelhante às palavras "ferir muito". Dessa maneira o Cristianismo lê o versículo como uma referência à crucificação: "Eles furaram minhas mãos e pés”. c - Servo sofredor. Os cristãos afirmam que Yeshayáhu (Isaías) 53 refere-se a Jesus. Na verdade, Yeshayáhu 53 segue diretamente o tema do capítulo 52, descrevendo o exílio e a redenção do povo judeu. As profecias são escritas na forma singular porque os judeus (Israel) são considerados como sendo uma unidade. A Torá está repleta de exemplos de referências à nação judaica com um pronome singular. Ironicamente, as profecias de perseguição de Yeshayáhu referem-se em parte ao século 11, quando os judeus foram torturados e mortos pelas Cruzadas, que agiram em nome de Jesus. De onde provêm estas traduções erradas? S. Gregório, Bispo de Nanianzus no século IV, escreveu: "Um certo jargão é necessário para se impor ao povo. Quantos menos compreenderem, mais admirarão”.



5. A crença judaica é baseada na revelação nacional

Das 15.000 religiões na História Humana, apenas o Judaísmo baseia sua crença na revelação nacional - i.e., D-us falando à toda a nação. Se D-us está para iniciar uma religião, faz sentido que Ele falará à todos, não apenas a uma pessoa. O Judaísmo é a única entre todas as grandes religiões do mundo que não confia em "reivindicações de milagres" como base para estabelecer uma religião. De fato, a Torá afirma que D-us às vezes concede o poder de "milagres" a charlatões, para testar a lealdade judaica à Torá (Devarim 13:4). Maimônides declara (Fundações da Torá, cap. 8): "Os Judeus não creram em Moshê (Moisés), nosso mestre, por causa dos milagres que realizou. Sempre que a crença de alguém se baseia na contemplação de milagres, tem dúvidas remanescentes, porque é possível que os milagres tenham sido realizados através de mágica ou feitiçaria. Todos os milagres realizados por Moshê no deserto aconteceram porque eram necessários, e não como prova de sua profecia”. Qual era então a base da crença judaica? A revelação no Monte Sinai, que vimos com nossos próprios olhos e ouvimos com nossos ouvidos, não dependendo do testemunho de outros... como está escrito: 'Face a face, D-us falou com vocês...' A Torá também declara: 'D-us não fez esta aliança com nossos pais, mas conosco - que hoje estamos todos aqui, vivos.' (Devarim 5:3).”O Judaísmo não são os milagres. É o testemunho da experiência pessoal de todo homem, mulher e criança”.



6. Judeus e gentios

O Judaísmo não exige que todos se convertam à religião. A Torá de Moshê é uma verdade para toda a Humanidade, seja judia ou não. O Rei Salomão pediu a D-us para considerar as preces de não-judeus que vão ao Templo Sagrado (Reis I, 8:41-43). O profeta Yeshayáhu refere-se ao Templo Sagrado como uma "Casa para todas as nações”. O serviço no Templo durante Sucot realizava 70 oferendas de touros, correspondendo às 70 nações do mundo. De fato, o Talmud diz que se os romanos tivessem percebido quantos benefícios estavam conseguindo do Templo, jamais o teriam destruído. Os judeus nunca buscaram ativamente converter as pessoas ao Judaísmo, porque a Torá prescreve um caminho correto para que os gentios o sigam, conhecido como "As Sete Leis de Nôach”. Maimônides explica que qualquer ser humano que observe fielmente estas leis morais básicas recebe um lugar apropriado no céu. 1. Creia em D-us - não adore ídolos. 2. Respeite D-us e ame-O. Não blasfeme Seu nome. 3. Respeite a vida humana - não mate. 4. Respeite a família - não cometa atos sexuais imorais. 5. Respeite os direitos e a propriedade dos outros - não roube. 6. Estabeleça tribunais para a manutenção da justiça. 7. Respeite todas as criaturas - não coma a carne de um animal enquanto ele ainda está vivo.



7. Trazendo o Messias

De fato, o mundo está desesperadamente necessitado da Redenção Messiânica. A guerra e a poluição ameaçam nosso planeta; o ego e a confusão estão erodindo a vida familiar. Na mesma extensão em que estamos conscientes dos problemas da sociedade, é a extensão em que ansiamos pela Redenção. Como declara o Talmud, uma das primeiras perguntas que um judeu recebe no Dia do Julgamento é: "Você ansiou pela vinda do Messias?" Como podemos apressar a vinda de Mashiach (Messias)? A melhor maneira é amar generosamente toda a humanidade, cumprir as mitsvot da Torá (da melhor maneira que pudermos) e encorajar outros para que as cumpram também. O Mashiach pode chegar a qualquer momento e tudo depende de nossas ações. D-us estará pronto quando estivermos. Pois, como disse o Rei David: "A Redenção chegará hoje - se derem atenção à Sua voz”.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Santo Estevão

Santo Estêvão é o primeiro mártir do Cristianismo, sendo considerado santo por algumas das denominações cristãs (católica, ortodoxa e a anglicana). É celebrado em 26 de Dezembro no Ocidente e em 27 de Dezembro no Oriente por tais denominações. Ele também está listado entre os Setenta Discípulos.



