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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Movimento revolucionário Tupac Amaru

O Movimento Revolucionário Túpac Amaru, em castelhano Movimiento Revolucionario Túpac Amaru é um grupo guerrilheiro peruano, fundado em 1984, inspirado em outras guerrilhas de esquerda de países da região.
O grupo guerrilheiro se define como uma organização político-militar, integrada pela classe operária, cuja a ideologia é o Marxismo-Leninismo, tendo como objetivo organizar e dirigir a "Guerra Revolucionária do Povo", para derrotar o Governo legal, estabelecendo um "Poder Popular", que conduza à edificação do Socialismo.
O embrião desta organização teve seu início em 23 de novembro de 1976, quando o general do Exército Peruano, Leonidas Rodríguez Figueroa (que se encontrava exilado) funda o Partido Socialista Revolucionário (PSR), agrupando nesta organização, entre outros, ex-colaboradores do governo do general Juan Velasco Alvarado. O PSR participa do processo eleitoral para a Assembléia Constituinte, mas problemas ocorrem perante este acontecimento de "atitude eleitoreira" produzindo um rompimento em seu interior, dando origem ao PSR-ML (Partido Socialista Revolucionário - Marxista Leninista) com dirigentes da cúpula e incluso três constituintes, organização que logo seria uma das vertentes que dariam origem ao MRTA.
O MIR-VR (Movimiento de Izquierda Revolucionario - Voz Rebelde), o MIR-Norte (chamado assim por ter sua base principal em Trujillo) e o MIR-EM (Movimiento de Izquierda Revolucionario - El Militante), surgem em 1973, logo após o rompimento do MIR-Histórico. Em 1977, constituem, juntamente com outros agrupamentos de esquerda, a UDP (Unidade Democrática Popular). Em setembro de 1980, participam da constitução da Izquierda Unida (IU), produzindo-se lutas internas em 1982, recompondo-se entre os anos de 1983 e 1984.
Em 1978, o MIR-EM, participa do processo eleitoral para a Assembléia Constituinte, retirando-se para formar com o PSR-ML, o PCP -Maioria, a denominada "Frente Revolucionária de Ação Socialista" (FRAS). Em 1 de março de 1982, essa Unidade adota o nome de "Movimento Revolucionário Túpac Amaru", adotando a sigla "MRTA". A organização se manteve na clandestinidade, iniciando suas primeiras ações em 1984, consistindo em expropriações de bancos e ataques a militares. Em 9 de dezembro de 1986, se constitui uma nova unidade, no evento denominado "I Comitê Central Unitário", entre o MRTA e o MIR-VR, concordando em manter o nome do MRTA, com o qual continuaram as ações revolucionárias.
Seu órgão de divulgação clandestino era o impresso intitulado "Venceremos", que em 1987 mudou para "Voz Rebelde" e também a rádio "4 de Noviembro". Ademais, contava com o semanário "Cambio" como meio de difusão aberto e como órgãos de fachada tinham as organizações "Pueblo en Marcha", "UDP", "Bloque Popular Revolucionario" e "Patria Libre".
O grupo tornou-se mundialmente famoso com a ocupação da embaixada japonesa em Lima (Dezembro de 1996 - Abril de 1997), em que retiveram centenas de importantes políticos. Os 14 membros do comando foram mortos pela polícia peruana do presidente Alberto Fujimori; todos os políticos retidos foram libertados.
Na atualidade o nível de direção, devido à captura de seus principais líderes, não conta com uma estrutura de apoio ou estrutura organizativa (aparato logístico, comunicações, imprensa, etc.) e sua força especial (aparato armado) tem sido desarticulada. Não existindo indicativos da presença do MRTA no âmbito peruano, a provável reorganização está sendo estruturada no estrangeiro (Alemanha), através de seu porta-voz internacional, Isaac Cecilio Velasco Fuerte, que emite através da Internet eventuais pronunciamentos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tupac Amaru

Tupac Amaru I (morto em 24 de setembro de 1572) foi o último líder indígena do povo inca da época da conquista espanhola.
Filho de Manco Inca Yupanqui (também conhecido como Manco Capac II), foi feito sacerdote e guardião do corpo de seu pai. Depois de seu meio irmão, o Inca Titu Cusi, morrer em 1570, Tupac Amaru assumiu o título de supa inca, na época em que o Império Inca já havia perdido a capital Cuzco e resumia-se apenas à região de Vilcabamba, dezenas de quilômetros ao norte de Cuzco.
Durante um ataque dos espanhóis a Vilcabamba, Tupac Amaru fugiu em direção à Amazônia, sendo capturado e depois assassinado pelo vice-rei espanhol.
Seu nome e sua história inspiraram o movimento revolucionário Tupamaro.
A instalação do sistema colonial hispânico na América foi marcada por um processo massivo de eliminação de boa parte das populações indígenas que aqui viviam. No entanto, conforme assinalado pelo poeta chileno Pablo Neruda, a “cruz”, a “espada” e a “fome” não foram suficientes para encerrar as resistências da população indígena frente ao colonizador espanhol. No século XVIII, a infiltração das idéias iluministas e liberais só vieram a potencializar essa relação de conflito entre índios e espanhóis.
Ao mesmo tempo, não podemos criar uma idéia absoluta de que toda a população indígena era radicalmente contra o processo de dominação espanhola. Para ampliar a mão-de-obra disponível, muitos colonizadores empreendiam acordos com as lideranças indígenas locais. Os chamados caciques ou curacas, líderes máximos das comunidades indígenas, eram acionados pelos espanhóis para garantir a dominação sobre uma determinada população nativa.
Em troca do apoio ao colonizador espanhol, o curaca recebia parte dos impostos arrecadados ou a não obrigação do trabalho compulsório impostos pelos espanhóis. Dessa forma, os colonizadores vislumbravam manter as estruturas da dominação colonial sem a necessidade de empreender uma desgastante luta, que na verdade ia contra os interesses coloniais ao exigir gastos na organização de tropas ou na própria diminuição da mão-de-obra disponível.
No entanto, no ano de 1780, um líder curaca chamado José Gabriel Condorcanqui se indispôs aos interesses das elites metropolitanas. Dizendo ser descendente do lendário líder inca Túpac Amaru, conhecido por resistir ao início da dominação espanhola na América, Condorcanqui liderou uma insurreição indígena no Peru. Sendo uma grande exceção entre as populações indígenas da região, Condorcanqui estudou na Universidade de São Marcos (Lima, Peru) e lá teve contato com a história de Túpac Amaru e com ideais do pensamento iluminista.
Inspirado por essas idéias, Condorcanqui mudou seu nome para Túpac Amaru II e organizou um movimento emancipacionista que contou com o apoio da elite criolla. A rebelião começou em 1780, com a execução de um dos chefes espanhóis da administração colonial. Em pouco tempo, milhares de mestiços, indígenas, escravos e colonos empobrecidos decidiram não mais obedecer às exigências e tributos da Coroa Espanhola.
A popularização dos ideais da rebelião Túpac Amaru começava a representar uma ameaça real aos interesses das elites criollas. Com isso, o movimento acabou se desintegrando e perdendo sua articulação política. Túpac Amaru II foi preso e julgado pelas autoridades metropolitanas. Servindo de exemplo para as demais populações indígenas, Tupac teve a língua cortada e teve seu corpo arrastado por uma tropa de cavalos. Depois do episódio, outras lutas sangrentas resultaram na execução de 80 mil rebeldes.

