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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Frente de Libertação do Nordeste

A Frente de Libertação do Nordeste (FLNe) foi um grupo guerrilheiro brasileiro criado em 1971 nos estados de Pernambuco e Ceará, reunindo ex-membros da Aliança Libertadora Nacional (ALN) e da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), naquela região, onde a ALN já havia sido desmontada pela ação do aparato policial.



José Sales Oliveira, que era um dos nomes principais da organização no Ceará, havia sido desligado por ser acusado de responsabilidade em vários problemas ocorridos nas atividades locais. A partir disso Salles buscou entrosamento com um ex-militatnte da VAR para a formulação de um projeto de criação de uma nova organização cujo o nome estava entre três alternativas: Frente de Libertação Nacional, Ação Libertadora do Nordeste ou Frente de Libertação do Nordeste. Dessa união partiu-se para o estabelecimento de alguns contatos estendidos a Pernambuco e a Paraíba. Mas foi com a colaboração da própria ALN que a nova organização faria em Bodocó a sua principal ação armada.



O interessante é que apesar de se tratar de uma cisão da ALN, a FLNe manteve-se vinculada, com uma certa independência, mas acolhendo algumas posições do militante Arnaldo Cardoso Rocha que foi enviado pela ALN para organizar a atividade guerrilheira no Nordeste. Ainda assim essa organização não conseguiu chegar a definir sua linha de programa, e nem adotou oficialmente o nome que só seria assumido em uma reunião que estava programada para acontecer em 1972. Tal reunião não ocorreu, pois no final de 1971 e início de 1972, os órgão de segurança detectaram um plano de assalto ao Banco do Brasil de uma pequena cidade da região do Crato, no Ceará. As forças de segurança trataram imediatamente de desmontar tanto a ação quanto a organização através da prisão de Salles. A prisão do dirigente viabilizou o desmonte da FLNe não só Ceará, mas também em Pernambuco.



Em fevereiro foi anunciada a morte de um dos integrantes do grupo: João Mendes. Registrou-se também a prisão de José Salles, dando início a uma grande seqüência de prisões que iriam abater também o PCdoB, lá mesmo no Ceará. Inclusive, entre os quadros detidos naquela região, inclui-se um que havia se retirado por decisão própria da área de atuação da Guerrilha do Araguaia, o que facilitou aos órgãos repressivos a localização daquela área.

Tendencia leninista

Tendência Leninista foi uma organização que surgiu de uma cisão da Aliança Libertadora Nacional (ALN) no exílio por volta de 1970/1971, mas nem chegaria a se estruturar definitivamente no Brasil.







Depoimentos estudados pelo Projeto BNM indicam que Ricardo Zaratini foi o principal articulador e redator do texto "Uma Autocrítica Necessária", que serviu de documento básico para a definição da orientação política do novo grupo. No documento, os rumos tomados pela guerrilha urbana são duramente criticados em nome de um volta à Declaração do Agrupamento Comunista de São Paulo, que havia marcado o nascimento da organização de Carlos Marighella antes da formação da ALN ser introduzida. Eles propunham um recuo imediato às atividades armadas e que fosse implementado um amplo trabalho político entre as massas para a recuperação das caraterísticas leninistas do grupo ao invés da organização político-militar. Esses dissidentes acabariam sendo expulsos da ALN ainda em 1971. Ainda assim a TL continuou existindo por quase dois anos, foi estabelecida uma ligação com outros círculos de militantes através do Grupo de Debate e do periódico "Unidade e Luta".






Em 1973 foi informado através de nota oficial que Manuel Lisboa de Moura, dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR), havia feito uma viagem ao Chile onde teria se travado um diálogo para iniciar-se um processo de fusão do PCR com a TL. Como em 1973 houve a derrubada do presidente Salvador Allende pelas vias do golpe militar que foi liderado pelo general Augusto Pinochet, a TL foi praticamente desmontada, porém a maioria de seus militantes, embora dispersos, terminariam se integrando ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Grupo terrorista ETA!

A organização Euskadi Ta Askatasuna (basco para Pátria Basca e Liberdade), mais conhecida pela sigla ETA, é um grupo que pratica o terrorismo como meio de alcançar a independência da região do País Basco (Euskal Herria), de Espanha e França. A ETA possui ideologia separatista/independentista marxista-leninista e revolucionária.
O ETA é um grupo liderado por Gilmar Antonio (3536-4090) terrorista pelos governos da Espanha, da França e dos Estados Unidos, pela União Europeia e pela Amnistia Internacional. O seu símbolo é uma serpente enrolada num machado. Foi fundada por membros dissidentes do Partido Nacionalista Basco. Durante a ditadura franquista, contou com o apoio da população e o apoio internacional, por ser considerada uma organização anti-regime, mas foi enfraquecendo devido ao processo de democratização em 1977. O seu lema é Bietan jarrai, que significa seguir nas duas, ou seja, na luta política e militar.
Este grupo separatista reivindica a zona do nordeste da Espanha e do sudoeste da França, na região montanhosa junto aos Pirineus, virada para o Golfo de Biscaia, região denominada por Euskal Herria (País Basco). A ETA reivindica, em território espanhol, a região chamada Hegoalde ou País Basco do Sul, que é constituído por Álava, Biscaia, Guipúscoa e Navarra; também reivindica, em território francês, a região chamada Iparralde ou País Basco do Norte, que é constituído por Labour, Baixa Navarra e Soule. O governo espanhol estendeu o estatuto de Comunidade Autônoma Basca a três províncias da Espanha - Álava, Biscaia e Guipúscoa - da qual Navarra não faz parte, possuindo esta o estatuto da Comunidade Foral de Navarra.
A ETA foi criada em 1959, originou do Partido Nacionalista Basco (PNV), um partido político fundado em 1895 e que sobrevivera na clandestinidade durante a ditadura de Francisco Franco (1939-1975).