Segundo os Actos dos Apóstolos, Estêvão foi um dos sete primeiros diáconos da igreja nascente, logo após a morte e ressureição de Jesus, pregando os ensinamentos de Cristo e convertendo tanto judeus como gentios. Segundo Étienne Trocmé, Estevão pertencia a um grupo de cristãos que pregavam uma mensagem mais radical, um grupo que ficou conhecido como os helenistas, já que os seus membros tinham nomes gregos e eram educados na cultura grega e que separou do grupo dos doze apóstolos. Também eram conhecidos como o grupo dos 7. Foi detido pelas autoridades judaicas, levado diante do Sinédrio (a suprema assembleia de Jerusalém), onde foi condenado por blasfémia, sendo sentenciado a ser apedrejado (Act, 8). Entre os presentes na execução, estaria Paulo de Tarso, o futuro São Paulo, ainda durante os seus dias de perseguidor de cristãos.



O seu nome vem do grego Στέφανος (Stephanós), o qual se traduz para aramaico como Kelil, significando coroa - e Santo Estêvão é, de resto, representado com a coroa de martírio da cristandade, recordando assim o facto de se tratar do primeiro cristão a morrer pela sua fé - o protomártir.



Durante os primeiros século do cristianismo, o túmulo de Estêvão achou-se perdido, até que em 415 (talvez pela crescente pressão dos peregrinos que se deslocavam à Terra Santa), um certo padre, de nome Luciano, terá dito ter tido uma revelação onírica de onde se encontrava a tumba do mártir, algures na povoação de Caphar Gamala, a alguns quilómetros a Norte de Jerusalém.



Gregório de Tours afirmou mais tarde que foi por intercessão de Santo Estêvão, que um oratório a ele dedicado, na cidade de Metz, onde se guardavam relíquias do santo, foi o único local da cidade que escapou ao incêndio que os Hunos lhe deitaram, no dia de Páscoa de 451.



O culto de Santo Estêvão encontra-se associado à festa dos rapazes nas aldeias de Trás-os-Montes, integradas no ciclo de festividades do Solstício do Inverno, no período que decorre do dia 24 de Dezembro ao dia 6 de Janeiro, e que no passado pagão terão sido dedicadas ao culto do Sol, num ritual em que intervêm os caretos, as máscaras tradicionais do extremo nordeste de Portugal .



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cristianismo primitivo

Cristianismo Primitivo, também conhecido como Era Apostólica, é o nome dado a uma etapa da história do cristianismo de aproximadamente três século (I, II, III e parte do IV), que se inicia após a Ressurreição de Jesus (30 dC) e termina em 325 com a celebração do Primeiro Concílio de Nicéia. No início, a igreja cristã foi centrada em Jerusalém e tinha entre seus líderes Tiago, o justo e irmão de Jesus e os apóstolos Pedro e João .
Os primeiros cristãos ou eram judeus ou eram gentios convertidos ao judaísmo, conhecidos pelos historiadores como judeus-cristãos. Tradicionalmente, o Centurião é considerado o primeiro gentio convertido. Paulo de Tarso, depois de sua conversão ao cristianismo, reivindicou o título de Apóstolo dos Gentios. Até ao final do século I, o cristianismo começou a ser reconhecido interna e externamente, como uma religião separada do judaísmo rabínico.
Os primeiros cristãos tinham como regra de fé e prática os ensinamentos da Bíblia judaica - Antigo Testamento. Em geral eles liam ou a versão grega (Septuaginta) ou a tradução aramaica (Targum). Foi nesse período que o cânon do Novo Testamento foi desenvolvido, com as cartas de Paulo, os quatro evangelhos, e várias outras obras dos seguidores de Jesus que também foram reconhecidas como Escritura Sagrada. Das cartas de Paulo, especialmente a de Romanos, os cristãos criaram uma teologia baseada na obra expiatória de Cristo e na Justificação pela Fé. Essa teologia objetivava explicar todo o significado e os objetivos da Lei Mosaica. A relação de Paulo de Tarso e o Judaísmo é ainda hoje objeto de debates entre os cristãos protestantes, principalmente no que se refere a alteração do dia de descanso do sábado para o domingo. Os pais da igreja desenvolveram a teologia cristã e as bases para a doutrina da Trindade.
Logo no começo, os cristãos sofreram perseguições esporádicas, porque se recusavam a adorar os deuses romanos e homenagear o imperador como um ser divino. Eles são considerados mártires. No século IV, Constantino I aliou-se politicamente com o cristianismo e terminou com a perseguição aos cristãos promulgando o Edito de Milão. O que começou como um movimento religioso dentro do judaísmo do primeiro século tornou-se, até ao final deste período, a religião oficial do Império Romano. Segundo Will Durant, a Igreja cristã prevaleceu sobre Paganismo porque oferecia uma doutrina muito mais atraente e porque os líderes da igreja se dirigiam as necessidades humanas melhor do que seus rivais. O Primeiro Concílio de Niceia marca o fim desta era e o início do período dos sete primeiros Concílios Ecumênicos (325 - 787). Foram três os historiadores que mais nos deixaram informações sobre esse período: Lucas, Hegésipo e Eusébio.
A ressurreição de Cristo é um dos fatos de maior importância para os primeiros anos do cristianismo e, ao mesmo tempo, o mais enigmático. Todos os evangelhos falam do evento da ressureição de Cristo e da aparição do Messias diante dos discípulos três dias após sua crucificação. De acordo com o evangelho de Lucas, Jesus teria aparecido para os seus apóstolos um pouco além de Jerusalém, em Emaús (Lucas 24:13). Mateus fala dum encontro de Jesus e seus discípulos ocorrido na Galiléia. Em Mateus Jesus teria aparecido para sua mãe e Maria Madalena (Mateus 28:9) Em João ele apareceu para Maria Madalena sozinha (João 20:14). Em Lucas, as mulheres não encontram Jesus (Lucas 24). Paulo, que não conheceu Jesus, fala na sua Primeira Epístola aos Coríntios de uma aparição a mais de quinhentas pessoas (1Coríntios 15:5-8) e não menciona o encontro do túmulo esvaziado.
Ao que parece, nem todos os apóstolos estavam de acordo em relação aos eventos, e é certo que Paulo criou uma verdadeira teologia da ressurreição a partir de reflexões muito particulares. De toda forma, mesmo que não possamos determinar exatamente o que se passou na ressurreição, a crença no retorno de Jesus foi essencial para modelar o cristianismo primitivo.