Sendero Luminoso

O Sendero Luminoso (espanhol para "sendeiro luminoso") é uma organização terrorista de inspiração maoísta fundada na década de 1960 pelos corpos discentes e docentes de universidades do Peru (especialmente da província de Ayacucho). Abimael Guzmán (professor de Filosofia da Universidade Nacional de San Cristóbal de Huamanga) é considerado seu fundador por excelência, e adota o codinome Presidente Gonzalo. A guerrilha foi quase considerada extinta no final da década de 1990, mas reapareceu na primeira década do século XXI.
O Sendero Luminoso é considerado o maior movimento terrorista do Peru, e está entre os dois maiores grupos de ação da América do Sul (ao lado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, FARC). O seu nome oficial é Partido Comunista do Peru (PCP), porém o nome Sendero Luminoso é mais popular por diferenciar o grupo dos diversos partidos comunistas no Peru. O seu objetivo era o de superar as instituições burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e comunista de base camponesa, utilizando-se do conceito maoísta de Nova Democracia. Desde a captura de seu líder, Abimael Guzmán em 12 de setembro de 1992, o Sendero Luminoso teve apenas atuações esporádicas. A ideologia e as táticas do Sendero Luminoso influenciaram outros grupos insurgentes de caráter maoísta como o Partido Comunista do Nepal (maoísta) e outras organizações relacionadas ao movimento revolucionário internacional.
Após a prisão de Guzmán, vários líderes do Sendero também foram detidos nos anos seguintes, o que diminuiu bastante as atividades do grupo. Estas incluem principalmente ataques com bombas, além de assassinatos e possivelmente envolvimento com o comércio de pasta de coca. Digladiaram-se com os militares peruanos e grupos paramilitares supostamente treinados pelo Estados Unidos, os Sinchis. Além disso, opõe-se a outra grande força revolucionária do Peru, o Movimento Revolucionário Tupac Amaru.
Estima-se que o Sendero Luminoso teve cerca de dois mil guerrilheiros, e um grande número de membros em outras funções. O grupo foi responsável pela morte de aproximadamente 31.000 pessoas, entre civis, camponeses, militares, e militantes de esquerda rivais.

História

O Sendero Luminoso surgiu em 1964, como uma dissidência (bandera roja, bandeira vermelha) do Partido Comunista do Peru (PCP), sob orientação do carismático professor Abimael Guzmán (conhecido por sua capacidade de engajar os alunos).
O nome Sendero Luminoso baseia-se em uma máxima do marxista peruano José Carlos Mariátegui: "El Marxismo-Leninismo abrirá el sendero luminoso hacia la revolución" ("O Marxismo-Leninismo abrirá o caminho iluminado para a revolução"). Esta citação era usada no cabeçalho do jornal do grupo e no Peru os diversos partidos comunistas são diferenciados pelo título de suas publicações. Os historiadores e estudiosos em geral normalmente se referem ao Sendero Luminoso como PCP-SL.
Na década de 1970, o Sendero Luminoso expandiu suas atividades, inicialmente restritas à província de Ayacucho, para outras universidades no Peru, ganhando força como movimento estudantil. Seguia a linha de outros movimentos revolucionários de então, ou seja: grupos estudantis de classe média ou média-baixa tentando estabelecer a revolução em bases camponesas. O exemplo mais destacado é o da revolução cubana; no Brasilguerrilha do Araguaia). Após algum tempo o movimento, no entanto, tentou abandonar suas raízes na universidade e proclamou-se um "partido em reconstrução". desenvolvia-se algo semelhante, na chamada
Em 1977, o Sendero Luminoso passou da guerrilha rural para a urbana. Nas eleições de 1980, as primeiras após doze anos de governo militar, o partido recusou-se a participar e promoveu ataques e boicote às seções eleitorais. Em maio daquele ano chegou mesmo a esboçar o começo de uma revolução efetiva.
Na década de 1980, o grupo cresceu tanto em membros quanto em área ocupada. Suas áreas de dominação eram o centro e o sul do Peru, além de ter presença também nos subúrbios de Lima.
Com a captura de Guzmán em 1992 e demais lideranças até 1995, o Sendero perdeu muito da sua força. Chegou mesmo a enfrentar milícias de camponeses, os quais supostamente representava. Suas ações passaram a ficar mais espaçadas, sendo as últimas delas um ataque a bomba contra a embaixada estadunidense em Lima (foram mortas 10 pessoas e 30 ficaram feridas) em 2002 e o seqüestro de funcionários argentinos que trabalhavam em um gasoduto em Ayacucho (foram libertados após resgate), em junho de 2003.
Para uma história mais romântica, procure pelo livro "Dança no Andar de Cima" que conta a história de Abimael Guzmán, por seu perseguidor.

Antecedentes

Nos anos sessenta, Abimael Guzmán, professor de filosofia na Universidad Nacional de San Cristóbal de Huamanga em Ayacucho, Peru, pregou uma revolução maoista em seu país. Nessa universidade, havia muitos académicos simpáticos aos ensinamentos esquerdistas, entre eles o antropólogo Efraín Morote Best, que estimulou Guzmán a estudar o idioma quéchua dos índiosChina comunista, um sistema denominado "Pensamento Gonzalo" anos depois. peruanos. Sob sua influência, com a mistura de doutrina comunista e tradições culturais indígenas, Guzmán construiu uma ideologia radical de uma sociedade semelhante à
Na sociedade peruana dos anos sessenta já existiram movimentos de tendência comunista, entre eles o Partido Comunista Peruano original, porém com o advento dos movimentos de revolução armados noutros países da América Latina, novas tendências surgiram entre os seguidores jóvens, entre eles o professor Guzmán. No princípio do ano 1959, um movimento guerrilheiro dirigido por figuras carismáticas como Che Guevara e Fidel Castro derrotou o governo cubano de Fulgencio Batista. Em 1962, alguns membros do PCP original deixaram o movimento e formaram o "Exército de Libertação Nacional".

Cisma soviético-china: estímulo de Gonzalo

Em 1963, as duas grandes potências do mundo comunista, China e União Soviética, tiveram rixas sérias sobre as relações soviéticas com o Europa Oriental. A Ruptura sino-soviética foi a catálise da criação da Bandera Roja (Bandeira Vermelha), a facção maoísta do PCP, com o professor Guzmán em suas filas.

