Verdade liberta

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"Um Poeta sonhador Um amante do Amor Um negro questionador Um eterno lutador" "Poesia é arte de viver Ser poeta é também crer Na verdade na história Na ilusão Sem demora"
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Judas e uma mulher

Depois de muito tempo,

sobre os quadros sombrios do calvário.

Judas, cego no além, errava solitário...

Era triste a paisagem, o céu era nevoento...

Cansado de remorso e sofrimento,

Sentara-se a chorar...

Nisso, nobre mulher de planos superiores,

Nimbada de celestes esplendores,

Que ele não conseguia divisar,

Chega e afaga a cabeça do infeliz.

Em seguida, num tom de carinho profundo,

Quase que em oração ela diz:

- meu filho, porque choras?

Acaso não sabeis? – replica o interpelado,

Claramente agressivo.

Sou um morto e estou vivo.

Matei-me e novamente estou de pé,

Sem consolo, sem lar, sem amor e sem fé...

Não ouvistes falar em Judas, o traidor?

Sou eu que aniquilei a vida do senhor...

A princípio, julguei poder fazê-lo rei,

Mas apenas lhe impus, sacrifício, martírio, sangue e cruz.

E em flagelo e aflição

Eis que a minha vida agora se reduz...

Afastai-vos de mim,

Deixai-me padecer neste inferno sem fim...

Nada me pergunteis, retirai-vos senhora,

Nada sabeis da mágoa que me agita...

O assunto que lastimo é unicamente meu...

No entanto a dama calma respondeu:

- meu filho, sei que choras, sei que lutas,

Sei a dor que causa o remorso que escutas...

Venho apenas falar-te

Que deus é sempre amor em toda parte...

E acrescentou serena:

- a bondade de deus jamais condena:

Venho por mãe a ti, buscando um filho amado.

Sofre com paciência a dor e a prova.

Terás em breve, uma existência nova...

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Não te sintas sozinho ou desprezado!

Judas interrompeu-a e bradou, rude e pasmo:

- mãe? Não me venhais aqui com mentira e sarcasmo.

Depois de me enforcar num galho de figueira,

Para acordar na dor,

Sem mais poder fugir à vida verdadeira.

Fui procurar consolo e força de viver.

Ao pé da pobre mãe que forjara o ser!...

Ela me viu chorando e escutou meus lamentos.

Mas teve medo dos meus sofrimentos.

Expulsou-me a esconjuros,

Chamou-me monstro, por sinal

Disse que eu era

Unicamente o espírito do mal,

Intimidou-me a terrível retrocesso,

Mandando que apressasse o meu regresso

Para a zona infernal de onde eu vinha...

Ah! Detesto lembrar a horrível mãe que eu tinha...

Não me faleis de mães, não me faleis de amor,

Sou apenas um monstro sofredor...

Inda assim – disse a dama docemente:

- por mais recuses, não me altero,

Amo-te filho meu, amo-te e quero

Ver-te de novo a vida

Maravilhosamente revestida

De paz e luz, de fé e elevação...

Virás comigo à terra,

Perderás pouco a pouco, o ânimo violento,

Terás o coração

Nas águas de bendito esquecimento.

Numa existência de esperança,

Levar-te-ei comigo

A remansoso abrigo.

Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!...

E Judas neste instante.

Como quem olvidasse a própria dor gigante,

Ou como quem se desgarra

De pesadelo atroz,

Perguntou: - quem sois vós?

Que me falais assim, sabendo-me traidor?

Sois divina mulher, irradiando amor,

Ou anjo celestial de quem pressinto a luz?


No entanto ela a fitá-lo frente a frente,

Respondeu simplesmente:

Meu filho, eu sou a mãe de Jesus!!!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

JUDAS REENCARNOU? - Richard Simonetti



Na última quarta-feira de Jesus na Terra, Judas passa o dia com Ele e os outros sem imaginar que Jesus já sabia o que ele fez.

Judas, que fracassou no apostolado, traindo Jesus e acabando por suicidar-se, já reencarnou ?
R: Segundo o espírito Humberto de Campos, que descreve um encontro com Judas, no livro Crônicas de Além Túmulo, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o apóstolo reencarnou várias vezes após a desastrada experiência, em resgates dolorosos. Culminou no século XV, quando quitou seus derradeiros débitos.
Disse Judas no livro citado: "(...) já fui absolvido pela minha consciência, no tribunal dos suplícios redentores. Quanto ao Divino Mestre, infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque, se recebi trinta moedas vendendo-O aos algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo, a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado . . .”
E quem teria sido Judas, nessa existência?
R: Admite-se que foi Joana D’Arc (1412-1431) que, à semelhança de Jesus, foi traída, vendida, humilhada e morta. Só não foi crucificada. Morreu numa fogueira.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Evangelho segundo Judas iscariotes.