Os Apóstolos

Pedro em ícone do século VI
Os apóstolos, discípulos de Jesus, acreditavam que tinham recebido a missão divina de pregar seus ensinamentos. Além disso, eles acreditavam possuir a inspiração do Espírito Santo que, de acordo com o evangelho de João teria sido enviado por Jesus Cristo aos apóstolos. Em Atos dos Apóstolos, contudo, livro atribuído a Lucas, os apóstolos recebem o Espírito Santo enviado diretamente por Deus após o Pentecostes.
Não existem informações suficientes nos documentos históricos sobre como funcionava a condução das primeiras comunidades cristãs. Embora um oficio correspondente ao sacerdócioapóstolos, "enviados" em grego, eram certamente os líderes proeminentes nessas comunidades. Pedro foi, sem dúvida, o apóstolo mais influente nos primeiros tempos, mas Tiago, Paulo e João também tiveram um papel importante no estabelecimento do primeiro cristianismo. posterior possa ser identificado, é difícil estabelecer como se organizava e como funcionava, por exemplo, se era ou não hierarquizado. Os

Comunidades

De acordo com o livro dos Atos dos Apóstolos foram cerca de três mil fiéis que se reuniram em torno de Pedro após o Pentecostes. De acordo com Atos 2:43-47, todos os fiéis usufruíam de seus bens em conjunto e haviam coletivizado a posse das coisas. Os relatos não deixam dúvidas de que os primeiros cristãos se encontravam nos templos judaicos, e é provável que se reunissem para comer.
Pode-se indagar até que ponto essa descrição das primeiras comunidades, realizada anos depois, não tenha sido demasiado idealizada. As passagens de Atos responsáveis por caracterizar os primeiros cristãos influenciaram o surgimento de diversas irmandades religiosas na Idade Média, como os franciscanos.
Em Jerusalém, as comunidades se expandiram rapidamente. O termo "igreja", que queria dizer reunião, era frequentemente empregado pelos primeiros cristãos. No começo, parece que Pedro liderou as decisões da igreja de Jerusalém. Atos dos Apóstolos nos fala da nomeação de uma comissão de sete, provavelmente os primeiros correspondentes dos posteriores presbiteros. O primeiro mártir cristão, Estêvão, morreu apedrejado, o que provavelmente culminou com a primeira dispersão dos fiéis a partir da Palestina para Damasco, Cesareia, Chipre e Antioquia. Uma perseguição levada a cabo por Herodes AgripaHerodes) por volta do ano 44 teve resultados semelhantes, contando inclusive com a dispersão dos apóstolos. Tiago se tornou líder da igreja em Jerusalém com a saída de Pedro, mas foi morto e decapitado cerca de 20 anos depois. As Guerras Judaícas coroaram essa sucessão de dispersões dos cristãos pelo Império. Antioquia, capital da Síria, logo se tornou o principal foco cristão do Império. (sucessor de