O movimento estudantil

Ao término da década de 60, Guzmán fundou a organização que seria o 'Sendero Luminoso', e começou chamar-se pelo nome de código "Presidente Gonzalo", identificando com o título mais famoso de seu modelo de conducta Mao Tse-tung (em inglês: Chairman Mao). O grupo de Guzmán foi uma ala política do PCP-Bandeira Vermelha, uma facção radical pró-China do PCP original de José Carlos Mariátegui. A Universidade Nacional de San Cristóbal em Huamanga foi uma instituição fechada por muitos anos, e nos tempos de Guzmán passou um período de crescimento devido às políticas do ditador esquerdista Juan Velasco Alvarado (1968-1975). As liberdades sociais no Peru permitiram a Guzmán e sua organização tomar o controle de conselho estudantil em UNSCH, e em outras instituçãoes semelhantes como a Universidade Nacional del Centro de Peru, a Universidade Nacional de Educación Enrique Guzmán y Valle (La Cantuta). Em várias outras escolas, o grupo de Guzmán tinha presença formidável: A Universidade Nacional de Engenharia e a Universidade Nacional Maior de San Marcos, ambas em Lima, a segunda sendo escola universitária mais antiga da América Latina. Porém o sucesso foi temporário, pois o caráter autoritário dos seguidores de Guzmán provocava um retrocesso estudantil, e até o término da década, a facção de Guzmán perdeu controle de todos os conselhos estudantis que dominava até aquele momento.
Em 17 de março de 1980, o grupo promoveu uma série de encontros clandestinos em Ayacucho, conhecido como a segunda plenária do Comitê Central. O Sendero Luminoso formava o Directorio Revolucionario e enviou suas milícias às províncias para começar com a "luta armada". 

A luta começa

Áreas do Peru nas quais o Sendero Luminoso teve influência.
Em 1980, o Peru anunciou as primeiras eleições desde a ascensão do ditador Velasco no ano 1968. Em vez de participar da eleição, Guzmán e seus seguidores negaram o direito do governo convocá-la, e fugiram para as zonas ao norte do departamento de Ayacucho. Em 17 de maio, na noite anterior às eleições, o PCdP-SL queimou as urnas de votação em Chuschi, uma povação ayacuchana, o primeiro ato de guerra do grupo, porém fracassou porque o governo conseguiu substituir as urnas e capturar os guerrilheiros. Como resultado das eleições, Fernando Belaúnde Terry, presidente anterior do Peru (antes de Velasco), foi reeleito. A década de 1980 foi um bom período para o PCdP-SL, quando seus militantes cresceram em quantidade e obtiveram controle de muitas povoações do país. Seus assassinatos de oficiais impopulares trouxeram apoio ao grupo. Eles também perseguiram ladrões de gado, criminosos detestados entre os camponeses.
Os territórios controlados pelo Sendero Luminoso aumentaram e mais militantes se juntaram ao grupo, com foco na região montanhosa dos Andes. Muitas povoações apoiaram o PCdP-SL devido à ausência de autoridades governamentais locais.
Porém as perseguições de comerciantes e latifundiários mostraram o lado ameaçador do partido.  As localidades com mais apoio ao PCdP-SL foram Ayacucho, Apurímac, e Huancavelica, três regiões montanhosas do Peru. Os julgamentos de pessoas em áreas de Sendero Luminoso por júris populares com frequência terminavam em execuções. Apesar da popularidade do Sendero Luminoso, não se pode afirmar que os camponeses apoiavam o do maoísmo.
Em vez de reagir à ameaça do PCdP-SL, o governo preferiu ignorar as ações dos guerrilheiros, e não declarou estado de emergência. O ministro de interior José María de la Jara recomendou táticas de polícia. O presidente do Peru, Fernando Belaúnde Terry, que foi reeleito, não teve a certeza de lutar efetivamente contra a insurgência, devido a seu próprio problema de conflito com os militares no passado (em 1968 Belaúnde, então presidente em seu primeiro mandato, foi derrubado do poder por Velasco). Em vez de tranqüilizar os distúrbios em Ayacucho, a inércia de Belaúnde mostrou apatia com relação ao conflito, e uma falta de interesse. Os camponeses já acreditavam que a liderança em Lima não estava de acordo com suas necessidades, porém agora eles viam que ele nem sequer quis desafiar os guerrilheiros.
Em 29 de dezembro de 1981, o governo finalmente decidiu declarar as áreas de Ayacucho, Huancavelica, e Apurímac como zonas de emergência e outorgou-se o poder de deter pessoas suspeitas. Então os militares usaram a tortura para obter informações, e no estupro para terrorizar os apoiantes do PCdP-SL. Em abril de 1982, um grupo de guerrilheiros do PCP-SL assaltou a prisão municipal em Ayacucho, assassinando alguns policiais e libertando seus correligionários detidos lá. O governo replicou com a execução dos guerrilheiros que estavam no hospital da cidade.

Belaúnde responde

A reação do governo foi um sinal que o estado havia entendido o papel ameaçador do grupo, e declarou estado de emergência em Ayacucho, outorgando ao exército poderes especiais. Os incidentes de Ayacucho foram o começo de uma série sangrenta de represálias. A "Comissão da Verdade e Reconciliação" definiu que os crimes eram resultado da ignorância dos militares, em particular os marinheiros, que cumpriam períodos de serviço na região. Eles não possuíam a paciência de diferenciar entre os camponeses e os senderistas. O PCdP-SL explorou a situação e assassinou oficiais do Estadosoplones na terminologia do movimento. com mais frequência. Porém os senderistas tornaram-se mais brutais, culminando com a matança de Lucanamarca, na que morreram 69 pessoas pelas as mãos dos senderistas. Eles não só vitimaram policiais, como também pessoas que supostamente haviam ajudado o governo com informações ou apoio, chamados
No início da luta, os efeitos não eram sentidos porque as regiões remotas nas quais o grupo era ativo não tinham grande impacto no país. Porém em 26 de janeiro, um incidente local em Uchurracay mudou a situação. Camponeses emboscaram um grupo de seis jornalistas, seu guia e mais habitante local e os mataram supondo que eram espiões a serviço do Sendero Luminoso. Os jornalistas foram enterrados em covas anônimas, até ser encontradas pela comissão de investigação coordenada pelo escritor Mario Vargas Llosa. Apoiantes do PCdP SL em Lima, a maioria deles não afiliado com o grupo senão com outros grupos esquerdistas. A política de Belaúnde recebeu muitas críticas como resultado do caso Uchurracay.

Atacando no resto do Peru

Depois de 1983, o Sendero Luminoso começou a atacar noutras regiões e também contra as infraestructuras das cidades de Huancayo, Huancavelica, Cerro de Pasco, Huánuco, Andahuaylas, Abancay, Ayacucho e ainda mais na capital Lima. O evento mais humilhante era o ataque senderista contra a rede elétrica de Lima, começando uma série de blecautes ali. Eles puseram carro-bombas em áreas estratégicas como os palácios de governo e de justiça do Peru. Em cidades do interior as senderistas tomaram o controle por períodos breves e conseguiram parar a atividade econômica. Neste tempo, PCdP-SL atacou os líderes de sindicatos, partidos esquerdistas, e oficiais do governo. Em 24 de abril de 1985, os senderistas tentaram o assassinato de Domingo García Radado, presidente do conselho nacional, durante as eleições presidenciais. Eles também executaram os sacerdotes e pastores protestantes que caíram nas suas zonas de influências. Em Huaycán, os senderistas mataram a assistente social María Elena Moyano, que havia se oposto ao senderismo.
Outro opositor do Sendero Luminoso foi o Movimiento Revolucionario Túpac Amaru (MRTA).