O Evangelho de Judas é um evangelho apócrifo, atribuído a autores gnósticos nos meados do século II, composto de 26 páginas de papiro escrito em copta dialectal que revela as relações de Judas com Jesus Cristo sob uma outra perspectiva: Judas não teria traído Jesus, e sim, atendido a um pedido deste ao denunciá-lo aos romanos.
Desaparecido por quase 1700 anos, a única cópia conhecida do documento foi publicada em 6 de abril de 2006 pela revista National Geographic. O manuscrito, autentificado como datando do século III ou IV (220 a 340 D.C.), é uma cópia de uma versão mais antiga redigida em grego. Contrariamente à versão dos quatro Evangelhos oficiais, este texto clama que Judas era o discípulo mais fiel a Jesus, e aquele que mais compreendia os seus ensinamentos. O seu conteúdo consiste basicamente em ensinamentos de Jesus para Judas, apresentando informações sobre uma estrutura hierárquica de seres angelicais e uma outra versão para a criação do universo.

Descoberta

O documento, com bordas em couro, foi descoberto nos anos 1970 no deserto egípcio, perto de El Minya. Ele circulou em seguida entre os comerciantes de antigüidades para se encontrar primeiro na Europa e depois nos Estados Unidos, onde permaneceu em um cofre de um banco em Long Island (Nova York) durante 16 anos, antes de ser comprado em 2000 pela antiquária grega Frieda Nussberger-Tchacos.

Restauração e tradução

Inquieta com a deterioração do manuscrito, Frieda confiou-o à fundação suíça Maecenas em fevereiro de 2001, a fim de preservá-lo e traduzi-lo. Após a restauração do documento, o trabalho de análise e tradução foi confiado a uma equipe de coptólogos dirigida pelo professor Rodolphe Kasser, especialista em manuscritos, da Universidade de Genebra. Kasser disse jamais ter visto um manuscrito em um estado tão ruim: páginas faltavam, o topo das páginas, onde ficavam os números, estava rasgado, e havia quase mil fragmentos de papiro. Para reconstituir, segundo ele, o "quebra-cabeças mais complexo jamais criado pela história", o professor Kasser foi auxiliado pela restauradora de papiros Florence Darbre e pelo especialista em copta dialectal Gregor Wurst, da Universidade de Augsburg (Alemanha). O documento, chamado "Códice Tchacos", será devolvido ao Egito e conservado no Museu Copta do Cairo.
Mario Jean Roberty, director da Fundação Maecenas com sede na Basiléia, garante que com os resultados dos testes realizados no documento pode-se afirmar, sem dar margem a dúvidas, que o texto foi transcrito entre o século III e o século IV.

Tu sacrificarás o homem que me revestiu

O Beijo de Judas em pintura anônima do século XII. Segundo o Evangelho de Judas o beijo não foi uma traição.
O trecho-chave do documento é atribuído a Jesus, dizendo a Judas: "Tu vais ultrapassar todos. Tu sacrificarás o homem que me revestiu". Segundo o pensamento gnóstico, esta frase significaria que com a delação Judas estaria contribuindo para que Jesus Cristo pudesse libertar o seu espírito, livrando-se de seu invólucro carnal, o corpo.
"Essa descoberta espectacular de um texto antigo, não-bíblico, considerada por alguns especialistas como um dos mais importantes jamais descobertos nos últimos 60 anos, estende nosso conhecimento da história e das diferentes opiniões teológicas do início da era cristã", esclarece Terry Garcia, um dos responsáveis da revista estado-unidense National Geographic. Presume-se que o original, provavelmente escrito em grego, seja datado do início do século II.
A existência do Evangelho de Judas havia sido atestada pelo primeiro bispo de Lyon, São Irineu, que o denunciou em um texto contra as heresias na metade do século II. O bispo teria explicado neste documento que, segundo a sua opinião, nos tempos dos apóstolos aconteceram diversas tentativas de se espalhar o erro e perturbar a união dos cristãos, e que alguns faziam-se passar por convertidos, exclusivamente para disseminar doutrinas contrárias a da Fé Apostólica.
Irineu também comentou a existência de uma seita gnóstica chamada de Cainitas, cuja crença era baseada no princípio que o mundo material é imperfeito, tendo sido criado não por um Deus Supremo e sim por uma inteligência criadora inferior a este. Além de Irineu, Epifânio, bispo de Salamina, também argumentou sobre a existência desse manuscrito no ano de 375 dc.
Elaine Pagels, professora de Religião na Universidade de Princeton e uma das grandes especialistas mundiais sobre os Evangelhos gnósticos, considera que "a descoberta surpreendente do Evangelho de Judas, bem como daqueles de Maria Madalena e de diversos outros documentos dissimulados durante quase 2000 anos, modifica nossa compreensão dos primórdios do cristianismo. Essas descobertas erradicam o mito de uma religião monolítica e mostram o quanto o movimento cristão era realmente diversificado e fascinante no seu início".

Exposições e documentários

A National Geographic consagra um longo artigo no seu número de maio de 2006 e inaugurou uma exposição dia 7 de abril de 2006 na sua sede em Washington, DC, onde o público pode contemplar as páginas do manuscrito. A revista, em colaboração com a Fundação Maecenas, apresentou também nos EUA e na Europa um documentário de duas horas no seu canal de TV a cabo dia 9 de abril de 2006.
O manuscrito foi traduzido em inglês, alemão e francês, e também é o tema de dois livros.