Crenças

Os primeiros cristãos acreditavam na ressurreição de Cristo e no seu retorno ainda em sua geração, de acordo com o que dizia a passagem de Marcos 13:30. Paulo, por exemplo, acreditava que o retorno de Jesus Cristo aconteceria ainda durante sua vida, como indica uma passagem de 1Tessalonicenses (1Tessalonicenses 4:16-18).
Para os cristãos, Jesus era o Messias (por isso o chamam de Cristo). É importante lembrar que o cristianismo nasce primeiro como uma heresia dentro do judaísmo. Seu desenvolvimento é inegavelmente ligado ao judaísmo: a crença no messias existia já na religião judaica, e os livros proféticos como Isaías (e mesmo outros não proféticos, como Salmos) das escrituras sagradas foram associados ao advento de Cristo. Nesse sentido, os cristãos se viam como uma Israel renovada, e não abdicavam da promessa que Deus havia feito (Romanos 9:6-8) aos hebreus no Antigo Testamento.
O emprego do termo "Senhor" para se referir a Jesus nos primeiros anos do cristianismo indicava uma vinculação íntima com Deus, uma vez que esse termo tinha um peso específico para o contexto da época. A idéia presente nos evangelhos é a de que Jesus teria sido glorificado por Deus.

Rituais

Dois rituais foram praticados com frequência pelos primeiros cristãos: o batismo e a eucaristia. As raízes do batismo (em grego, "imergir") podem ser encontradas na história de João Batista (João 3:22), mas também em outras passagens evangélicas (Mateus 28:19). A Eucaristia, por sua vez, é uma repetição do ato realizado na Última Ceia, mencionada nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas.

Debates e Noções Teológicas

As primeiras discordâncias entre os cristãos diziam respeito à questão dos cristãos hebreus e os cristãos helenistas. Com efeito, uma questão que se coloca após a morte de Cristo é se o gentio poderia ser diretamente convertido ao cristianismo, ou se deveria antes se tornar judeu. Como sabemos pelos livros de Atos e pelas cartas de Paulo, além das fontes romanas, o cristianismo estava se difundindo rapidamente pelo território do Império Romano, o que significava que grandes somas de não-cristãos estavam sendo convertidos nessa época. Por essa razão, o tema era de extrema importância para o Cristianismo proselitista. Ora, Pedro diz em Atos que Deus lhe havia demonstrado que o profano poderia se tornar sagrado, e afirmou que a verdade poderia ser revelada aos romanos não judeus. Esse debate culminou com o Concílio de Jerusalém (c. 40), do qual particaparam Paulo, Tiago e Pedro, e quando se decidiu que os gentios não deveriam ser convertidos ao judaísmo antes de se tornarem cristãos. No entanto, nos escapa a verdadeira dimensão desse debate: a posição de Tiago, que parecia ser pró-judaísmo, ia radicalmente contra a de Paulo, que defendia a conversão direta do gentio. Paulo reserva grande parte de sua carta aos gálatas para discutir essa questão. Relatos parecem demonstrar que Pedro sofreu influência de Tiago, adotando mais tarde uma posição pro-judaísmo
Quanto ao Apóstolo Paulo, alguns dizem que seus textos constituem uma teologia à parte. É certo que as preocupações dos escritos de Paulo não encontram paralelos em outros escritos cristãos, e suas idéias nem sempre estão de acordo com o que pregaram os outros apóstolos. É importante ressaltar que alguns dos temas preconizados por Paulo sequer foram abordados nos evangelhos e, embora pudessem existir no imaginário da época, não integraram a pregação de Cristo, ou não estão explicitados nos quatro evangelhos.
Paulo acreditava na Cristologia dos "dois estágios"; parecia acreditar que Jesus teria sido "Filho de Deus" apenas após a ressurreição (Romanos 1:3-4).[33] Essa ideologia fazia com que Paulo atribuísse um peso demasiado grande à ressurreição de Cristo, e pouco aos dizeres de Cristo durante a vida. Paulo também comparava a morte de Jesus aos sacrifícios judaicos, que teriam tido por objetivo comum purificar os indivíduos. A teologia de Paulo foi essencial para fazer com que a noção de salvação fosse sobreposta à idéia do retorno.
As cartas de Paulo, os escritos cristãos cujas datas dão mostras de ser as mais antigas, também falam da necessidade de se demonstrar fé (Romanos 3:25-28) para receber a graçaDeus (Romanos 9:10-24). Para explicar a ecclesia, Paulo se vale de uma alegoria segundo a qual a igreja é o corpo de Cristo, cada comunidade compondo uma parte deste corpo (Efésios 1:22-23, Colossenses 1:18). Paulo acreditava no julgamento final (2Coríntios 5:10) e na sujeição de tudo ao Deus criador(1Coríntios 15:20-28). de
Em relação à natureza do Filho, Paulo associava Cristo à sabedoria e à inteligência divinas, uma espécie de desenvolvimento do conceito pagão de Logos. Para Paulo, Cristo era a "sabedoria de Deus" (1Coríntios 2:10-11). Paulo acreditava que o Cristo salvador estava prenhe de divindade (Colossenses 2:9). O universo era centrado nele, uma vez que tudo havia sido criado por ele e por meio dele (Colossenses 1:16)