Lucanamarca

O ato de mais infâmia dos senderistas ainda é a matança dos camponeses da povoação ayacuchana de Lucanamarca. Os guerrilheiros senderistas mataram 69 vítimas, inclusive mulheres e crianças, com machetes e canivetes. Abimael Guzmán, em seu julgamento, declarou a matança um meio de destroçar os contrarrevolucionários.

O governo repousa

Um momento decisivo ocorreu ao final dos anos oitenta, quando o Sendero Luminoso controlava grandes áreas do Peru, interrompendo muitos aspectos da vida no país. Porém o sucesso do PCdP-SL foi asfixiante, já o partido não pôde administrar as zonas sob seu controle. A doutrina maoísta falhou e os meios opressivos contra os camponeses alienou o grupo.
Tal como com o governo em Lima, os camponeses sentiram que o Sendero Luminoso não respeitava suas crença indígenas e estilo de vida. Sob os princípios do maoísmo, a revolução necessitava o esquecimento dos costumes índios dos povos andinos. Noutra faceta da vida sob o PCdP-SL, os camponeses sofreram e queixaram-se: Os tribunos de justiça do Sendero Luminoso que perseguiram e mataram aos "inimigos da revolução". Os meios de execução incluíram o degolamento, estrangulmento, lapidação, e fogo. Ao contrário do começo da luta, o Sendero Luminoso agora executava não só os ladrões de gado, mas também os mestres de escola, prefeitos locais, sacerdotes, comerciantes e cada pessoa importante com quem eles divergissem.
O modo de subistência peruano havia sido irrompido pelo Sendero Luminoso, que é uma organização que se opunha às práticas do capitalismo. A maioria dos peruanos rurais dependiam dos mercados de Lima, porém as ações de isolamentos da capital tinham o efeito de estrangular as fontes de subsistência do campo. A perda de popularidade no campo impediu o esforço de expandir o controle de PCdP-SL nas cidades do Peru. O partido proibiu o exercício religioso e proibiu o álcool em suas zonas de influência. Em um sinal que a tendência havia mudado contra a sorte do movimento, até o final dos anos oitenta o espectro político no país uniu-se em quase todo o espectro político na necessidade de derrotar os senderistas. Isso incluía até os grupos marxistas mais estabelecidos.

Fujimori traz mudança

Os governos de Fernando Belaúnde Terry (1980-1985) e seu sucessor Alan García Peréz (1985-1990) foram ineficientes em suas ações para combater o Sendero Luminoso. As ações de García incluíram o uso de esquadrões da morte.
Nas eleições do ano 1990, o empresário Alberto Fujimori foi escolhido como o substituto de García com o mandato de combater a revolta dos senderistas e do MRTA. Ele instituiu o Decreto Legislativo No. 741 no qual o governo outorgou respaldo legal e militar aos ronderos, inclusive treinamento militar e equipamentos. As rondas eram chamados então Comités de auto defensa e chegaram a um total de 7.226 bandas.Diferente dos dois presidentes anteriores, Fujimori teve sucesso em unir trabalho de inteligência com interferência contra os guerrilheiros. Sob García, os crimes contra os camponeses ficaram mais raros. Porém o governo de Fujimoro formou um programa chamado Grupo Colina, que promoveu outras matanças contra civis em La Catuta e Barrios Altos.

Captura de Abimael Guzmán

Em 12 de setembro de 1992, o governo teve seu sucesso mais importante na guerra quando a polícia capturou o professor Guzmán num quarto-e-sala no distrito de Surguillo em Lima com quatro mulheres, inclusive sua segunda esposa Elena Iparraraguirre. A captura foi um produto de meses de vigilância pelo "Grupo Especial de Inteligência" (GEIN) da polícia, que começou devido à descoberta de um tubo de medicamento contra psoríase, uma enfermidade da qual Abimael Guzmán sofria. A captura de Guzmán levou às capturas de outros pessoas no Sendero Luminoso. A eficácia do PCdP-SL sofreu com a ocorrência, e seus guerreiros começaram a perder território para os ronderos. Sem o líder reconhecido Guzmán, o grupo se dividiu em facções regionais e o título de chefe foi assumido por Óscar Ramírez Durand ("Feliciano"), capturado na cidade de Huancayo em 1999.
O poder do PCdP-SL havia encolhido desde 1992, e suas forças ficaram limitadas às regiões mais remotas do país, como o departamento de San Martín. Guzmán pediu um cessar-fogo durante sua prisão com a cooperação do chefe do Serviço de Inteligência National (SIN) Vladimiro Montesinos, um auxiliar muito influente na administração de Fujimori. Em abril do 2000 o governo capturou no José Arcela Chiroque ("Ormeño"), y en julho de 2003 no Florentino Cerrón Cardozo ("Marcelo"), e no novembro no Jaime Zuñiga ("Cirilo").

No século XXI

Não obstante o grupo haver perdido o interesse no esquema nacional, uma parte pequena do PCdP-SL, chamado Proseguir ainda está lutando contra o governo numa zona entre os rios Ene e Apurímac na região oriental da Cordilheira dos Andes. Acredita-se que sua força seja dividida em três companhias, os Norte/Pangoa, Centro/Pucuta, e Sul/Vizcatan. O governo crê que cerca de cem 100 senderistas ficaram lá, e que estejam cooperando com o narcotráfico no Peru. Porém no ano 2003, Proseguir iniciou novas atividades, começando em 9 de junho com um assalto contra um campo militar em Tocate, na província de La Mar na zona leste do Peru. Eles tomaram 68 reféns em Ayacucho, empregados da empresa argentina Techint e três policiais. Os empregados trabalhavam no projeto de levar gás natural de Cusco a Lima.  A manobra foi, segundo militantes, planejada por Jaime Zuñiga, que também organizou uma emboscada contra um helicóptero em 1999 matando cinco soldados.
A reação da polícia consistiu em batidas contra bases de treinamento senderistas e na detenção de afiliados. Uma centena de índios capturados e escravizados pelo Sendero Luminoso foram libertados também. O nível do terror aumentou não obstante isso, e no Peru houve 96 incidentes de terror ao cabo do outubro de 2003, entre elas casos do Sendero Luminoso. Oito ou nove pessoas morreram como resultado de assaltos senderistas e seis militantes senderistas morreram, enquanto outros 209 foram detidos.
O novo líder do PCdP-SL fora da prisão surgiu em janeiro do 2004, um pessoa chamada Camarada Artemio que apareceu numa máscara de balaclava para uma entrevista com um canal de televisão. O segundo comandante do PCdP-SL hoje é Camarada Alipio. Eles ameaçaram recomeçar a luta armada caso o governo peruano não anistiasse os outros líderes do grupo num período de sessenta dias. Fernando Rospigliso, o Ministro do Interior do governo de Alejandro Toledo, replicou dizendo que o governo daria respostas firmes contra qualquer ação violenta. Em setembro do 2004, a polícia capturou 17 suspeitos, oito deles professores de escola e outros dois administradores escolares.
O Sendero Luminoso provou que issas ações não os detiveram, e em 22 de dezembro, 2005, o movimento fez uma emboscada contra una patrulha policial no departamento de Huánuco, no centro do Peru, assassinando oito policiais.19 de fevereiro de 2006 a polícia matou Héctor Aponte, o militante supostamente responsável pelo incidente. A ocorrência foi durante o período do julgamento de Abimael Guzmán e Elena Iparraguire, no qual eles receberam penas de prisão perpétua por seus crimes. Outros dez camaradas reciberam penas comparáveis entre 25 ou 35 anos na prisão. Como resultado da ação, Presidente Toledo reintroduziu o estado de emergência nesse departamento, e em