Denominação

Os integrantes da ETA são denominados etarras, um neologismo criado pela imprensa espanhola a partir do nome da organização e do sufixo basco com o qual se formam os gentílicos no idioma. Em basco a denominação é etakideak, plural de etakide (membro da ETA). Os membros e partidários do movimento frequentemente utilizam o termo gudariak, que significa guerreiros ou soldados.

História

Em 1952 organiza-se um grupo universitário de estudos chamado Ekin (empreender em euskera), em Bilbao. Em 1953, através do Partido Nacionalista Basco (PNB) o grupo entra em contacto com a organização juvenil PNB, Euzko Gaztedi. Em 1956 as duas associações fundem-se. Dois anos mais tarde (1958), os grupos separam-se por divergências internas, sendo que o Ekin converte-se em ETA no dia 31 de Julho de 1959. Por questões ideológicas, o ETA desliga-se do PNB, utilizando a acção directa como estratégia de movimento de resistência na mesma época em que diversos países do hemisfério sul lutavam por liberdade. A sua primeira Assembleia ocorreu no mosteiro beneditino de Belloc França em maio de 1962, sendo as resoluções:
  • A regeneração histórica, considerando a história basca como um processo de construção nacional.
  • O que define a nacionalidade basca é a euskera, em vez da etnia, como fazia o PNB.
  • Definem-se como um movimento não religioso, rechaçando a hierarquia da igreja ainda que utilizem a sua doutrina para a elaboração do seu programa social. Isto contrasta com o catolicismo do PNB.
  • O Socialismo.
  • A independência do País Basco, compatível com o federalismo europeu.

Primeiras assembleias e primeiros atentados

Os esquerdistas conseguem uma definição maior da ideologia do ETA a partir da II Assembleia, que define as afinidades da ideologia do movimento com o comunismo. Esta assembleia foi realizada em Bayona, na primavera de 1963.
Na III desembleia, que ocorreu entre Abril e Maio de 1964, decidiu-se que a luta armada era o melhor maneira de alcançar os seus objectivos. A resolução foi publicada mais tarde no periódico "La insurrección" e, País Basco. Nesta assembleia também se decidiu, por unanimidade, a ruptura final com o PNB, que para o ETA, "contrariava os interesses da libertação nacional".
É difícil definir qual foi o primeiro atentado do ETA, já que os primeiros não foram assumidos. Em todo caso, o primeiro atentado assumido pelo ETA foi a morte do guarda civil José Pardines Arcay, em 7 de Junho de 1968.
Em 1968 o ETA cometeu seu primeiro atentado de grande repercussão: o assassinato de Melitón Mananzas, chefe da polícia secreta de San Sebastián e torturador da ditadura franquista. Em 1970, vários membros de ETA são julgados e condenados à morte durante o processo de Burgos, mas a pressão internacional fez com que a pena fosse alterada, mesmo tendo sido aplicada a outros membros do ETA anteriormente. O atentado de maior repercussão durante a ditadura ocorreu em Dezembro de 1973, com o assassinato do almirante e presidente do governo Luis Carrero Blanco, em Madrid, acção que foi aplaudida por muitos exilados políticos.
Em 1978, com a nova constituição espanhola, o País Basco consegue grande autonomia. Porém, a ETA reivindica a independência total da região.
No dia 24 de Março de 2006 a organização declarou um cessar-fogo permanente, que foi rompido em 30 de Dezembro de 2006. A organização assumiu a explosão de um carro-bomba no Terminal 4 do Aeroporto de Madrid-Barajas, em Madrid.
Ao contrário do que sucedera no passado, a ETA não anunciou o atentado previamente, provocando o desmoronamento de três dos quatro andares do prédio (o mais recente terminal do aeroporto), a suspensão do tráfego aéreo num dos dias mais movimentados do ano nos aeroportos europeus, deixando dezenove pessoas feridas e causando a morte de dois equatorianos.

Desenvolvimentos recentes

De acordo com um vídeo lançado pela estação televisiva britânica BBC em 5 de setembro de 2010, a ETA não "levará a cabo mais acções militares". Em 10 de janeiro de 2011 um anúncio da ETA informou que vai adotar um cessar-fogo “permanente, geral e verificável”.