Evangelhos e Cristo

O evangelho de Marcos parece ter sido escrito entre 75 e 80 na cidade de Roma. Lucas e Mateus foram escritos provavelmente por volta da década de 90 (Primeiro século cristão) na Síria, em Roma ou em Antioquia. O Evangelho segundo João foi escrito já no começo do século II, possivelmente em Éfeso. Todos foram baseados na tradição oral, e refletiam visões diferentes da vida de Cristo segundo a perspectiva de seus autores.
Ao contrário de Paulo, os autores de Marcos, Mateus e Lucas acreditam que Jesus era Filho de Deus desde seu batismo, ou desde a sua existência terrena (Marcos 1:9-11, Marcos 3:11, Marcos 9:2-8). A obra de Cristo na terra é vista de forma edificante, ao contrário da perspectiva paulina, segundo a qual Cristo em terra teria sido o "servo" humilhado (Filipenses 2:6-11). O não reconhecimento de Jesus como Filho de Deus antes de sua ascensão é resultado da censura do próprio Cristo (Marcos 1:34, Marcos 3:12, Marcos 5:43).
O evangelho de João distoa dos três primeiros. Nele, encontramos uma idéia de EncarnaçãoPaulo, "todas as coisas foram feitas por intermédio dele" (João 1:3). Ao contrário de Paulo, contudo, o autor do evangelho de João acredita também numa vida terrana gloriosa (João 2:11, João 1:14). Em suma, a vida de cristo é exaltada em todas as suas manifestações, desde a preexistência e a vida na terra, até a glória da ressureição. mais nítida. Assim como em

Docetismo

No evangelho de João encontra-se uma passagem que tem sido interpretada muitas vezes como base da teoria da Encarnação (João 1:1-14). Essa era a teoria segundo a qual Jesus Cristo não teria sido simplesmente um ser humano, mas metafisicamente ligado a Deus. É provável que alguns dos primeiros cristãos tivessem radicalizado essa visão, a ponto de considerar Cristo como unicamente divino (partilhando apenas a substância divina) e com uma aparência humana. Essa crença foi chamada de docetismo. Um famoso docetista do século II foi Valentino.

Difusão e entrada no Império Romano

Pedro e Paulo confrontam Simão Mago diante de Nero em afresco florentino
Paulo realizou diversas incursões em Roma, onde no ano 50 já existia uma importante comunidade religiosa cristã. Em outras partes do Império Romano o Cristianismo se tornava cada vez mais popular.
O cristianismo passou a se diferenciar marcadamente do Judaísmo quando, por volta do ano de 90, surgiu o judaísmo rabínico, após a destruição do Segundo Templo.
O termo "religião das catacumbas" foi utilizado para caracterizar a perseguição dos cristãos durante os impérios de Nero, Tito, Domiciano, etc. Pedro e Paulo provavelmente morreram durante as primeiras perseguições, mas pouco se sabe sobre isso (veja Papado (Cristianismo primitivo)). Durante essa época, símbolos cristãos foram desenvolvidos para comunicar secretamente as questões da fé. As conversões eram realizadas nas cidades, e o termo pagão, derivado do latim paganus ("camponês"), é provavelmente derivado do fato de que a maior parte dos não convertidos durante o auge da difusão cristã eram os camponeses.
Com o crescimento das comunidades cristãs em Roma cresce também o número de críticos. Um filósofo chamado Celsus escreveu um livro chamado "A doutrina verdadeira" no qual criticava as práticas cristãs e Jesus Cristo. Os intelectuais cristãos no império, como Clemente de Alexandria (c150-c215) e Justino Mártir, além de Orígenes Adamantino (c185-c254) rebateram as críticas pagãs e desenvolveram a teologia cristã. As piores perseguições aos líderes cristãos ocorreram no século II e III (entre 303 e 305 d.C), sendo que as últimas foram conduzidas por Dioclesiano (veja Perseguições de Diocleciano) e Galério.