Atos de 2008

Em dez de outubro de 2008, o movimento amontou um assalto contra um comboio de veículos militares assassinando 19 pessoas, dos quais doze soldados, capturando outro, e ferindo onze. O ataque ocurreu em Tintaypunco, uma povoação na província de Tayacaja, mais ao sul que seus assaltos anteriores. Eles aproveitaram numa carga explosiva que parou os veículos até que eles atiraram.

PCdP-SL na cena internacional

Como um movimento maoísta, o Sendero Luminoso sempre foi seguidor das variantes mais radicais do comunismo então identificado com o regime do Khmer Vermelho do Camboja. Sua inspiração primeira foram os Guardas Vermelhos, um movimento ultraradical na China nos anos sessenta. O movimento assumiu postura ao lado chinês durante a Ruptura sino-soviética1963, e como resultado é associado ao Movimento Revolucionário Internacionalista (RIM) como s grupos Novo Exército Popular nas Filipinas, Partido Comunista do Nepal (Maoísta), Partido Comunista da India (Maoísta), e Partido Revolucionário Comunista nos Estados Unidos. O grupo é depreciativo ao regime do ditador cubano Fidel Castro, seguindo a mesma política que teve com respeito à administração de Juan Velasco Alvarado. em

Na cultura popular

Embora o movimento não seja muito conhecido fora do Peru, há referências ao grupo como na canção Bombtrack pelo grupo de rock Rage Against the Machine1996. A canção, de apoio ao grupo, começa com a legenda em inglês: em
Nos últimos treze anos o povo peruano lutou contra seu governo corrupto que é apoiado pelos Estados Unidos. Eles se chamam o
Na literatura há exemplos de referências ao grupo, mais no mundo falante de inglês que na América Latina.
  • Hailey, Arthur. The Evening News. Nova Iorque: Doubleday, 1997.
  • Shakespeare, Nicholas. The Vision of Elena Silves. Londres: Vintage, 2005.
  • Shakespeare, Nicholas. The Dancer Upstairs. Londres: Vintage, 2006
O escritor peruano Mario Vargas Llosa publicou seu próprio livro de ficção, Lituma nos Andes, em 1993.
  • Vargas Llosa, Mario. Lituma nos Andes. Premio planeta, 1993.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Império Inca

O Império Inca (Tawantinsuyu em quíchua) foi criado pela civilização inca e foi o maior império da América pré-colombiana.A administração, política e centro de forças armadas do império eram localizados em Cusco (em quíchua, "Umbigo do Mundo"), no atual Peru. O império surgiu nas terras altas do Peru em algum momento do século XIII. De 1438 até 1533, os Incas utilizaram vários métodos, da conquista militar à assimilação pacífica, para incorporar uma grande porção do oeste da América do Sul, centrado na Cordilheira dos Andes, incluindo grande parte do atual Equador e Peru, sul e oeste da Bolívia, noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia.
A língua do império era o quíchua,embora dezenas se não centenas de línguas e dialetos locais eram faladas, destacando-se entre elas a língua aimará, de uma das principais etnias componentes, os Aimarás. O nome quíchua para o império era Tawantinsuyu, que pode ser traduzido como as quatro regiões ou as quatro regiões unidas. Antes da reforma ortográfica era escrita em espanholTahuantinsuyo. Tawantin é um grupo de quatro coisas (tawa significa "quatro", com o sufixo -ntin que nomeia um grupo); Suyu significa "região" ou "província". O império foi dividido em quatro Suyus, cujos cantos faziam fronteira com a capital, Cusco (Qosqo). como
Ribeiro, 1975  considera esse padrão de organização social, o império teocrático do regadio formado pela primeira vez com o Império Acádio (2350 a.C.) e Babilônico (1800 a.C.) na Mesopotâmia. A tecnologia de irrigaçãoregadio) e pela capacidade reguladora e integradora da religião. Havia muitas formas locais de culto, a maioria delas relativas ao local sagrado "Huacas", mas a liderança inca incentivou o culto a Apu Inti - o deus do sol - e impôs a sua soberania acima dos outros cultos, como o da Pachamama. Os Incas identificavam o seu rei como "filho do sol". (
A história da civilização inca pode ser dividida em períodos e/ou culturas que se sucederam, fundamentando-se em descobertas arqueológicas, pesquisas de documentos históricos e análises etnográficas a linha do tempo que se segue é uma adaptação das pesquisas dos historiadores Coe; Michael e Longhena; Alva 

Linha do tempo

4000 – 1800 a.C. – Período pré-cerâmico (nômades caçadores, tecelões)
Introdução ao cultivo do algodão estimada entre 3500 - 2500 a.C.
2000 1400 a.C. - Período Inicial (cerâmico inicial)
- Cultura de Valdívia (domesticação do milho – 1800 a.C.)
1000 (900) – 200 a.C. Horizonte inicial
- Cultura Chavín(1500 a.C. até 500)
200 a.C. – 700 – Primeiro período intermediário
- Cultura Moche (Mochica ou Proto-Chimu) 100 a. C. e o ano 800.
- Cultura Nazca(300 AC e 800)
700 – 1000 (500 – 1.000) Horizonte médio (civilizações urbanas)
Cultura Tiahuanaco (Tiwanaku) apogeu Aymara entre 300 e 1000, descoberta de equipamentos para o uso de alucinógenos, parte essencial dos rituais religiosos dos Andes
Cultura de Huari (Wari) 500 até 1200
1000 – 1450 – Segundo período intermediário
Cultura Chimu (reinado do século X ao XV) construção da cidade de Chan Chan
Cultura dos Sicáns (800-1300) no atual Deserto de Nazca
1450 – 1533 Horizonte tardio (Horizonte Incas)
O inca Pachacuti chegou ao poder em 1438 e fez de Cusco (Qosqo, em quíchua, "Umbigo do Mundo") o centro espiritual e político do Tawantinsuyu tinha como área central a região que hoje corresponde ao Norte do Chile, Sul da ColômbiaBolívia, Peru e Equador, abrangendo uma população estimada entre 10 e 30 milhões de habitantes. e os territórios da
- 1531 Francisco Pizarro (1476 — 1541), o conquistador espanhol chegou à região
Um primeiro momento de desenvolvimento da cultura inca ocorreu após a migração para o vale de Cusco, e a fundação da primeira cidade pelo então Sapa Inca Manco Cápac. Essa cidade-Estado, que cresceu conforme a expansão das guerras pelo vale, atingiu seu ápice em 1438, quando Viracocha Inca funda o Tawantinsuyu.
O Sapa Inca Pachacuti é quem de fato organizou o reino de Cusco como um império, o chamado Tahuantinsuyu, um sistema federalista que concentrava o centro do governo para os Incas, centrados em Cusco, e dividia o poder entre outros quatro governantes de províncias (os chamados Suyus), eram esses: o Chinchasuyu (Norte), o Antisuyu(Leste), o Contisuyu (Oeste) e Collasuyu (Sul).Machu Picchu, que teria sido feita para sua família como um retiro de verão [carece de fontes?]. A Pachacuti também é atribuída a construção de
Quando desejava que uma terra fosse anexada ao império, Pachacuti enviava espiões para essas regiões que traziam para ele relatórios sobre as organizações políticas, militares e econômicas. Depois de analisar essas informações o Sapa Inca enviava mensageiros para os dirigentes dessas terras, tentando os convencer pela lógica das vantagens que eles teriam em se juntar ao império, essas vantagens incluíam presentes de luxo, como têxteis de alta qualidade, e promessas de que esses líderes seriam materialmente ricos como nobres e governantes do império. Esse acordo incluía a educação dos filhos desses nobres na capital inca, que recebiam lições sobre a cultura e religião inca, esses filhos podiam depois serem casados com filhas de outros nobres do império, fortalecendo assim as boas relações entre a nobreza imperial.

Expansão do Império Inca

A expansão por Pachacuti.
Os incas tinham um exército muito bem treinado e organizado. Quando conquistavam um lugar, o povo era submetido à tributação pela qual prestavam serviços designados pelos conquistadores. Os incas encorajavam as pessoas a se juntarem ao império e quando isto ocorria eram sempre bem tratadas. Serviços postais eram então estabelecidos por mensageiros (chasquis) que entregavam mensagens oficiais entre as maiores cidades. Notícias também eram veiculadas pelo sistema Chasqui na velocidade de 125 milhas por dia. Os incas também promoviam a mudança de populações conquistadas como parte da criação a "rodovia inca", que foi idealizada para ser usada nas guerras, para o transporte de bens e outros propósitos. Esta troca de populações (manay) acabou promovendo a troca de informações e propagação da cultura inca. Todo o Império Inca foi unido por excelentes estradas e pontes. Sua extensão máxima era de 4.500 km de comprimento por 400 km de largura, o que dava 1,800,000 km² de extensão.
Era parte da tradição os filhos dos imperadores incas liderarem o exército, Túpac Yupanqui filho do Sapa Inca Pachacútec, quando ainda era apenas o filho do Sapa Inca, começou as conquistas para o norte em 1463, conquistas essas que se prosseguiram quando o mesmo subiu ao trono de Sapa Inca em 1471. Sua maior conquista foi o Reino de Chimor, o único rival dos Incas na costa do Peru. O império de Túpac dominava todo o norte do atual Equador e Colômbia.
O filho de Túpac, Huayana Cápac, adicionou uma pequena parte de terra do norte do moderno Equador e algumas partes do Peru. No auge, o Império Inca incluía o Peru e a Bolívia, a maior parte do Equador, uma grande porção do que seria o Chile. O avanço pelo sul foi interrompido por causa da forte resistência das tribos Mapuches. O império se expandiu também para a Argentina e Colômbia. Contudo, grande parte do Sul do império era uma grande extensão de território despovoado.
O império foi um mosaico de línguas, culturas e povos. Os vários componentes não eram completamente leais, assim como as culturas locais não foram totalmente assimiladas. Essa dominação, somada a obrigação do pagamento de tributos, acabavam por gerar um império com grandes chances de ruir internamente.
O período de máxima expansão do Império Inca ocorreu a partir do ano 1450andina do Equador ao centro do Chile, com mais de 3000 quilômetros de extensão. quando chegou a cobrir a região

Guerra civil inca e a conquista espanhola

Os conquistadores espanhóis liderados por Francisco Pizarro e seus irmãos exploraram o sul do Panamá, alcançando as terras incas em 1526. Ficou claro que eles haviam chegado em terras ricas, com grande chance de se achar grandes tesouros, e após mais uma expedição (1529), Pizarro foi a Espanha e recebeu aprovação real para conquistar a região e a transformar em vice-reinado. Este documento foi recebido em detalhes na seguinte citação: "Em julho de 1529, a rainha da Espanha assinou uma carta permitindo a Pizarro conquistar os Incas. Pizarro foi nomeado governador e capitão de todas as conquistas no Peru, ou Nova Castela como a Espanha agora chama as terras".
No momento do retorno de Pizarro para o Peru, em 1532, a guerra entre os dois filhos de Huayana Cápac gerando agitação nos territórios recém conquistados - e talvez mais importante, a varíola, que se espalhou pela América Central - tinham enfraquecido o império. Foi lamentável para os Incas que os Espanhóis chegassem bem no meio da guerra civil, alimentado ainda pela doença que precedeu a colonização europeia. Os cavaleiros espanhóis, totalmente blindados, tinham grande superioridade tecnológica sobre as forças incas.
Pizarro não tinha uma grande força ao seu favor, apenas 168 homens, 1 canhão e 27 cavalos, ele teve que várias vezes se esquivar de confrontos potenciais que poderiam eliminar por completo suas forças. As batalhas pelos Andes foi uma espécie de cerco de guerra onde um grande número de relutantes voluntários eram enviados para esmagar os opositores. Os Espanhóis contavam com melhor tecnologia e técnicas, que se desenvolveram após séculos de guerra contra os Mouros na península Ibérica. Além da superioridade tática e material, ainda acabaram adquirindo vários aliados entre os nativos que queriam ver o fim do domínio Inca sobre seus territórios.
O primeiro confronto foi a Batalha de Puna, perto da atual Guayaquil, na costa do Oceano Pacífico. Em seguida, Pizarro fundou a cidade de Piura, em julho de 1532. Hernando de Soto foi enviado para explorar o interior da ilha, e retornou com um convite para conhecer o Sapa Inca, Atahualpa, que derrotou seu irmão na guerra civil e estava descansando em Cajamarca com seu exército de 80.000 homens.
Pizarro e alguns homens, mais notavelmente um frade com o nome de Vicente de Valverde, se reuniram com o inca, que tinha trazido apenas uma pequena comitiva. Por meio de um intérprete, frei Vicente leu o "requerimento", que exigia que o Sapa Inca e o império deviam aceitar o jugo do rei Carlos I de Espanha e se converter ao cristianismo. Devido à barreira linguística, e talvez, a má interpretação, Atahualpa ficou um pouco intrigado com a descrição do frade da fé cristã e foi dito que não tinha entendido completamente a intenção do enviado. Depois de mais uma frustrada tentativa de Atahualpa entender a fé cristã, os Espanhóis ficaram impacientes e irritados e atacaram a comitiva (ver Batalha de Cajamarca) e capturaram Atahualpa como prisioneiro.
Atahualpa ofereceu aos espanhóis ouro suficiente para encher a sala em que ele foi preso, e duas vezes a mesma quantidade de prata. O inca satisfizera esse resgate, mas Pizarro alucinado, recusando-se depois a libertar o inca. Durante a prisão de Atahualpa, Huascar foi assassinado noutro local. Os espanhóis mantiveram isso como se fosse ordens do próprio Atahualpa, o que foi utilizado como uma das acusações contra Atahualpa quando os espanhóis finalmente decidiram condená-lo à morte, em agosto de 1533.