Catecumenato

No Império Romano surgiram os catecúmenos (em grego, ensinamento oral), que recebiam o conhecimento cristão transmitido oralmente de geração em geração. Haviam exigências para que um gentio pudesse ser batizado, como o jejum e a oração. O catecumenato só era aberto àqueles que não tinham profissões incompatíveis com a nova fé, como os comandantes militares, prostitutas e adivinhos. Haviam manuscritos para o ensinamento de catecúmenos, que se baseavam em perguntas sobre a fé e orações. Era comum que o batismo fosse retardado. Essa prática tinha por base, possivelmente, os ensinamentos de Paulo (Romanos 6:3). Acreditava-se que a falta após o batismo não era perdoada, o que fazia com que todos preferissem se batizar já no fim da vida, visando se redimir dos pecados.

Sacerdotes e Ritos

Batismo em imagem cristã primitiva
Não se sabe exatamente como eram ordenados os sacerdotes nos primeiros séculos cristãos dentro do Império Romano. No Novo Testamento ouvimos falar de "bispos" e "presbíteros", cuja tradução literal não esclarece muita coisa e cujas funções permanecem enigmáticas. Alguns Pais da Igreja, contudo, nos esclareceram o que entendiam pelo papel do bispo. O Didaquê, documento anônimo do século II, diz que o bispo era um sucessor dos apóstolos e líder da Igreja em cada cidade. O bispo também podia ministrar a eucaristia e o batismo, assim como os padres, com o requisito de que este poder lhes tivesse sido delegado pelo bispo. Inácio de Antioquia pensava na Igreja de acordo com as cidades nas quais haviam comunidades, sendo que cada cidade deveria ter um bispo como líder proeminente.
No ano 321, o imperador Constantino promulga uma lei ordenando que todos descansem no dia do sol domingo, dia da semana que substituiu o sábado como dia santo apoiado na razão da ressureição de Cristo. Esse dia era guardado por todos os cristãos. A eucaristia era celebrada no domingo, e nas quartas e sextas-feiras os cristãos deveriam jejuar. Leituras, orações e penitências eram realizadas como parte das celebrações litúrgicas.
Nessa época, os cristãos passaram a utilizar códigos para expressar mensagens de fé, como o peixe (em grego ikhtos), a pomba (Espírito Santo) e a fênix (ressureição). Os enterramentos eram realizados em catacumbas, pois os cristãos preferiam os enterramentos à cremação, uma vez que acreditavam na ressureição dos mortos.

Sexualidade

É notável que durante a época dos Pais da Igreja o cristianismo tenha desenvolvido um misoginismo marcante. Ambrósio de Milão argumentava que a mulher era responsável por tentar o homem e levá-lo para a danação, com base na história de Adão e Eva. Pensava-se que o homem tinha importância fundamental na criação, tendo sido protagonista dela desde antes da mulher. A imagem de Maria, mãe de Jesus, foi tida como a mulher ideal.
O mundo cristão, ao contrário do romano, era extremamente austero. Acreditava-se que o cristão deveria ter um coração "simples" em oposição ao coração "duplo". Isso quer dizer que o coração cristão deveria estar voltado apenas à comunidade e a Deus, sem espaço para os amores privados, cuja manifestação maior era o sexo. Por estas razões, o sexo era desencorajado entre os primeiros cristãos, embora não fosse proibido, desde que realizado para a reprodução. Apenas a monogamia era aceita. Os sacerdotes não eram, igualmente, proibidos de manter relações amorosas ou de casar, mas o comportamento do cristão exemplar evitava o coração duplo.

Mártires

Sabemos que Estêvão foi o primeiro de uma série de mártires cristãos. As perseguições aos cristãos levadas a cabo por líderes romanos foram essenciais para estabelecer no Cristianismomártires. Os cristãos perseguidos, torturados e mortos pelos romanos por terem professado a fé de Cristo eram respeitados como figuras sagradas. No século II, essa prática era extremamente popular, e era comum que se comemorasse o dia de morte de um mártir. Durante os primeiros anos do cristianismo se popularizaram as noções de santidade e as relíquia dos mártires. Em outras palavras, os mártires eram tidos como santos, que de acordo com o pai da igreja São Jerônimo "não calam quando mortos", mas "apenas dormem", e das partes de seus corpos se faziam relíquias, às quais eram creditados poderes mágicos. Os relatos das vidas e mortes de santos parecem ter começado nessa época, conhecidos por hagiografias. a tradição do culto aos

Helenismo e Cristianismo

arquétipo cristão do bom pastor
O mundo romano influenciou as idéias cristãs de várias maneiras. Em primeiro lugar, o neoplatonismo, idéia de que os elementos do mundo material seriam hierarquicamente inferiores aos do mundo espiritual, se integrou perfeitamente à filosofia cristã. O estoicismo foi outra filosofia (muitas vezes funcionando como religião) que influenciou o pensamento cristão. Os estóicos eram austeros, e acreditavam na virtude e na moral como elementos essenciais na vida. Suas crenças se fundam na indiferneça e afastamento das coisas mundanas.