Antecedentes

Quando Huayna Capac se tornou o imperador inca, houve uma guerra de sucessão que algumas fontes sustentam que durou cerca de doze anos. A causa alegada da guerra é que Huayna fora muito cruel com o povo.
Rumores se espalharam pelo Império Inca como fogo sobre um estranho "homem barbado" que "vivia numa casa no mar" e tinha "raios e trovões em suas mãos". Este homem estranho começava a matar muitos dos soldados incas com doenças que trouxera.
Quando Huayna Capac morreu, o império estava desgastado e ocorreu uma disputa entre seus dois filhos. Cusco, que era a capital, havia sido dada para o suposto novo imperador Huascar, que foi considerado como pessoa horrível, violento e quase louco atribuindo-se a ele o assassinato da própria mãe e da sua irmã que forçara a desposá-lo.
Atahualpa reivindicava ser o filho favorito de Huayna Capac, posto que a ele fora dado o território ao norte da atual Quito, no Equador, razão porque Huascar teria ficado muito bravo.
A guerra civil de sucessão se travou entre os dois irmãos, chamada Guerra dos Dois Irmãos, na qual pereceram cerca de cem mil pessoas.
Depois de muita luta, Atahualpa derrotou Huascar e então, conta-se, era Atahualpa que estava enlouquecido e violento, tratando os perdedores de forma horrível. Muitos foram apedrejados (nas costas) de forma a ficarem incapacitados, nascituros eram arrancados dos ventres das mães, aproximadamente 1500 membros da família real, incluindo os filhos de Huascar foram decapitados e tiveram seus corpos pendurados em estacas para exibição. Os plebeus foram torturados.
Atahualpa pagou um terrível preço para tornar-se imperador. Seu império estava agora abalado e debilitado. Foi neste momento crítico que o "homem barbado" e seus estranhos chegaram, cena final do Império Inca.
Este estranho homem barbudo e estranho veio a ser Francisco Pizarro e seus espanhóis da "Castilla de Oro" que capturaram Atahualpa e seus nobres em 16 de novembro de 1532.

A dominação espanhola

Atahualpa estava em viagem quando Francisco Pizarro e seus homens encontraram o seu acampamento. Pizarro enviou um mensageiro a Atahualpa perguntando se podiam se reunir. Atahualpa concordou e se dirigiu ao local onde supostamente iriam conversar e quando lá chegou, o local parecia deserto. Um homem de Pizarro, Vicente de Valverde interpelou Atahualpa para que ele e todos os incas se convertessem ao cristianismo, e se ele recusasse, seria considerado um inimigo da Igreja e de Espanha.
Como era esperado, Atahualpa discordou, o que foi considerado razão suficiente para que Francisco Pizarro atacasse os incas. O exército espanhol abriu fogo e matou os soldados da comitiva de Atahualpa e, embora pretendesse matar o inca, aprisionou-o, pois tinha planos próprios.
Uma vez feito prisioneiro, Atahualpa não foi maltratado pelos espanhóis, que permitiram que ele ficasse em contacto com seu séquito. O imperador inca, que queria libertar-se, fez um acordo com Pizarro. Concordou em encher um quarto com peças de ouro e outro um com peças de prata em troca da sua liberdade. Pizarro não pretendia libertar Atahualpa mesmo depois de pago o resgate porque necessitava de sua influência naquele momento para manter a ordem e não provocar uma reação maior dos incas que acabavam de tomar conhecimento dos espanhóis.
Além disto, Huáscar ainda estava vivo e Atahualpa, percebendo que ele poderia representar um governo fantoche mais conveniente para a dominação por Pizarro, ordenou a execução de Huáscar. Com isto, Pizarro sentiu a frustração de seus planos e acusou Atahualpa de doze crimes, sendo os principais o assassínio de Huáscar, prática de idolatria e conspiração contra o Reino de Espanha, sendo julgado culpado por todos os crimes condenado a morrer queimado.
Já era noite alta quando Francisco Pizarro decidiu executar Atahualpa. Depois de ser conduzido ao lugar da execução, Atahualpa implorou pela sua vida. Valverde, o padre que havia presidido o processo propôs que, se Atahualpa se convertesse ao cristianismo, reduziria a sentença condenatória. Atahualpa concordou em ser batizado e, em vez de ser queimado na fogueira, foi morto por estrangulamento no dia 29 de agosto de 1533. Com a sua morte também acabava a "existência independente de uma raça nobre". Sua morte foi o começo do fim do Império Inca.
A instabilidade ocorreu rapidamente. Francisco Pizarro nomeou Toparca, um irmão de Atahualpa, como regente fantoche até a sua inesperada morte. A organização inca então se esfacelou. Remotas partes do império se rebelaram e nalguns casos formavam alianças com os espanhóis para combater os incas resistentes. As terras e culturas foram negligenciadas e os incas experimentaram uma escassez de alimentos que jamais tinham conhecido. Agora os incas já haviam aprendido com os espanhóis, o valor do ouro e da prata e a utilidade que antes desconheciam e passaram a pilhar, saquear e ocultar tais símbolos de riqueza e poder. A proliferação de doenças comuns da Europa para as quais os incas não tinham defesa se disseminaram e fizeram o seu papel no morticínio de centenas de milhares de pessoas.
O ouro e a prata tão ambicionados por Pizarro e os seus homens estava em todo o lugar e nas mãos de muitas pessoas, subvertendo a economia com a enorme inflação. Um bom cavalo passou a custar $7000 até que, por fim, os grãos e gêneros alimentícios acabaram mais valiosos que o precioso ouro dos espanhóis. A grande civilização inca, tal como conhecida, já não existia.

Após a conquista espanhola

O Império Inca foi derrubado por menos de duzentos homens com vinte e sete cavalos mas também por milhares de ameríndios que se juntaram às tropas espanholas por descontentamento em relação ao tratamento dado pelo Império Inca. Francisco Pizarro e os espanhóis que o seguiram oprimiram os incas tanto material como culturalmente, não apenas explorando-os pelo sistema de trabalho de "mitas" para extração da prata Potosí, como reprimindo as suas antigas tradições e conhecimentos. No que se refere à agricultura, por exemplo, o abandono da avançada técnica agrícola inca acabou instalando uma persistente era de escassez de alimentos na região.
Uma parte da herança cultural foi mantida, tratando-se das línguas quíchua e aimará, isto porque a Igreja Católica escolheu estas línguas nativas como veículo da evangelização dos incas, daí passarem a escrevê-las com caracteres latinos e ensiná-las como jamais ocorrera no Império Inca, fixando-as como as línguas mais faladas entre as dos ameríndios.
Mais tarde, a exploração opressiva foi objeto de uma rebelião cujo líder Tupac Amaru considerado o último inca, acabou inspirando o nome do movimento revolucionário peruano do século XX, o MRTA, e o movimento uruguaio dos Tupamaros. A história de planeamento econômico dos incas e boas doses de maoísmo são também a inspiração revolucionária do atual movimento Sendero Luminoso no Peru.