Pensamento Teológico

Clemente de Alexandria, importante "padre da igreja"
Os Pais da Igreja foram importantes para fundar as bases do pensamento teológico cristão. Suas filosofias foram influenciadas pela filosofia e pelas religiões helenísticas.
Justino, um importante fundador da teologia cristã helenística, argumentava sobre as questões religiosas com base no Logos, uma espécie de princípio ordenador do mundo já existente entre os estóicos. De acordo com Justino "Aprendemos que Cristo é o primogênito de Deus e que é o Logos, do qual participa todo o gênero humano" (Justino - Apol. Prima, 46).
Inácio de Antioquia foi o primeiro a se valer da glossolalia. Em oposição aos docetistas, ele desenvolveu a idéia de que Cristo teria tido uma dimensão humana e outra divina. O Novo Testamento nunca explicitou qual seria a substância de Cristo, e parece que os primeiros cristãos preferiram se afastar desse tema, embora tenham sugerido inúmeras vezes a ligação íntima entre o messias e Deus. Inácio estava convencido, contudo, que Cristo partilhava da substância divina, idéia que posteriormente ajudaria a construir a noção de Trindade. Como escreveu Inácio, Cristo seria "Deus e Homem, em uma só essência".
Orígenes conciliava a idéia de Logos e a revelação cristã. Para ele, as Escrituras Sagradas continham o caminho para a iluminação, mas não eram facilmente interpretadas e não podiam ser compreendidas em sentido literal. Para Orígenes, aqueles que tentavam interpretar as escrituras de forma literal eram ignorantes, uma vez que o próprio Jesus apenas havia iluminado seus últimos discípulos na subida à colina (Marcos 9). As escrituras eram limitadas por sua realidade histórica.
Clemente de Alexandria defendia a repartição dos bens entre os homens:
“ Deus criou o gênero humano para a comunicação e a comunhão de uns com os outros, como ele, que começou a repartir do seu e a todos os homens proveu seu Logos comum, e tudo fez por todos. Logo tudo é comum, e não pretendan os ricos ter mais que os outros. ”
 
— Da homilia Quis dives salvetur? ("Que rico se salvará?"), baseada em Marcos 10:17-31, Clemente de Alexandria

Filosofia cristã

Filosofia cristã - é o conjunto de ideias filosóficas iniciadas pelos seguidores de Jesus Cristo do século II aos dias de hoje.
Esta filosofia surgiu com o intuito de unir ciência e fé, partindo de explicações racionais naturais tendo o auxílio da revelação cristã. Vários pensadores acreditavam que havia uma relação harmoniosa entre a ciência e a fé, outros afirmavam que havia contradição e outros tentavam diferençá-las. Esta mesma discussão era questionada no campo da filosofia e da fé. Diversos filósofos relacionavam o pensamento grego com o pensamento cristão.
Há estudiosos que questionam a existência de uma filosofia cristã propriamente dita. Esses afirmam que não há originalidade no pensamento cristão e seus conceitos e ideias são herdadas da filosofia grega. Sendo assim, a filosofia cristã seria resguardadora do pensamento filosófico, que já estaria definitivamente elaborado pela filosofia grega, e defensora da fé.
No entanto, Boehner e Gilson afirmam que a filosofia cristã não é simples repetição da filosofia antiga, embora que devam à ciência grega os conhecimentos elaborados por Platão, Aristóteles e os Neo-platônicos. Chegam a afirmar que na filosofia cristã a cultura grega sobrevive em forma orgânica.  Os mestres gregos eram assim os pedagogos dos pensadores cristãos. A filosofia cristã não é um conjunto de escolas inúteis, pois tais preconceitos constituem radicalismos que desejam destruir o pensamento da tradição e reconstruir um edifício totalmente novo, negando o que se construiu no passado.

Aspectos Históricos da Filosofia cristã

A Filosofia cristã inicia-se por volta do século II. Ela surge através do movimento da comunidade cristã chamada Patrística, que tinha como principal objetivo a defesa da fé. É provável que a Patrística tenha finalizado por volta do século VIII. Do século XI em diante a filosofia cristã manifestou-se através da Escolástica. Este é o período da filosofia medieval ou da Idade Medieval que estendeu-se até o século XV, como assinala T. Adão Lara. A partir do século XVI a filosofia cristã, com suas teorias, passa a conviver com teorias científicas e filosóficas independentes.
O desenvolvimento das ideias cristãs representa uma ruptura em relação a filosofia dos gregos, tendo em vista que o ponto de partida da filosofia cristã é a mensagem religiosa cristã. A actividade missionária dos apóstolos, seguidores de Jesus Cristo, contribuiu para a difusão da mensagem cristã, mesmo que no seu início o cristianismo tenha sido alvo de perseguições.
A partir do império de Constantino I, o Grande o cristianismo torna-se oficialmente reconhecido. Este é momento histórico inicial da História Ocidental propriamente dita. A justiça romana, a cultura grega e o cristianismo ascendente imbricados, pode-se dizer até com alguns objectivos éticos comuns, estabelecem novos rumos para o pensamento cristão.
A estrutura da obra de T. Adão Lara nos indica uma importante divisão dos aspectos da filosofia cristã na Idade Média:
"I. A filosofia medieval, em gestação: a Patrística (séc. II-VII).
II. A filosofia medieval, no período da constituição e de maior riqueza conceitual: a Escolástica (séc. IX-XIII).
III. A filosofia medieval em processo de mutação e superação: os Pré-modernos (séc. XIV-XV)."[2]
Esta estrutura de Lara mostra a caracterização histórico-temática clara e sem preconceitos, o que efectivamente demonstra os aspectos históricos da filosofia cristã na era medieval. Mas para se falar sobre isso seria preciso sentir DEUS na sua vida, pois seria como a filosofia como procurava a verdade.