Imperadores incas

Organização econômica do Império Inca

Atual cidade de Cusco, no Peru.
O Império Inca tinha uma organização econômica de caráter próximo ao modo de produção asiático, na qual todos os níveis da sociedade pagavam tributos ao imperador, conhecido como O inca. O inca era divinizado sendo carregado em liteiras com grande pompa e estilo. Usava roupas, cocares e adornos especiais que demonstravam sua superioridade e poder. Ele reivindicava seu poder dizendo-se descendente de deuses (origem divina do poder real). Abaixo do inca havia quatro principais classes de cidadãos.
A primeira era a família real, nobres, líderes militares e líderes religiosos. Estas pessoas controlavam o Império Inca e muitos viviam em Cusco. A seguir, estavam os governadores das quatro províncias em que o Império Inca era dividido. Eles tinham muito poder pois organizavam as tropas, coletavam os tributos cabendo-lhes impor a lei e estabelecer a ordem. Abaixo dos governadores estavam os oficiais militares locais, responsáveis pelos julgamentos menos importantes e a resolução de pequenas disputas podendo inclusive atribuir castigos. Mais abaixo estavam os camponeses que eram a maioria da população.
Entre os camponeses, a estrutura básica da organização territorial era o ayllu. O ayllu era uma comunidade aldeã composta por diversas famílias cujos membros consideravam possuir um antepassado comum (real ou fictício). A cada ayllu correspondia um determinado território. O kuraca era o chefe do ayllu. Cabia-lhe a distribuição das terras pelos membros da comunidade aptos para o trabalho.
Havia três ordens de trabalhos agrícolas:
  • Realizados em benefício do Inca e da família real;
  • Destinados à subsistência da família, realizados no pedaço de terra que lhe cabia;
  • Realizados no seio da comunidade aldeã, para responder às necessidades dos mais desfavorecidos.
De fato, o sistema de ajuda entre as famílias estava muito desenvolvido. Para além das terras colectivas, havia reservas destinadas a minorar as carências em tempos de fome ou a serem usadas sempre que a aldeia era visitada por uma delegação do inca.
Outro dos deveres de cada membro da comunidade consistia em colaborar nos trabalhos colectivos, como por exemplo a manutenção dos canais de irrigação.
Os nobres foram chamados pelos espanhóis de "orelhões", devido à impressão que tiveram de suas enormes orelhas, aumentadas pelos grandes pendentes que usavam. Os "orelhões" eram educados em escolas especiais durante quatro anos. Eles estudavam a língua quíchua, religião, quipus, história, geometria, geografia e astronomia. Ao terminar os estudos, eles se graduavam em uma cerimônia solene, onde demonstravam sua preparação passando em algumas provas.
Eles se vestiam de branco e se reuniam na Praça de Cusco. Todos os candidatos tinham o cabelo cortado e levavam na cabeça um llauto negro com plumas. Depois de rezarem ao sol, lua e ao trovão, eles subiam a colina de Huanacaui, onde ficavam em jejum, participavam de competições e dançavam.
Mais tarde, o Inca lhes entregava umas calças justas, um diadema de plumas e um peitoral de metal. Finalmente ele perfurava a orelha de cada um pessoalmente com uma agulha de ouro, para que pudessem usar seus pendentes característicos, próprios de sua categoria.
Os "orelhões" tinham vários privilégios, entre eles a posse de terras e a poligamia. Eles recebiam presentes do monarca, tais como mulheres, lhamas, objetos preciosos, permissão para usar liteiras ou trono.
Eles constituíam os funcionários do império. Em primeiro lugar estavam os quatro apu, ou administradores das quatro partes do império que assessoravam diretamente o imperador. Abaixo deles estavam os tucricues, ou governadores das províncias que residiam em suas capitais, e eram periodicamente inspecionadas.
Os incas incumbiam os dominados do trabalho que cada um deveria executar, o quanto e qual terra poderiam cultivar e quão longe poderiam viajar. Depois de se adaptar a tais regras, eram bem vistos pelos dominadores.
Se um inca era acusado de furto mas isto não era provado, o próprio oficial local incumbido de manter a ordem era punido por não fazer seu trabalho corretamente.
Inválidos e incapazes eram auxiliados a prover sua subsistência com trabalho. Às mulheres casadas eram distribuídas meadas de lã para confecção de roupas.
Todos os incas eram obrigados a trabalhar para o Império e para os seus deuses domésticos (mita).
Os incas não tinham liberdade de viajar e os filhos sempre tinham de seguir o ofício dos pais. O Império Inca foi dividido em quatro partes. Todas as atividades dos habitantes eram supervisionadas pelos funcionários do império.

Moeda

Os incas não usavam dinheiro propriamente dito. Eles faziam trocas ou escambos nos quais mercadorias eram trocadas por outras e mesmo o trabalho era remunerado com mercadorias e comida. Serviam como moedas sementes de cacau e também conchas coloridas, que eram consideradas de grande valor.

Agricultura

No apogeu de civilização inca, por volta de 1400, a agricultura organizada espalhou-se por todo o império, desde a Colômbia até o Chile, com o cultivo de grãos comestíveis da planície litorânea do oceano Pacífico, passando pelos altiplanos andinos e adentrando na planície amazônica oriental.
Calcula-se que os incas cultivavam cerca de setecentas espécies vegetais. A chave do sucesso da agricultura inca era a existência de estradas e trilhas que possibilitavam uma boa distribuição das colheitas numa vasta região.
As principais culturas vegetais eram as batatas (semilha), batatas doce (batatas), milho, pimentas, algodão, tomates, amendoim, mandioca, e um grão conhecido como quinua.
O plantio era feito em terraços e já usavam a adiantada técnica das curvas de nível sendo os primeiros a usar o sistema de irrigação.
Os incas usavam varas afiadas e arados para revolver o solo, e usavam também a lhama para transporte das colheitas, embora tais animais fornecessem também lã para fazer tecidos, mantas e cordas, couro e carne.
Ervas aromáticas e medicinais também eram plantadas e as folhas de coca, eram reservadas para a elite. Toda a produção agrícola era fiscalizada pelos funcionários do império.

Caça

Os incas usavam o arco de flechas e zarabatanas para caçar animais como cervos, aves e peixes que lhes forneciam carne, couro e plumas que usavam em seus tecidos. A caça era coletiva e o método mais usual era de formar um grande círculo que ia se fechando sobre um centro para onde iam os animais.