Características da Filosofia Cristã

Demonstração natural

Suas proposições necessitam ser demonstradas de forma natural e utiliza-se de reflexões condicionadas pela experiência - com o uso da razão. O ponto de partida filosófica da filosofia cristã é a lógica, não excluindo as doutrinas teológicas cristãs.  Embora haja relação entre as doutrinas teológicas e a reflexão filosófica na filosofia cristã, as reflexões desta possui caracterização estritamente racional.

Justificação das verdades de fé

Não deve haver contrariedade entre a filosofia cristã e as verdades de fé. Em seus argumentos e proposições a filosofia cristã procurar aperfeiçoar-se, embora não gozando de total infalibilidade. Não há aberta oposição à doutrina da igreja, pois a filosofia que assim o fizer não pode ser chamada de filosofia cristã, mas filosofia. A verdade revelada é benéfica porque evita erros em questões essenciais.
Fundamentalmente o ideal filosófico cristão é tornar evidente racionalmente, através da razão natural, as convicções religiosas. A atitude do filósofo cristão é determinada pela fé em questões referentes à cosmologia e o quotidiano. Diferente do filósofo, o filósofo cristão busca condições para a identificação da verdade eterna, sendo caracterizado pela religiosidade
Há críticas a essa filosofia pelo fato da religião cristã ser hegemônica desta época e centralizar a elaboração de todos os valores. Questiona-se a coesistência de filosofia e religião, pois a filosofia em si é crítica e a religião fundada na revelação e dogmas estabelecidos. Lara acredita que houve questionamento e escritos com características filosóficas no Medievo, embora tendo predominância da religião e da Teologia.[5] Desta forma era estabelecido pelos dogmas, em alguns aspectos, não impediram que houvesse construções filosóficas significativas.

A tradição

A filosofia cristã desenvolveu-se a partir de filosofias predecessoras. Justino fundamenta-se na filosofia grega, a escolástica em Agostinho e na Patrística. Está na tradição do pensamento filosófico cristão o Judaísmo, de quem foi herdado o Antigo Testamento e mais fundamentalmente a mensagem do Evangelho, que constitui o centro da mensagem defendida pelo cristianismo.
A concepção cristã européia em seu início, a Patrísitica, recebe influência tanto dos Judeus quanto dos Árabes. Esta Europa Cristã não permaneceu enclausurada em si mesma, mas sofreu fortes influências de outras culturas.

Elucidação da fé

Clarificar a fé é um dos principais problemas investigados pela filosofia cristã.
Os problemas de base são: Imortalidade da alma, liberdade;
Os problemas imprescindíveis: questões lógicas e epistemológicas e divisão das ciências; Os não-essenciais: a filosofia da natureza.

Visão sistematizadora

Existe a tentativa de sistematizar de forma ampla e total os problemas da realidade num todo harmónico. Há carência de espírito criativo, o que é compensado com a visão de conjunto. A própria revelação proporciona ao cristão uma visão geral.

A Sagrada Escritura

O cristianismo surge como religião fundamentada em fatos históricos que envolvem Jesus de Nazaré e um pequeno grupo de galileus. Coube a estes o anúncio do aparecimento do Messias esperado pelos profetas do antigo testamento.
A filosofia procura interpretar racionalmente os fenómenos do mundo. Como religião, houve necessidade do cristianismo defrontar-se com a filosofia helénica por causa da posição religiosa dos gregos. As especulações gregas são questionadas tanto como fundamento da verdade absoluta dada pela revelação e a cura pela fé e pela graça.

Imagens


Justin Martyr.jpg Saint Irenaeus.jpg Origen.jpg Thomas Aquinas in Stained Glass.jpg
Justino Mártir Ireneu de Lyon Orígenes Tomás de Aquino
Holbein-erasmus.jpg Immanuel Kant (portrait).jpg Chuck Kennedy - The Official White House 
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Erasmo de Roterdão Immanuel Kant Papa Shenouda III William Lane Craig